Maioria de estudantes norte-americanos trabalha

Sharon Jayson

Alunos do último ano do ensino médio nos Estados Unidos não estão necessariamente esperando tranqüilos a faculdade, de acordo com um novo estudo que sugere que muitos têm empregos, em geral para comprar as coisas que querem.

De 2.184 alunos entrevistados, 56% tinham empregos em 2000 e 2002, nos últimos meses de seu último ano escolar, segundo um estudo da Universidade de Washington, divulgado na segunda-feira (21/02).

Para cada 10 alunos que não trabalhavam, dois trabalhavam 15 horas por semana ou menos, e quatro, mais do que 15 horas por semana, segundo os dados.

"O consumo parece ser a causa provável para trabalharem. É uma forma de ganharem uma renda extra. Eles têm uma idéia das coisas que querem comprar", diz a pesquisadora Irina Voloshin, estudante de doutorado em sociologia que observou que o fenômeno acontecia mais entre os alunos de classe média.

O estudo, apresentando em uma reunião da Associação Americana para o Avanço da Ciência em Washington, D.C., não indagou os motivos de cada um.

Voloshin disse que os resultados do estudo na região Noroeste são consistentes com os das pesquisas nacionais.

Allison Schall, 17 anos, cursa o último ano escolar em Marietta, Geórgia. Ela trabalha de 15 a 20 horas por semana, em um restaurante do bairro. "Trabalho para ter dinheiro para meus hobbies, interesses que meus pais não necessariamente querem patrocinar", disse ela. Além de pagar suas aulas de saxofone, ela comprou um sax e está adquirindo um piano.

Voloshin vê a mão-de-obra estudantil como "uma tendência significativa" de padrão de emprego, resultante, em grande parte, da mudança para uma economia de serviços, que conta com funcionários de baixo custo, pouca educação e freqüentemente temporários.

Mais de 70% dos alunos empregados entrevistados pelo estudo trabalhavam em lugares típicos de adolescentes, como restaurantes, lanchonetes e lojas.

O impacto do trabalho para os alunos do ensino médio foi assunto de muito debate. Pesquisadores da Universidade de Minnesota concluíram, em 2003, que os alunos que trabalhavam 20 horas por semana ou menos tinham maior autoconfiança, capacidade de gerenciamento de tempo e sucesso acadêmico.

Muitos estudos demonstraram que trabalhar mais de 20 horas por semana tem um efeito negativo nos estudos, disse Voloshin.

Mas os riscos são diferentes para quem está no último ano, diz Mike Cohen, presidente da Achieve Inc., organização sem fins lucrativos que prepara alunos para a faculdade.

No último ano, "em muitos casos, eles já foram admitidos pelas faculdades --certamente já enviaram suas inscrições", diz ele.

"A escola ficou muito mais leve, então eles têm mais tempo", acrescentou ela. Segundo pesquisa, empregos podem prejudicar rendimento escolar Deborah Weinberg

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