Estrelas do Grammy brilham por Ray Charles

Ken Barnes

Robert Hanashiro/USA Today

Rapper Kanye West canta a multi-indicada "Jesus Walks" na festa da premiação
Os Grammys realmente não pararam de adorar Ray Charles domingo (13/02) à noite em Los Angeles. O ultimo álbum do falecido titã do Rhytm&Blues/Jazz, "Genius Loves Company", já havia arrebatado seis prêmios antes da transmissão pela rede CBS, e mais tarde ainda conquistou os prestigiosos troféus de álbum do ano e gravação do ano (esse pelo dueto com Norah Jones, "Here We Go Again").

O show atingiu um grande momento logo no início, com um tributo ao astro, vivido por Jamie Foxx (que interpretou Charles no filme "Ray"), o grande amigo de Ray, maestro Quincy Jones, e a cantora Alicia Keys.

A platéia veio abaixo com a versão deles para "Georgia on My Mind". Bonnie Raitt e Billy Preston também saudaram Ray Charles.

Alicia Keys foi outra força dominante na noite --levou quatro prêmios, dominando nas categorias de R&B em que estava indicada. Parceiro dela no dueto "My Boo", gravação que conquistou o prêmio de vocal de grupo/duo em R&B, o cantor Usher levou outros dois prêmios: melhor colaboração cantada em rap (por "Yeah") e melhor álbum contemporâneo de R&B por "Confessions").

Norah Jones também ganhou três prêmios, duas pelo dueto com Ray Charles.

Outro com três prêmios foi o U2, pela canção "Vertigo"(o álbum que contém essa canção, "How to Dismantle an Atomic Bomb", só sera elegível para os Grammys do ano que vem). Prince e John Mayer estão entre os artistas que venceram em duas categorias.

O artista mais indicado do ano, o rapper Kanye West, recebeu dois prêmios por composições suas, assim como o troféu de melhor álbum de rap, mas perdeu em todas as "quatro grandes" categorias em que concorria(álbum, gravação, canção --para Mayer-- e novo artista, para o grupo Maroon 5).

Aconteceram vários momentos emocionantes durante a transmissão. O próprio desempenho de Kanye West em sua multi-indicada canção "Jesus Walks" foi apaixonado e espetacular.

O U2 proporcionou outro emocionante destaque, no final de uma suave interpretação de "Sometimes You Can't Make It on Your Own", que o vocalista Bono dedicou ao seu falecido pai, Bob Hewson. Quando Bono intercalou a canção com um trecho de "No Regrets" de Tom Rush, o vocalista visivelmente se emocionou.

Melissa Etheridge (agora sem cabelos devido a um tratamento contra câncer) e Joss Stone se excederam num tributo a Janis Joplin.

Já duas autênticas extravaganzas com vários intérpretes mostraram muita voltagem multiestelar, mas nem tanta emoção pura. Bono, Stevie Wonder, Norah Jones, Steven Tyler, Tim McGraw, Brian Wilson, Alicia Keys e outros reviveram o estilo "We Are the World", com uma versão para "Across the Universe", dos Beatles.

Essa performance está disponível para download nos iTunes, com renda que seguirá em benefício da campanha da Cruz Vermelha de ajuda às vítimas do tsunami.

Gwen Stefani, Los Lonely Boys, Franz Ferdinand e Maroon 5 se reuniram num ambicioso número de abertura, atacando com "Let's Get It Started" ("Vamos Começar") dos Black Eyed Peas.

O prêmio informal de apresentação de maior buchicho foi para o número dos recém-enamorados Jennifer Lopez e Marc Anthony, pela primeira vez cantando juntos, num dueto em espanhol na canção "Escapemonos (Let's Escape)".

Outro prêmio que gerou momento emocionante aconteceu quando o produtor Jack White (dos White Stripes) recebeu o prêmio de melhor álbum country, em homenagem a falecida cantora Loretta Lyn. White se referiu à Lynn de "um tesouro americano".

Outro destaque num encontro de gerações: Usher e James Brown trocando passos de dança em "Sex Machine".

O ex-líder dos Beach Boys Brian Wilson recebeu o primeiro Grammy da vida dele, na categoria rock instrumental. Rod Stewart também conquistou o seu primeiro prêmio, numa carreira de quatro décadas, pelo terceiro volume de sua série de standards "Great American Songbook", que dessa vez finalmente levou o prêmio de pop tradicional.

Brian Wilson e Rod Stewart agora estão um Grammy atrás de ninguém menos que o ex-presidente Bill Clinton, um artista, digamos, menos badalado na indústria fonográfica. A leitura de Clinton para o audiobook de sua autobiografia, "My Life", deu a ele o segundo Grammy por gravações faladas.

Mas a presença dominante na cerimônia foi mesmo Ray Charles. Ed Thacker, engenheiro de gravação no último álbum de Ray, dizia nos bastidores: "Ele era um cara realmente positivo e de boa vibração... ele não parecia querer dizer 'Esse é o meu canto de cisne'".

E Norah Jones falou: "Bem, Deus abençoe Ray Charles. Foi mesmo uma honra que tive quando o encontrei...e poder vê-lo cantar bem de pertinho". Músico morto em 2004 foi homenageado pela edição 2005 do evento Marcelo Godoy

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