Ano de guerras e de embate político chega ao fim

Chuck Raasch
USA Today

Num ano de rebeldias e de medidas compulsórias, o Iraque mergulhou na violência, mas os americanos optaram pela continuidade e não pela mudança, ao reelegerem seu "presidente da guerra".

O ano de 2004 nos deixa grandes questões sobre segurança - a nacional, a pessoal e a financeira. A ameaça do terrorismo prossegue, enquanto a
situação do Iraque e de vários programas oficiais para aposentadoria são
questões palpitantes no momento.

A vitória de George Bush sobre John Kerry em novembro coincidiu com avanços republicanos no Congresso, proporcionando a Bush uma das situações legislativas mais favoráveis já vividas por qualquer presidente reeleito, desde Franklin D. Roosevelt, há sessenta anos.

Os democratas começaram 2004 com grandes esperanças, mas acabaram não reelegendo seu líder no Senado, Tom Daschle, na eleição de 2 de novembro. Agora estão fechando o ano procurando por novos líderes e por uma direção.

Enquanto isso, Bush fez a campanha pela reeleição baseada em grandes temas e em grandes promessas para um segundo mandato. Os críticos temem pelo seu sucesso, em meio à guerra e aos déficits públicos em cifras recordes. Mas o presidente já começou a agir, com uma reestruturação da Previdência Social, a reforma do imposto de renda nacional, a restrição a processos legais que, segundo ele, atrapalham os negócios e a ciência, e a promoção da mais ampla reestruturação da burocracia ligada à inteligência desde a Segunda Guerra Mundial.

"Se você enfatizar as grandes questões do momento, verá onde o segundo
mandato poderá ser mais eficaz", diz o diretor de comunicações da Casa
Branca, Dan Bartlett.

Em 2004, toda a esperança depositada na transição para um governo temporário no Iraque logo se dissipou, com os sangrentos ataques dos rebeldes, seqüestros brutais e decapitações. A atual violência ameaça a eleição prevista para o dia 30 de janeiro, onde deverá ser escolhido um novo governo.

O fracasso ao não se encontrar armas de destruição em massa no Iraque minou a credibilidade americana no Oriente Médio e entre muitos aliados europeus. Ainda assim, Bush sustenta que um Iraque pacífico e democrático poderá um dia ser um ponto de estabilidade no Oriente Médio. Os próximos julgamentos dos subordinados de Saddam Hussein poderão provocar uma reavaliação da ameaça efetivamente representada pelo ex-ditador iraquiano.

Em 2004 Saddam permaneceu na condição de postulante sem uma nação, na prisão e fora do alcance na maior parte do ano. Ele poderá ir a julgamento em 2005.

A morte do líder da Organização para a Libertação da Palestina Yasser Arafat abre uma nova porta para uma possível resolução do conflito
israelense-palestino. Mas a sombra de um escândalo paira sobre um agente em potencial para qualquer resolução nesse sentido - as Nações Unidas. Há
alegações de subornos e fraudes no programa "Petróleo-por-Alimentos",
administrado pelas Nações Unidas durante o império de Saddam.

O governo americano levantou e baixou os níveis de alerta contra o
terrorismo ao longo do ano, e algumas vezes se manifestou através de vozes conflitantes.

O procurador-geral John Ashcroft renunciou após a reeleição, e disse que o trabalho dele de proteger os Estados Unidos estava completo. O secretário de Saúde e Serviços Humanos Tommy Thompson renunciou poucas semanas depois, dizendo que estava surpreso pelo fato de os terroristas não terem atacado o suprimento de alimentos nos Estados Unidos. De fato, grandes eventos- como a decisão do futebol americano no Super Bowl, duas grandes convenções políticas e os Jogos Olímpicos - aconteceram sem sobressaltos. Os americanos respiraram aliviados quando o seio exposto da cantora pop Janet Jackson se tornou o grande destaque do mega-evento.

Mas os terroristas atacaram com efeitos desastrosos na Espanha, afetando a eleição nacional, e na Arábia Saudita, ameaçando a estabilidade dos monarcas locais. E Osama bin Laden permanece foragido, mais de três anos após conceber os ataques a Nova York e a Washington.

Uma sanguinolenta guerra civil irrompeu no Sudão em 2004. A Coréia do Norte e o Iraque agitaram com assuntos nucleares. Mas também floresceram a paz e a esperança. A Líbia condenou o terrorismo patrocinado pelo estado, entregou suas piores armas e começou a negociar, em vez de ameaçar. A União Européia absorveu mais 10 nações integrantes, incluindo algumas que já estiveram sob o domínio dos comunistas soviéticos.

Em termos globais, maior atenção foi dispensada à ameaça da AIDS, mas a África segue padecendo com muitas mortes provocadas pela doença. Os Estados Unidos enfrentaram uma escassez de vacinas contra a gripe. A SARS e a gripe provocada por aves asiáticas irromperam de outra forma. Mas também aconteceram avanços promissores nas vacinas contra a malária e nos tratamentos contra o câncer.

Enquanto os jovens americanos combateram e morreram na guerra contra o terrorismo, a chamada "guerra cultural" foi lutada em novos fronts
domésticos - em relação a todos os assuntos, desde sobre o que as pessoas
assistem nos cinemas até sobre quem pode casar com quem. O casamento entre pessoas do mesmo sexo foi aprovado no Canadá, mas foi rejeitado em 11 estados americanos.

Como sempre, a ciência e a natureza apresentaram novas perspectivas para os acontecimentos humanos. Furacões assolaram o leste dos Estados Unidos, e o vulcão do Monte Santa Helena entrou em erupção maias uma vez no estado de Washington. O brilhante cientista Stephen Hawking fez uma revisão de sua teoria sobre os buracos negros no universo.

Os astrônomos podem ter descoberto um novo planeta. E a nave Rover da NASA descobriu provas da existência de água no planeta Marte, estimulando as evidências de que a vida não está limitada a esse nosso planeta. Um balanço de que houve de mais importante em 2004 Marcelo Godoy

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