Blogs políticos devem ter regras de transparência

Chuck Raasch
Colunista politico
Em Eashington

O comediante George Burns disse uma vez que é uma pena que todas as pessoas que sabem como administrar o país estão ocupadas, dirigindo táxis ou cortando cabelos. Esse grupo agora conta com a companhia dos bloggers do nosso admirável mundo novo.

Para os que não sabem o que é isso, ou não estão muito familiarizados com os blogs --cerca de três entre cada quatro americanos, de acordo com a última pesquisa USA Today/CNN/Gallup --os bloggers são as pessoas que publicam suas opiniões freqüentemente pela Internet em sites pessoais, comumente chamados de weblogs.

A pessoa em questão pode ser um repórter, editor, divulgador, comentarista, espalhador de rumores, um mentiroso, contador de verdades, averiguador da realidade, propagandista e organizador --tudo isso ao clicar algumas teclas. A blogosfera é a cacofonia da democracia em tempo real-- com alguns blogs brilhantes, outros mundanos, alguns difamatórios ou alguns simplesmente idiotas.

O número de bloggers explodiu nos últimos dois anos, e agora pela primeira vez esse grupo causou impacto numa eleição. Em 2004, os bloggers conseguiram colocar em dúvida a veracidade da matéria da CBS, agora desacreditada, sobre o serviço militar do presidente Bush na Guarda Nacional, que manchou os meses finais de Dan Rather na rede de televisão.

Os bloggers estavam na folha de pagamento do senador John Thune, republicano do Estado da Dakota do Sul, quando ele desafiou com sucesso o ex-líder da minoria democrata no Senado, Tom Daschle, no ano passado.

Eles atacaram o maior jornal do Estado, o "Sioux Falls Argus Leader" (que pertence ao grupo Gannett, proprietário de vários jornais, entre eles o USA Today), numa pouco sutil tentativa de influenciar a cobertura do jornal a favor de Thune --uma tática que, segundo os editores do Argus Leader, não funcionou.

Thune desprezou o efeito causado por seus "funcionários" bloggers numa entrevista recente para Larry Bovins, do Gannett News Service. Mas ao mesmo tempo ele sugeriu que os republicanos devem empregar bloggers em campanhas futuras.

Alguns estrategistas envolvidos nas campanhas nacionais do ano passado dizem que essa prática de políticos pagando a bloggers foi mais utilizada do que chegou a ser revelado.

Mas se você está esperando por uma cantilena anti-blog, feita por um jornalista formado e batizado pela mídia tradicional, não é aqui que encontrará.

Tom Paine era um blogger. Jefferson e Franklin escreveram tantas cartas durante e depois da revolução que, consideremos, eles também eram bloggers. Tudo o que exercita e faz alongar o músculo da Primeira Emenda é bom para a democracia a longo prazo.

Além disso, o gênio já está mesmo fora da garrafa. A Casa Branca concedeu esse mês o credenciamento de mídia para seu primeiro blogger --um ex-assessor de imprensa do candidato à indicação democrata em 2004 Howard Dean. Num recente encontro da Conferência da Ação Política Conservadora, pôde-se notar uma fileira inteira formada por laptops de bloggers.

Os "guardiões do portão" da "Velha Mídia" --redes de televisão e jornais-- estão se enfraquecendo. Uma reportagem cuidadosamente apurada, que pode levar semanas ou meses até ser editada, agora pode ser "furada" por rumores pela Internet ou dissecada na blogosfera, onde as regras de veracidade são frouxas ou, como alguns dizem, não-existentes. Cada vez mais, os que põem a mão na massa na Velha Mídia se pegam checando a veracidade de fatos, opiniões, rumores e distorções que circulam pela Internet.

Essas mudanças deveriam abalar qualquer um. Se a informação é poder na era da Internet, então a desinformação tem um potencial de arma de destruição em massa. O mesmo veículo que democratiza a opinião e que desafia a concentração da mídia também serve para propagar a pornografia infantil e mostra terroristas decapitando suas vítimas em tempo real. É como diz o físico Paul Ginsparg: "O problema com a aldeia global é que há aqueles idiotas que são aldeões globais."

Qual a solução?

Bem, os bloggers são independentes por definição, e sendo assim qualquer conversa no sentido de se criar um código explícito de ética provavelmente não irá funcionar, pelo menos não da maneira praticada por organizações da Velha Mídia, como os jornais.

Os blogs podem ser que nem o Velho Oeste. Mas mesmo naquela fronteira, havia códigos não-escritos. Era considerado um ato covarde atirar num homem pelas costas ou agir atrás de uma máscara.

Por que não um código para os bloggers, baseado na transparência e no sentido de justiça?

Se você tem um blog e é pago por um político, por uma corporação ou por um grupo de interesses, seus leitores têm o direito de saber que essa é a sua regra.

Se você usa um apelido e ataca alguém conhecido pelo nome verdadeiro, ou se você perpetra ataques pessoais, você está violando regras básicas de justiça e decência.

E não é isso o que os bloggers querem --um choque de justiça para todos? Ferramenta é boa para a democracia, mas precisa de ajustes Marcelo Godoy

UOL Cursos Online

Todos os cursos