Robin Williams é voz sem imagem em 'Robôs'

Susan Wloszczyna

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    Houve um momento em que Robin Williams estava tão onipresente quanto hoje em dia está Jude Law, o rapaz da moda ironizado no Oscar. Williams parecia nadar num mar de sentimentalismos, como em "Patch Adams" e "O Homem Bicentenário". Aí ele saiu um pouco de cena e limpou sua alma artística interpretando tipos sinistros, como em "Retratos de uma Obsessão" ("One Hour Photo"), e criminosos ("Insônia").

    "Hoje em dia recebo dos fãs um tipo de correspondência diferente", diz o ator pelo telefone, enquanto se recupera de um resfriado em casa, em São Francisco.

    Esse ano, o novo objetivo do impulsivo e hiperativo comediante parece ser o de bater o recorde de comparecimento às cerimônias de prêmios. Primeiro, aceitou a premiação nos Globos de Ouro por suas realizações na carreira, aos 53 anos, idade nem tão apropriada assim para um prêmio como esse. Depois soltou umas piadas à la "Sideways" em outra cerimônia, a dos Independent Spirit Awards.

    Em seguida se superou ao roubar a cena, e a expectativa de controvérsia, do apresentador Chris Rock, protestando contra a censura que lhe impuseram em relação a piadas que ele planejava fazer sobre a polêmica do Bob Esponja, entrando em cena com fita-crepe colada na boca.

    "Chegamos a pensar em usar um colarinho de impacto, mas não deu tempo", diz Williams, que até preparou letras para um gospel onde dizia que "Olívia Palito é mesmo anoréxica, e Gasparzinho está na Ku Klux Klan."

    Em vez disso, teve que usar umas piadinhas mais seguras, porque "quando o que está em jogo é uma rede de televisão se preocupando quanto a uma multa de meio milhão de dólares, aí já viu né ... 'Eu vi um seio!' pode significar um escândalo" (numa alusão ao caso Janet Jackson).

    Onde com certeza Williams não será visto é em seu próximo filme, "Robôs", animação que estréia na próxima sexta-feira (11/3) nos Estados Unidos. Em vez disso, você ouvirá bastante aquele humor cheio de tiques acelerados, que lembra vítimas da síndrome de Tourette --isso irá se manifestar em piadas sobre um boêmio espanhol de Castela e sobre uma Britney Spears travesti, no trabalho de Williams para compor vocalmente o personagem Fender.

    "Ele é um robô atrapalhado", diz o ator sobre a geringonça ambulante feita de ferro velho que mostra os truques da cidade grande ao ingênuo herói Rodney (com a voz de Ewan McGregor).

    Eles começam a andar juntos, e também com outros tipos marginalizados, para enfrentar uma trama corporativa que quer tornar obsoleta sua raça.

    Segundo Williams, é "sobre os robô-ricos e os robô-pobres". A comédia animada por efeitos eletrônicos, produzida pelos realizadores de "A Era do Gelo", é o primeiro desenho interpretado por Williams desde 1992, quando ele realizou os desejos da platéia como um gênio cheio de formas diferentes em "Aladim", da Disney.

    Para o diretor de "Robôs", Chris Wedge, Williams, o rei do improviso, foi uma escolha perfeita: "É só trazer um roteiro, colocar na frente dele e sair de fininho da cabine para ver o que ele é capaz de fazer".

    E por que ele levou 13 anos até voltar ao gênero?

    "É porque ninguém me ofereceu nada. Eles acharam que eu poderia esnobar a proposta", diz Williams, numa referência à polêmica com a Disney depois que o estúdio quebrou a promessa de não usar a voz dele na promoção de produtos criados a partir de "Aladim".

    Já em "Robôs", "no que diz respeito aos produtos, eles terão que usar outros personagens. Acertamos antecipadamente que 'assim será o jogo'".

    E Williams já tem outro trabalho vocal para desenhos, interpretando um trio de pingüins e um leão marinho em "Happy Feet", com lançamento previsto para 2006. Ele não se importaria em dublar outros personagens o tempo todo.

    "Eu poderia ser Mel Blanc. Aliás, poderia estar aqui, e pedalar bicicletas e de vez em quando aparecer na Pixar." Após várias comédias de sucesso, o ator vem diversificando papéis Marcelo Godoy
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