Americanos têm razão para celebrar Thanksgiving

Chuck Raasch
Colunista do USA Today
Em Washington

Há cerca de uma década, o então líder dos republicanos na Câmara dos Representantes, Newt Gingrich, causou o maior alvoroço quando insinuou que o crime cometido por uma mãe que afogou suas duas crianças na Carolina do Sul era o resultado dos anos de administração permissiva conduzida pelos democratas.

Os inimigos políticos dele contra-atacaram, e o assunto se tornou um grande momento dos duelos de moralidade dos anos 90. Gingrich já está fora, relegado às margens do circuito dos comentaristas de rádio. Mas depois de uma década em que aconteceram governos de seus republicanos, as manchetes não parecem muito diferentes das que aconteciam naquela época.

No mesmo mês de novembro em que o contingente de um quinto dos eleitores, ou algo assim, afirmou estar muito preocupado com os vagamente definidos "valores morais", os americanos se assustam com as notícias domésticas. Uma hora é um caçador que massacrou outros caçadores em Wisconsin. Outra hora é a mãe que esquartejou o filho no Texas, ou a mulher que trancou duas menininhas num depósito em Maryland.

Aconteceram também tristes espetáculos de "atletas" e "fãs" descontrolados em combates corpo-a-corpo no Michigan e na Carolina do Sul, em plena semana do Dia de Ação de Graças.

Mas nessa temporada de graças,é preciso entender esses episódios de falta de civilização em seus contextos. Há também outros episódios significativos, pelos quais devemos dar graças. Isso pode ser dito até mesmo à sombra do terrorismo e da guerra no Iraque, que ceifou as vidas de mais de 100 americanos e de inúmeros iraquianos somente nesse mês.

Considerem o seguinte:

  • Os corajosos e desprendidos rapazes de 18, 19 ou 20-e-alguma coisa que lutaram ou morreram ou ficaram mutilados no Iraque e no Afeganistão, inclusive os que suportaram o inferno de Fallujah. Acredite você ou não na validade da guerra no Iraque, as imagens de pais e mães, irmãos e amigos velando os caixões no cemitério nacional de Arlington merecem ser lembradas nessa temporada americana de Ação de Graças.

    O sacrifício deles é incomparável, vai além de nossa capacidade de recompensa. Lembre-se deles na próxima vez que assistir à exibição vaidosa de um astro do futebol, ou na próxima reclamação de um astro ou estrela do show business carente de consideração.

    Lembram-se de Pat Tillman, que largou o time de futebol (americano) Arizona Cardinals para cumprir o serviço militar? Pois ele morreu, no Afeganistão. Isso sim é uma tragédia real e um sacrifício, e não aquela cena de um jogador profissional de basquete afastado da quadra por um ano por tentar arrancar a cabeça de um espectador.

  • O sistema político. OK, primeiro podem reclamar, dos bilionários que tentaram comprar a eleição de 2004; dos advogados que cinicamente exploraram brechas da recente lei de financiamento de campanhas; das palavras duras entupindo a Internet e os talk shows da TV.

    É praticamente igual o número de pessoas infelizes com a reeleição do presidente Bush e o total dos satisfeitos com a vitória. Mas apesar de todos esses alertas, você teria que concordar que muitos países do mundo ainda trocam de líderes sob a mira de revólveres ou permanecem governados por questão de sangue ou de títulos honorários.

    Pois esse país americano simplesmente perseverou, enfrentando uma de suas campanhas mais duras e amargas sem violência nem revanchismo. Isso deve valer para alguma coisa, nesses tempos tão incertos. Os jovens que defendem o país no Iraque são motivo de orgulho Marcelo Godoy
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