Atenção democratas, lá vem o Howard de novo!

Chuck Raasch
Colunista do USA Today
Em Washington

Howard Dean à frente do Partido Democrata é algo como James Dean gerenciando a General Motors. A diferença é que o rebelde democrata está ligando o motor motivado por uma causa. Será preciso um acelerador?

Stephen Crowley/New York Times

Ex-governador discursa em evento da campanha nesta quinta-feira
Dean, o supremo intruso de 2004, está prestes a conquistar a suprema organização vinculada ao Partido Democrata, o Comitê Nacional Democrata. Antes da votação deste sábado (12/02), ele conseguiu o apoio de um número suficiente de membros do comitê para obrigar todos os adversários a abandonarem a disputa.

Geralmente, os partidos democrata e republicano são administrados por amigos do presidente ou por figurões partidários. Dean não é nem uma coisa nem outra, algo que agrada os seus seguidores.

Em eras menos marcadas pelo partidarismo, os diretores das duas instituições partidárias chegaram a se tornar amigos: o ex-presidente do Comitê Nacional Republicano, Frank Fahrenkopf, e o ex-presidente do Comitê Nacional Democrata, Paul Kirk, são exemplos disso. Eles pareciam estar unidos pelos quadris quando coordenaram os debates da eleição presidencial do ano passado.

Basta dizer que, desde que Dean afirmou no mês passado que "detesta os republicanos", não há nenhuma amizade desse tipo à vista entre Dean e o novo presidente do Comitê Nacional Republicano, Ken Mehlman, que gerenciou a campanha pela reeleição do presidente Bush.

Considerando o número de vacas sagradas de Washington feridas por Dean na sua meteórica campanha presidencial de 2004, o ex-governador de Vermont faria bem em seguir o conselho de Harry Truman e arranjar um cachorro.

Durante um dos mais espetaculares embates da história política norte-americana, Dean atacou os colegas democratas por não terem fibra, comparou os membros do Congresso a baratas, criticou o controle das corporações sobre a mídia, ridicularizou os "salões de Georgetown", atacou os lobistas e acusou o candidato democrata John Kerry de ser "um serviçal de interesses especiais".

Em uma sentença de uma entrevista concedida ao jornal "The Des Moines Register", do Iowa, ele contrariou três importantes grupos de eleitores --os negros, a população rural e os sulistas-- quando disse que os democratas precisavam buscar o apoio de caras em caminhonetes agitando bandeiras confederadas. Mas voltando à campanha, Dean afirmou o quanto estava cansado dos políticos com discurso de direita.

Seja bem-vindo a Washington, senhor presidente.

Uma das histórias mais fascinantes da capital norte-americana do ano que vem vai ser a de como Dean misturará a contundência da sua ideologia, antiguerra, antiempresarial, anti-Bush com os fatores mais mundanos exigidos de quem pretende administrar um partido político de expressão nacional.

Muitos democratas estão empolgados com a iminente sacudidela política, e crêem que a paixão e a ênfase de Howard no sentido de ressuscitar as bases partidárias são exatamente os remédios prescritos pelo médico.

Dean prometeu subjugar as suas ambições políticas enquanto for presidente do Comitê Nacional Democrata, mas isso é algo que teremos que esperar para ver.

Terry McAuliffe, o presidente que está de saída do Comitê Nacional Democrata, afirma ter mantido recentemente uma conversa franca com Dean e diz que este entendeu o papel de quem ocupa o cargo.

"Nessa posição, representamos a todos, e se dermos determinada declaração, podemos fazer algo que coloque indevidamente em um mesmo saco um membro conservador e um liberal", disse McAuliffe.

A maioria dos norte-americanos se recordará de Dean devido ao seu barulhento discurso após ficar em terceiro lugar nas primárias de Iowa, em janeiro do ano passado. Por mais icônico que possa ter sido aquele episódio, ele não se constitui no retrato integral de um homem que desafiou a convenção política de uma forma que não era vista desde a campanha de Ross Perot no início da década passada.

Em uma era de política empresarial, na qual os diretores de pesquisas e consultores são presidentes de grandes empresas, e os arrecadadores de verbas de campanha são os tesoureiros dos candidatos, os comitês nacionais democrata e republicano praticamente se transformaram em gigantescos caixas eletrônicos para os candidatos presidenciais.

Ambos cortejaram várias das corporações que Dean atualmente afirma estarem muito vinculadas ao governo. Parte da fama de Dean se deve ao fato de ele ter arrecadado tanto dinheiro de gente que não teria dado um centavo aos políticos tradicionais de Washington.

Será que essas pessoas o acompanharão agora rumo ao núcleo do sistema?

E será que o aceitarão como diretor-executivo de uma instituição política formal?

McAuliffe acredita que deixou intacta a estrutura para que Dean arrecade US$ 1 bilhão para as eleições de 2008. McAuliffe deixou ainda para o seu sucessor uma sede remodelada e um estúdio de teledifusão novo em folha.

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