Veja filmes e diretores que podem faturar o Oscar

Scott Bowles, Claudia Puig e Susan Wloszczyna

Martin Scorsese lembra-se do momento em que desistiu do Oscar. O diretor, então com 34 anos, estava lendo uma revista do ramo, em 1977, quando viu que tinha sido descartado para nomeação de melhor diretor --apesar de seu filme, "Taxi Driver" ter recebido quatro indicações, inclusive de melhor filme. "Depois disso, parei de ligar", diz ele. "Entendi que o Oscar e eu trilhávamos caminhos diferentes".

Talvez sim, mas a trajetória do diretor e da estatueta se aproximaram várias vezes durante os anos. E a questão mais quente atualmente na disputa é se não será finalmente o ano de Scorsese, com a estréia no dia 17 de dezembro de seu filme sobre Howard Hughes, "The Aviator", com grandes expectativas de premiação.

Ele enfrentará dura competição. A temporada está aberta para o Oscar, e os diretores estão oferecendo histórias tentadoras. Será a vez de Oliver Stone, com seu épico histórico? E Clint Eastwood? Conseguirá sua segunda nomeação em dois anos e assim cimentar seu lugar entre os grandes?

Muitos também estão esperando um primeiro aceno: Alexander Payne, com "Sideways", Taylor Hackford, com "Ray", e Marc Forster, da Suíça, ("Em Busca da Terra do Nunca") lideram uma leva de diretores estrangeiros esperançosos.

Veja abaixo um perfil preparado pelo USA Today de sete diretores que foram indicados para o Oscar antes, e seus filmes para as férias:

James L. Brooks

Seu filmes, "Espanglês", estréia em 17 de dezembro nos EUA.

Sinopse: uma doméstica mexicana (Paz Veja) que tem uma jovem filha é contratada por um chefe de cozinha de alta classe (Adam Sandler) e sua mulher estressada (Tia Leoni). Há choques culturais, mas eventualmente a combinação funciona.

Pedigree: Brooks conseguiu um Oscar com seu primeiro filme, o drama "Laços de Ternura", de 1983, que também ganhou o prêmio de melhor filme.

Sua inspiração para "Espanglês": "As peças foram se juntando na minha cabeça. Conheci uma mulher hispânica com uma filha de 12 anos, que morava neste país há 10. A menina queria conhecer melhor sua origem, então a mãe à levou para sua terra natal."

Perspectivas: Brooks é um mestre de relacionamentos ressonantes. E o tema hispânico não podia vir em melhor hora. Se o público conseguir ver Sandler como um adulto bem sucedido, em vez de um perdedor reclamão, então "Espanglês" pode ser um sucesso das férias.

Clint Eastwood

Seu "Million Dollar Baby" estréia 17 de dezembro.

Sinopse: Após um rompimento doloroso com sua filha, o treinador de boxe Frankie Dunn (Clint Eastwood) não se deixou aproximar de ninguém --até que a boxeadora Maggie Fitzgerald (Hilary Swank) entrou em seu ginásio.

Pedigree: Eastwood venceu o Oscar de melhor diretor com o western "Os Imperdoáveis", de 1992, que também lhe deu o prêmio de melhor filme e uma indicação para melhor ator. No ano passado, ele recebeu indicações para diretor e filme com "Sobre Meninos e Lobos".

Inspiração: "Clint fala muito sobre a formação de novas famílias, até mesmo problemáticas, quando sua verdadeira família se desintegra", disse Swank. "Não é tanto um filme sobre boxe, mas sobre a necessidade de se encontrar uma família a qual pertencer, da forma que for."

Perspectivas: Este é um candidato promissor. Eastwood, famoso por seu trabalho rápido, acabou o filme mais cedo e os rumores são fortes em várias categorias, particularmente de melhor atriz para Swank.

Mike Leigh

Seu filme, "Vera Drake", já está em cartaz nos cinemas americanos.

Sinopse: Vera Drake (Imelda Staunton) é uma mulher de família que executa abortos clandestinos na Inglaterra de 1950, uma prática que coloca sua família em perigo.

Pedigree: Leigh foi indicado melhor diretor por "Segredos e Mentiras", de 1996, e tem duas indicações como roteirista para "Segredos" e "Topsy-Turvy".

Sua inspiração para "Vera Drake": "Sempre fui intrigado pelas famílias e as pressões que enfrentam", disse ele. "Todos meus filmes lidam com pais, tendo ou não filhos. É o drama que todos nós enfrentamos e não podemos evitar."

Perspectivas: A crítica tem sido positiva, particularmente para Staunton. Mas o assunto pode ser controverso demais, e a escala do filme pequena demais para atrair a atenção da Academia.

Mike Nichols

"Perto Demais" estréia no dia 3 de dezembro nos EUA.

