Os intrépidos donuts sobrevivem a todas as modas e a todas as dietas

Shawn Sell

Alguém quer donuts?

Claro que você quer um, talvez dois, se eles estiverem quentinhos. O fato é que os Estados Unidos são uma nação de comilões caramelados, que consomem por ano 10 bilhões de donuts --o que equivale a US$ 2 bilhões (equivalente a R$ 5,6 bilhões) produzidos a partir de massa de farinha.

Na verdade, as lojas de donuts serviram cerca de 150 milhões de pessoas a mais em 2004 que em 2003, de acordo com pesquisas encomendadas por indústrias alimentícias.

"Não há grande mistério nisso", diz Sally Levitt Steinberg, autora de "The Donut Book: The Whole Story in Words, Pictures & Outrageous Tales" (O Livro do Donut: Toda a História em Palavras, Imagens & Histórias Incríveis - Storey Publishing, US$ 14,95). "Todo mundo gosta de bolos doces e fritos."

A obsessão do país pelos donuts é culpa do avô de Sally, Adolph Levitt, também conhecido como "O Rei do Donut', que inventou a máquina de donuts depois de passar algum tempo fritando bolos em panelas, no Harlem, em Nova York.

"Todo mundo tem uma história com donuts, sobre o primeiro, ou sobre o melhor, que já comeram", diz Sally, ao explicar porque escreveu o livro. "Não se encontra esse tipo de compromisso e paixão, por exemplo, com tortas-merengues de limão."

Aqui a autora desmistifica o donut, num papo com o USA Today.

USA Today - A que se deve o apelo tão duradouro dos donuts?

Sally Levitt Steinberg
: A resposta não está no sabor deles; está na forma. O círculo é mesmo uma forma universal, e o donut tem um grande apelo em termos físicos e metafóricos. Claro que há donuts que não tem formas de círculos, os bolinhos de chuva ou "fritters" na verdade até são donuts, mas não os encaixamos nessa categoria. O donut está numa categoria própria, e transcende o mero apelo alimentar.

USA Today - Você pode explicar o aumento do consumo, numa época em que tantas pessoas estão tentando comer alimentos mais saudáveis e limitar o consumo de gorduras e carboidratos? Por que o donut segue adiante, imune às dietas?

Sally Levitt Steinberg
: Os donuts funcionam como uma pausa, estão à parte das considerações dietéticas. Não são fibras essenciais, são mero prazer. E às vezes, estando ou não em dieta, você simplesmente precisa comer um donut.

USA Today - As máquinas de donuts produzem doces melhores que os donuts feitos à mão?

Steinberg
: Não, não são melhores, mas a máquina de donut é mais eficiente no que diz respeito à padronização dos produtos e à quantidade. Meu avô não conseguia dar conta de produzir tudo o que precisava à mão, então ele descobriu um jeito de produzí-los em série. Ainda assim, os donuts mais gostosos são feitos à mão. E os donuts quentes agora estão na moda. Vale lembrar que as frituras, especialmente com a massa de farinha, são saborosas quando estão aquecidas, porque a gordura se torna pesada quando fria ou gelada.

USA Today - Os padeiros domésticos podem comprar máquinas de donuts?

Steinberg
: Podem sim. Há uma empresa chamada Lil' Orbits (lilorbits.com), que oferece equipamento para a produção dos doces, como frigideiras e lâminas especiais que podem ser usadas junto com a máquina que produz a mistura especial, corta a massa e faz o furo, mergulha o donut no óleo, frita e que depois coloca o doce na esteira rolante da fábrica.

USA Today - Você diz em seu livro que os donuts exigem cuidados nos detalhes, umidade perfeita e temperaturas adequadas, para se virar o doce na frigideira e fritar o outro lado. Será que os cozinheiros domésticos têm chance de acertar esse ponto certo para o donut?

Steinberg
: É bem difícil, eu mesmo nem tento. Meus filhos e meu marido tentaram uma vez, e o resultado foi uma "caca". Naqueles tempos de antigamente nas pradarias americanas, as mulheres cozinhavam e assavam, tão freqüentemente e tantas vezes, que ficaram ótimas nisso. Fritar donuts no óleo vegetal tem os seus macetes (os mais velhos usam banha de porco), porque a massa ao mesmo tempo que é delicada, precisa absorver muitas substâncias.

USA Today - De maneira geral, qual é o seu tipo favorito de donut?

Steinberg
: Eu adoro aqueles caramelados e cheios de fermento, desde que não tenha muito açúcar. É fácil encontrar bons donuts. Mas, de qualquer forma, se puder encontrar um belo bolo de donuts, será uma experiência incrível e maravilhosa.

USA Today - Há polêmicas sobre a origem do buraco no centro do donut. Há uma resposta definitiva para esse mistério?

Steinberg
: Há muitas histórias. Nos anos quarenta chegou a surgir um grande debate: Teria o capitão de um baleeiro grudado um tanto de massa de farinha no timão de seu barco para criar o tal buraco? Ou teria sido um índio americano que fez um buraco de donut a partir da mão de uma daquelas pioneiras brancas? Só sei que o buraco já está ali no meio do donut há muito tempo, e há evidências em pinturas antigas de que havia bolos arredondados com buracos no meio em pleno século 17. Nos Estados Unidos, há registros de donuts com um buraco no meio desde o século 19.

Agora algumas curiosidades, para beliscar

  • Os donuts são os doces de padaria número 1 dos Estados Unidos. No ramo das panificadoras, só perdem mesmo para os pães.

  • Os donuts simples ou puros têm de 200 a 250 calorias; com coberturas, recheios ou congelados, já sobem para a faixa das 400 às 500 calorias.

  • Os donuts contém de 15% a 25% de gordura. Donuts em forma de bolo contêm 15% de açúcar; os fermentados contém apenas 3% de gordura.

  • Donut mais popular: fermentado, com recheio de mel (caramelado), ganha a posição número 1; o de chocolate ocupa a segunda colocação.

  • Mulheres que produziram donuts para os soldados durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial eram conhecidas como as "garotas-donuts". E os "rapazes-donuts", claro, eram os que comiam os doces. Eram tantos os donuts consumidos pelos soldados naquele tempo que os doces passaram a ser considerados como um dos principais suprimentos de guerra.

  • Os economistas dizem até que o tamanho dos donuts refletiam a condição geral da economia. Nos tempos difíceis, o buraco ficava maior...

    Fonte: de Sally Levitt Steinberg, o "The Donut Book: The Whole Story in Words, Pictures & Outrageous Tales" (O Livro do Donut: Toda a História em Palavras, Imagens & Histórias Incríveis) Neta do inventor da máquina de donut conta a história do doce Marcelo Godoy
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