Filmes trazem mais cena de nu frontal masculino

Jim Cheng* e
César G. Soriano

Ver homens pelados na tela grande é uma tendência ou apenas uma coincidência nos lançamentos do fim de ano? Os especialistas não se entendem. O fato é que há quatro filmes atualmente em cartaz nos cinemas norte-americanos que mostram atores nus.

Em "Kinsey", um estudante (Peter Sarsgaard) seduz o pesquisador de sexo Alfred Kinsey (Liam Neeson). Sarsgaard diz: "Estávamos sentados durante a filmagem e eu disse: 'Acho que eu tenho que estar nu nesta cena.'" Houve também a possibilidade de uma cena de nudez de Neeson. "Liam estava perfeitamente disposto, mas por razões orçamentárias, cortamos a cena, infelizmente", diz o autor/diretor Bill Condon. "Sei que é um desapontamento."

Em "Sideways", em um momento de espasmo, o ator enérgico M.C. Gainey corre para fora de casa do jeito que veio ao mundo, em uma caçada irada a Paul Gimatti.

Em "Alexander" (que estréia nos EUA na próxima quarta-feira, dia 24), Colin Farrell faz uma cena de nudez para a noite de núpcias no épico de Oliver Stone. Farrell gravou outra cena em seu último filme "A Home at the End of the World". No entanto, ela foi cortada depois que os produtores concluíram que estava gerando distração.

Em "Ma Educação", Gael Garcia Bernal não tira tudo, mas chega perto, enquanto se prepara para nadar.

Apesar de os pênis não serem tão prevalecentes quanto os seios, eles estão se tornando mais aceitáveis. "Não importa se é homem ou mulher", diz Moritz Borman, produtor de "Alexander". "Em um filme maduro, se a nudez vai melhorar a cena, não importa se o personagem é Alexandre ou Alexandra. O diretor terá que considerar o assunto."

Estava na hora, dizem algumas mulheres. "Como mulher, fico feliz. Quero ver corpos masculinos. Há um erotismo crescente em torno do corpo masculino, que não existia antes", diz Linda Williams, professora de estudos de cinema da Universidade da Califórnia em Berkeley.

Pode ser uma forma de rebelião, neste ambiente pós-Janet Jackson, diz Gwendolyn Audrey Foster, professora de cinema e de estudos feministas da Universidade de Nebraska. Como nos anos 50, "há uma tremenda repressão atualmente. As pessoas ficaram chateadas com 'O Resgate do Soldado Ryan'. Ao mesmo tempo, temos uma cultura popular que está forçando os limites."

Qualquer tendência é apenas coincidência, diz Jim McBride, administrador do site www.mrskin.com, que coleciona cenas de nudez no cinema. McBride observa que cenas de nudez frontal masculina aparecem ocasionalmente, mas a maior parte é limitada a filmes para maiores de 18 anos, como os filmes atuais.

Foster discorda e diz que a tendência vai continuar, na medida em que as mulheres subirem os escalões da indústria do cinema, dominada pelos homens.

"Esse movimento de levar as coisas até o limite está definitivamente popularizando imagens que não víamos antes, olhando para o corpo humano, para os homens e mulheres igualmente, sem objetificar ninguém. Está mais para uma licença artística do que para uma estratégia de bilheteria", diz Foster.

Colaboraram James Endrst e Susan Wloszczyna. Atores tiram a roupa em "Má Educação", "Kinsey" e em "Alexander" Deborah Weinberg

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