Sinopse: Um drama cáustico, duramente honesto sobre as paixões e fraquezas de quatro londrinos (Julia Roberts, Clive Owen, Jude Law e Natalie Portman) que se aproximam, brigam e fazem as pazes.

Pedigree: Não se pode pedir uma carreira mais impressionante do que a do diretor alemão Nichols. Ele venceu o Oscar de melhor diretor por "A Primeira Noite de um Homem", em 1967, e foi indicado três outras vezes por "Quem tem medo de Virginia Woolf?", de 1966, "Silkwood", de 1983, e "Uma Secretária do Futuro", em 1988. Ele também foi indicado para a categoria de melhor filme, depois de fazer "Vestígios do Dia", em 1993.

Sua inspiração para "Perto Demais": "Li a peça de Patrick Marber muito antes de vê-la e não conseguia tirá-la da minha cabeça", diz ele. "Tem algo sobre aquela terrível pergunta: 'Prometo que não vou ficar irado, mas quero saber' (sobre suspeita de infidelidade). O horror da resposta parece estar no cerne da alguma coisa e eu fiquei infinitamente interessado."

Perspectiva: Nichols é um veterano admirado, que pode ser indicado por seu estilo de direção não linear em "Perto Demais". Também pode haver indicações para atores, particularmente Portman. Mas o filme é escuro, insular e pode ser perturbador demais para os membros da Academia.

Martin Scorsese

"The Aviator" estréia em 17 de dezembro.

Sinopse: Um filme biográfico retratando os primeiros anos do diretor e aviador lendário Howard Hughes (Leonardo DiCaprio), do final dos anos 20 até meados dos anos 40, quando cortejou estrelas como Katharine Hepburn (Cate Balchett) e Ava Gardner (Kate Beckinsale).

Pedigree: Scorsese é a dama de honra de Hollywood, tendo sido indicado para melhor diretor por quatro filmes, "Touro Indomável", de 1980, "A Última Tentação de Cristo", de 1988, "Bons Companheiros", de 1990, e "Gangues de Nova York", de 2002. Mas nunca venceu.

Sua inspiração para "The Aviator": "Realmente eu não sabia nada sobre o homem, além de seu nome", diz Scorsese. "Mas sempre fui fascinado com o vôo --apesar de não ser fã de voar-- e daquela época de Hollywood."

Perspectiva: Scorsese é o favorito sentimental novamente. Mas ele terá que fazer de DiCaprio um homem, se quiser levar o ouro.

Oliver Stone

Seu épico, "Alexander", estrou nesta quarta-feira, dia 24, nos EUA.

Sinopse: Um olhar épico do rei da Macedônia (Colin Farrell) liderando seus homens pela Grécia, Pérsia e Índia, combatendo exércitos armados, elefantes e as influências de seus pais (Val Kilmer e Angelina Jolie).

Pedigree: Stone já tem algumas estatuetas, inclusive duas de melhor diretor com "Platoon", em 1986 e "Nascido em Quatro de Julho", de 1989, assim como uma de melhor adaptação para "Expresso da Meia Noite", em 1978. Ele ainda foi indicado oito vezes, por direção, roteiro e produção de filmes, incluindo "Nixon" de 1995 e "Salvador" e "JFK" de 1986 e 1992.

Sua inspiração para "Alexander": "Sempre fui fascinado por história, e Alexander é das melhores", diz Stone. "Mais de 2.000 anos se passaram desde seus tempos, e ainda conhecemos seu nome. Ele é o maior conquistador e um dos maiores líderes que o mundo já viu."

Perspectiva: As batalhas e a magnitude do filme são claro material de Oscar. Mas os diálogos artificiais e a história confusa tiraram seu gás para premiação.

Robert Zemeckis

Seu filme, "O Expresso Polar", já está em cartaz nos cinemas americanos.

Premissa: Um jovem que está deixando de acreditar em Papai Noel é levado em um trem noturno misterioso para o Pólo Norte, onde encontra o bom velhinho. Baseado na clássica lenda de Chris Van Allsburg.

Pedigree: Zemeckis venceu o Oscar de melhor diretor em 1994, com "Forrest Gump", e foi indicado por melhor roteiro original com "De Volta ao Futuro", em 1985.

Sua inspiração para "O Expresso Polar": As ilustrações estilizadas de Van Allsburg inspiraram Zemeckis a criar uma nova técnica de cinema que combina ação ao vivo com animação por computação. "Eu queria que parecesse um filme feito de pintura a óleo, com todo o calor e sutilezas de uma atuação humana", diz ele.

Perspectivas: o filme é fiel ao livro, mas as críticas foram variadas, e a bilheteria foi decepcionante. É provável que seja indicado em categorias técnicos. Épico "Alexander" inicia fase de lançamento de obras da academia Deborah Weinberg

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