Novos filmes destacam os conselheiros amorosos

Por Sharon Jayson

David Coleman vê muitos paralelos entre o personagem de Will Smith no novo filme "Hitch, Conselheiro Amoroso" e a própria carreira dele de consultor para romances.

Coleman diz que vem se denominando "O Doutor dos Romances" desde 1985. Os nova-iorquinos da nova ficção cinematográfica chamam o personagem Alex "Hitch" Hitchens de "Conselheiro Amoroso."

"Estou orgulhoso em ver que ele retrata bem o que faço na vida real", diz Coleman, 43 anos, que vive na cidade de Loveland, no estado de Ohio.

Ao contrário do recluso Hitch, Coleman e vários outros conselheiros em todo o país estão felizes ao ver destacado seu ofício, exercido por profissionais que ganham bem para analisar os erros de relacionamento dos outros.

Isso é bom para o negócio, diz a conselheira residente em Chicago Patti
Feinstein, que se considera "a treinadora de romances da América." Ela diz que o número de acessos ao seu site triplicou na semana passada, o que ela atribui ao lançamento do filme com Will Smith.

O filme, sobre um conselheiro que estimula homens desajeitados nos romances a cortejar as mulheres de seus sonhos, já estabeleceu um recorde de melhor faturamento num final de semana de estréia entre as comédias românticas.

"No mínimo irá despertar maior atenção sobre o que nós fazemos", diz a
conselheira. Alguns Hitches da vida real se consideram "treinadores de romances"; outros são "especialistas em namoros" ou "conselheiros amorosos."

Mas todos compartilham a mesma idéia: a de apresentar uma abordagem pessoal para resolver os problemas de relacionamento amoroso de seus clientes. A maioria dos clientes da vida real quer que seus tutores amorosos os ajudem, quando encontram novas pessoas, e também nos casos de coração partido.

Apesar de uma aparentemente infinita série de livros de conselhos para
romances, despejando dicas e regras, das invenções como o namoro a jato e da atual abundancia de sites de namoro online, algumas pessoas se dispõem a pagar o dinheiro solicitado por esses treinadores.

Pelos conselhos pessoais ou personalizados ao cliente, a tabela é salgada - U$ 45 (cerca de R$ 120) por um e-mail, até U$ 250 por uma consulta telefônica e até U$ 1.500 por encontros pessoais com um conselheiro por um determinado período de tempo.

Alguns profissionais chegam a comparecer secretamente ao encontro e a
filmá-lo, para depois mostrarem ao cliente onde é que eles erraram. Outros seguem a abordagem do personagem Hitch e até fazem acompanhamento pessoal, com dicas para frases espirituosas na ida ao supermercado ou em outras missões com os clientes.

David Wygant, de Seattle, se considera um agente de encontros e tutor de
imagem pessoal, também dando dicas de vestuário e do que fazer ou não nos
encontros. Wygant, 42 anos, também promove festas para que seus clientes
façam a rede de contatos. Por U$ 10 mil (cerca de R$ 27 mil), ele passa um final de semana com o cliente e garante atendimento 24 horas, nos sete dias da semana, espalhando sua sabedoria ao longo de um período de três meses.

"Eu acredito firmemente que é preciso conhecer profundamente alguém, para
ser capaz de ajudá-lo e vendê-lo como atraente para o sexo oposto", diz
Wygant, que distribui conselhos num novo livro, "Always Talk to Strangers" ("Sempre Fale com Estranhos").

Sue Kim, 32 anos, procurou um conselheiro porque não conseguiu estabelecer relação séria com ninguém nos últimos sete anos.

"Eu estava realmente no cio e não sabia por onde começar", diz Kim, que
trabalha no mercado financeiro em Nova York. Ela adotou o conselho de Jeff Cohen, de encarar os encontros de forma mais séria.

"Encontrar alguém antigamente era mais na linha 'Se rolar, rolou, e a partir daí a coisa flui'", ela diz. "Ele me fez perceber que se você está aberta para um relacionamento e está mesmo a fim, você precisa adotar certos passos e ações para conquistar o objetivo."

O conselheiro Cohen, residente em Nova Jersey, diz que ele mesmo foi seu
próprio primeiro cliente. Depois que tramou um procedimento sistemático, ele foi convidado para 77 encontros "às escuras", três viagens ao Club Med, ganhou um cartão dourado de associado num serviço de encontros e fez cinco viagens de verão às praias com grupos de solteiros, até encontrar a mulher que é sua esposa hás dois anos, no encontro de número 78.

