Coração feliz faz bem para o corpo, diz pesquisa

Marilyn Elias
Em Vancouver, Canadá

Um estudo recém-divulgado conclui que bons relacionamentos e um senso de propósito na vida podem ajudar as mulheres com mais de 60 anos a combater doenças cardíacas, artrites e outros males, por meio da redução da inflamação que causa essas doenças.

Por outro lado, sintomas de má saúde mental, tais como depressão, ansiedade e hostilidade, podem aumentar as inflamações malignas, conforme sugere outro estudo. Os dois estudos foram divulgados na semana passada aqui em Vancouver, num encontro da Sociedade Americana Psicosomática.

Segundo o primeiro estudo, quanto mais positivos as mulheres consideravam que eram os seus relacionamentos, mais baixos eram os níveis delas de interleukina-6, uma proteína que é criada pela inflamação e que também causa inflamação, segundo o psicólogo da Universidade de Wisconsin, Elliot Friedman. E quanto mais as mulheres sentiam que suas vidas tinham um propósito, o sangue delas apresentava menos receptividade às proteínas malignas, segundo Friedman.

O psicólogo estudou o comportamento de 135 mulheres com idade variando entre 61 a 91 anos, todas com estado de saúde relativamente bom. Depois de levar em conta fatores tais como doenças, medicações e peso, que poderiam afetar os níveis de interleukina, ainda assim ele encontrou uma forte conexão entre a sensação de bem estar e níveis mais baixos dessa proteína prejudicial.

Conforme os adultos envelhecem, aumenta o nível deles de interleukina-6, "portanto é importante saber se há algo que poderemos fazer para abaixá-lo", diz o psicólogo. Mulheres mais felizes têm níveis mais baixos do hormônio cortisol, que regula o estresse, e isso pode ser associado à menor presença dessa proteína.

Além disso, bons relacionamentos podem melhorar o sono, e o bom sono tem sido associado a um menor teor da interleukina-6.

Ambas as explicações são plausíveis, diz Gregory Miller, psicólogo da Universidade da Columbia Britânica, que estudou a ligação entre depressão e a interleukina. "Se o que ele está sugerindo é verdadeiro, isso teria grandes e importantes implicações para a saúde", diz Miller.

Mas Miller acredita que pelo menos algumas das inflamações podem ser causadas por doenças comuns em adultos mais velhos mas que ainda não se manifestaram, e esse fato pode ter sido desconsiderado nos estudos. Por exemplo, ataques cardíacos e derrames acontecem subitamente, mas podem levar alguns anos se desenvolvendo.

"Sua aparência pode ser saudável, mas suas artérias já estão se retraindo, e há menos sangue indo para o cérebro, o que poderá afetar seu bem estar", diz Miller.

Sendo assim, pessoas mais felizes e que se sentem mais úteis podem se beneficiar do fato de terem menos inflamações causadas por doenças, em vez de o seu próprio bem estar agir no sentido de reduzir as moléculas prejudiciais. "É uma questão do tipo 'o-ovo-ou-a-galinha' que poderá ser respondida apenas em estudos realizados dentro de um prazo maior", diz Miller.

Quanto ao lado sombrio e negativo da saúde mental, um estudo que rastreou o comportamento de 331 adultos saudáveis durante três anos concluiu que altos índices de depressão, ansiedade e hostilidade, manifestados logo no início da pesquisa, deram origem a níveis mais altos de interleukina-6 nesse período trienal.

Quanto mais as pessoas se mostravam deprimidas, ansiosas e hostis, mais subia o nível dessa proteína, segundo Jesse Stewart, psicólogo na Universidade de Utah.

Adultos preocupados podem produzir mais hormônios cortisol geradores de estresse. A curto prazo, o cortisol reduz a inflamação, mas há algumas provas de que níveis altamente crônicos desses hormônios tornam seus receptores menos sensíveis com o passar do tempo. Aí já não mais absorvem o cortisol, o que pode provocar a inflamação aguda.

"Estamos começando a entender como a depressão pode penetrar no corpo para influenciar a saúde cardíaca, e uma dessas formas malignas pode ser com a inflamação que causa ataques do coração", conclui Jesse Stewart. Bons relacionamentos e sentido para a vida evitam inflamações Marcelo Godoy

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