Novos remédios tentam vencer câncer de pâncreas

Liz Szabo
USA TODAY

Embora a previsão para a maioria das pessoas com câncer no pâncreas seja sombria, pesquisadores acreditam que métodos mais modernos de detecção e tratamentos experimentais poderão um dia dar mais esperanças aos
pacientes.

As novas experiências incluem a detecção de pessoas que têm alto risco de contrair o câncer no pâncreas porque têm dois ou mais parentes próximos com a doença, diz Margaret Tempero, uma especialista da universidade da Califórnia em São Francisco.

Os médicos podem examinar e até tirar raios-X das glândulas pancreáticas
com instrumentos especiais, e aí remover lesões pré-malignas ou até mesmo formas de câncer em estágios iniciais. Esses procedimentos também permitem aos médicos ter uma idéia melhor de como os tumores pancreáticos começam e evoluem.

Mas remover parte do pâncreas pode causar sérios problemas de saúde, diz Tempero. E apenas cinco por cento dos casos de câncer no pâncreas são herdados. Os médicos não têm condições de fazer exames específicos no público em geral.

Os pacientes dessa doença podem se beneficiar de uma área em expansão, as "terapias focadas", ou então dos remédios concebidos para bloquear seletivamente certos sinais dentro das células com tumor, segundo os especialistas. Embora esses novos remédios estejam aprovados para outros tipos de tumor, os cientistas aguardam resultados, para avaliar se esses medicamentos irão mesmo funcionar contra o câncer no pâncreas.

Entre as terapias focadas e outros tratamentos promissores estão:

- Tarceva. Essa pílula inibe os sinais de crescimento que permitem a
divisão desenfreada das células cancerosas. Numa experiência clínica com quase 600 pacientes com câncer no pâncreas, os que acrescentaram Tarceva à quimioterapia tradicional sobreviveram uma média de 6,4 meses, sendo que essa média caiu para 5,9 entre os que apenas fizeram tratamento quimioterápico. No final de um ano, 25 por cento dos pacientes que tomaram a combinação com Tarceva estavam vivos, enquanto que os que não tomaram a pílula tiveram índice de sobrevivência de 19 por cento, diz John Hamm, do laboratório Norton Healthcare em Louisville, responsável por experiências com o Tarceva durante três anos.

- Erbitux. Numa experiência com 41 pacientes, 32 por cento sobreviveram
pelo menos mais um ano, de acordo com pesquisa publicada em julho pela Revista de Oncologia Clínica. Embora o Erbitux e a Tarceva ambos foquem a mesma enzima indutora do crescimento, o Erbitux bloqueia uma parte da enzima que está na superfície das células tumorosas, enquanto que a pílula Tarceva trabalha dentro da célula.

- Avastin. Esse remédio busca enfraquecer os tumores cortando o fluxo sanguíneo até eles.

- BAY 43-9006. Essa terapia experimental combina as estratégias de combate ao tumor de todas as drogas anteriores. Ela suspende os sinais químicos que geram a expansão dos vasos sanguíneos, e também desliga os sinais produzidos pela mutação num gene chamado RAS. Cerca de 90 por cento das ocorrências de câncer no pâncreas transportam essa mutação, de acordo com o laboratório Onyx Pharmaceuticals, que está desenvolvendo o BAY 43-9006 com a Bayer.

- Vacinas. Ao contrário das vacinas tradicionais, essas terapias experimentais - incluindo a GVAX da Cell Genesys e a PANVAC-VF do laboratório Therion Biologics - buscam tratar os tumores, em vez de preveni-los. Os pesquisadores esperam que as vacinas estimulem o sistema imunológico a reconhecer e a eliminar as células cancerosas. Conheça os avanços da medicina contra essa doença Marcelo Godoy

UOL Cursos Online

Todos os cursos