Os gurus de relacionamento dizem que profissionais bem educados e bem
sucedidos no trabalho, mas que não encontraram o mesmo sucesso em sua vida pessoal, parecem ser os mais necessitados de conselhos. Gente como Allyson Heumann, 30 anos, corretora de opções no mercado financeiro de Chicago.

"Eu ia a vários encontros, mas não conseguia realmente me dar bem", ela diz. "Não tinha problemas em encontrar interessados, mas nenhum dos encontros se transformava em relacionamento."

A conselheira Gail Prince, de Evanston, Illinois, trabalha com solteiros há cerca de 20 anos. Ela diz que um grande problema é a ansiedade por encontros que se segue a uma separação dolorosa.

"Nesses casos, a primeira lição de casa que lhes dou é dizer que parem com os encontros", diz a conselheira. "Eles estão buscando namoro pelos motivos errados e do jeito errado."

Angelo Cacciatore, 44 anos, programador de computadores em Nova York, tinha o problema oposto. Ele diz que não saía muito para os encontros, até chegar a procurar um conselheiro.

"Eu me sentia desnorteado nesse mundo aí fora", diz Angelo. Menos de um ano depois, já está namorando e a moça já está se mudando para a casa dele.

Essa mesma incerteza levou Kevin Bisch, 32 anos e solteiro, a escrever o
roteiro para o filme "Hitch, Conselheiro Amoroso":

"Uma vez me encontrei com uma garota e me enrolei todo. Mal conseguia
acreditar como tinha fracassado . Foi aí que a idéia e o desejo de contratar um conselheiro começaram a martelar na minha cabeça."

A semelhança entre a carreira do personagem e a de David Coleman - inclusive uma reação alérgica parecida com a que aparece numa cena de "Hitch" - interessou tanto ao conselheiro que ele e a Sony Pictures chegaram a um acordo para que David promova o filme em suas turnês de palestras. O estúdio lhe forneceu o trailer do filme para ser exibido antes das palestras, sendo que depois Coleman ainda autografa centenas de posters cedidos pela Sony.

"Esse é o Hitch de Hollywood, e eu sou o cara verdadeiro", diz Coleman no
início das palestras. "O que você vê nesse filme é o que eu faço todos os
dias."

Especialistas e alguns conselhos gratuitos

Observar três áreas distintas irá lhe ajudar a estabelecer um plano.
Primeiro olhe para você e pare com a auto-sabotagem, para que consiga
enxergar o que está lhe travando nos relacionamentos amorosos. Olhe para o
seu ambiente e para as pessoas com quem você sai ou para as que você
encontra; estabeleça o tempo que você precisa para sair e encontrar novas
pessoas. E observe suas práticas de namoro; primeiro namore só por namorar, sem sair logo firmando compromissos.

- Lisa Altalida, de São Francisco

Não espere que alguém chegue para curar você. Pode parecer piegas, mas o
negócio é amar a si mesmo, gostar de si e ter uma boa vida, com alguém para
complementar a sua vida.

- Sherry Amatenstein, de Nova York

Faça uma lista com seus cinco amigos mais próximos e os familiares de
relacionamento mais próximo. Descreva por escrito como elas conheceram seus atuais parceiros. Assim você irá encontrar cinco técnicas de encontros que você sabe que já deram certo, e que deram certo para pessoas de quem você gosta.

- Jeff Cohen, de Ridgewood, Nova Jersey

A pessoa que menos investe num relacionamento tem todo o controle numa
relação. Nunca confunda paixão com amor.

- David Coleman, de Loveland, Ohio

Encare os encontros como um esporte. Se você encarar como um esporte em vez de casamento ou relacionamento, você chegará mais longe, e de maneira mais rápida. Isso é ter um bom desempenho nos romances.

- Patti Feinstein, de Chicago

Não vá para cama nem dê exclusividade a ninguém até completar um mês. Se for com muita sede ao pote, serão grandes as possibilidades de separação em um mês ou mês e meio. Devagar é melhor.

- John Fergus, de San Luis Obispo, Califórnia

Reduz o ritmo e se dê conta de quem você é e do que é importante para você. Algumas pessoas nunca se analisam, e vão de um mau relacionamento para outro sem nunca parar para observar o que dá sempre errado.

- Gail Prince, de Evanston, Illinois

Sempre se mostre disponível, sorrindo e dizendo olá para as pessoas. As
pessoas percebem e se sentem atraídas por pessoas amigáveis que se tornam
abordáveis. Tente conhecer as pessoas nas lojas de sua vizinhança. Essas
lojas podem funcionar como um autêntico quebra-gelo. Marcelo Godoy

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