George W. Bush agora deve mostrar que tem um plano viável pós-eleitoral para o Iraque

John Yaukey
Em Washington

Passadas as eleições, o assunto passa a ser a segurança.

As primeiras eleições livres do Iraque em 50 anos abriram o caminho para o presidente Bush ampliar o treinamento das forças de segurança iraquianas e convencer os americanos de que tem um plano viável para o Iraque, o que ele provavelmente tentará fazer em seu discurso do Estado da União, nesta quarta-feira (2/2).

Sem segurança no Iraque, a empolgação pela democracia que os iraquianos demonstraram no domingo enquanto votavam não durará. E até que os iraquianos possam combater a insurreição que tem atormentado seu país por mais de um ano, isto caberá às tropas americanas.

Sem sinais tangíveis de que a campanha americana no Iraque está caminhando para uma saída para os 150 mil soldados americanos atualmente lá, os americanos provavelmente ficarão cada vez mais desencorajados em relação à guerra, como indicam as pesquisas realizadas antes das eleições.

"A coisa mais importante que podemos fazer no momento é acelerar a formação das forças iraquianas", disse o coronel Thomas X. Hammes dos marines, um especialista em guerra de insurreição e autor do aclamado livro sobre o assunto, "The Sling and the Stone" (a funda e a pedra). "O Pentágono disse repetidas vezes que elas são nossa passagem de saída de lá."

Bush disse o mesmo, mas com poucos detalhes sobre como planeja que isto seja feito.

Mais detalhes

Os líderes democratas, mal reconhecendo o drama das eleições de domingo, pediram na segunda-feira que Bush detalhe seus planos pós-eleitorais para o Iraque.

O líder democrata no Senado, Harry Reid de Nevada, desafiou Bush a "traçar uma política mais forte, mais clara, para o sucesso".

Joe Biden de Delaware, o líder da bancada democrata no Comitê de Relações Exteriores do Senado, disse que o presidente "precisa expor ao povo americano o trabalho árduo que nos aguarda".

Faltou pouco para Reid defender um prazo para a retirada das tropas americanas, algo que desejam os democratas. O senador Edward Kennedy, de Massachusetts, pediu na semana passada por uma retirada total até o início do próximo ano.

Os republicanos também têm demonstrado sinais de ansiedade em relação à guerra --que atualmente custa mais de US$ 1 bilhão por semana-- e têm pedido para Bush detalhes sobre uma estratégia de saída.

Bush certamente elogiará as eleições em seu discurso do Estado da União, mas ainda não está claro quanto detalhe ele apresentará sobre seus planos no futuro próximo.

A situação no Iraque continua altamente volátil, e os democratas têm usado parte da antiga retórica dele contra a guerra contra ele.

Apesar da atual votação no Iraque ter sido uma enorme vitória em muitos aspectos, com algumas estimativas colocando o comparecimento em mais de 60%, o sucesso a longo prazo das eleições é outro assunto. Os resultados completos das eleições são esperados em um prazo de uma semana.

Os resultados poderão produzir um governo carente de legitimidade para liderar e dar segurança ao Iraque. E apesar da violência ter sido contida durante as eleições, Bush tem alertado que a insurreição continuará.

O plano até o momento

Bush traçou vagamente um plano para que as forças de segurança do Iraque sejam treinadas adequadamente o mais rapidamente possível, mas ele se recusou a discutir qualquer tipo de prazo.

Durante suas recentes audiências de confirmação no Senado, a secretária de Estado, Condoleezza Rice, disse que os iraquianos possuem cerca de 120 soldados de segurança treinados. Tal número representa a metade do que os planejadores de guerra do Pentágono esperavam ter a esta altura, e ainda está longe dos 270 mil que acreditam ser necessários.

Mais importante, o número de 120 mil não reflete precisamente o progresso dos iraquianos rumo a serem capazes de enfrentar a insurreição sozinhos, disse um ex-funcionário da autoridade civil americana no Iraque.

"(Rice) estava se referindo corretamente ao número de diferentes forças iraquianas uniformizadas", disse Peter Khalil, que serviu como diretor de política de segurança nacional para a extinta liderança civil americana no Iraque. "Mas o grau de capacidade deles de enfrentar a insurreição e o que de fato foram treinados a fazer é um assunto muito diferente."

Segundo alguns legisladores que visitaram o Iraque, o número de soldados iraquianos treinados adequadamente para a difícil missão de enfrentar a insurreição varia de 4 mil a 8 mil, com algo entre 8 mil e 20 mil treinados para combate geral.

Quase metade dos 80 mil policiais do Iraque foram retirados de serviço para mais treinamento, para poderem enfrentar melhor os rigores das missões de combate à insurreição, disse Khalil.

Bush sabe claramente que isto é um grande problema e recentemente enviou o general de quatro estrelas da reserva, Gary Luck, para determinar como melhor acelerar o treinamento das forças iraquianas.

No lado de relações públicas, Bush buscará manter as expectativas entre os americanos de acordo com a difícil tarefa adiante, alertando no domingo que "terroristas e rebeldes continuarão travando sua guerra contra a democracia". George El Khouri Andolfato

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