Empréstimos para minorias têm juros mais altos

Sue Kirchhoff
Em Washington

Mulheres, minorias e pessoas de baixa renda dependem de empresas de empréstimo "subprime" --firmas especializadas em empréstimos com juros mais elevados, geralmente para pessoas com mau histórico de crédito. As minorias constituem uma parcela desproporcional no total de hipotecas e empréstimos para refinanciamento.

Um novo estudo envolvendo 331 áreas metropolitanas dos Estados Unidos, usando dados federais de 2003, mostrou que as mulheres apresentavam maior probabilidade de fazer empréstimos subprime, em vez dos empréstimos com as taxas padrão do mercado, em todas elas.

Os empréstimos subprime apresentaram predominância entre os negros em 98,5% das áreas metropolitanas, enquanto os latinos se mostraram mais propensos a terem uma hipoteca ou um empréstimo para refinanciamento subprime em quase 89,1%, segundo a Coalizão Nacional da Comunidade de Reinvestimento (NCRC), uma organização sem fins lucrativos concentrada em empréstimo e questões de desenvolvimento da comunidade.

As pessoas de baixa renda também se voltam para os emprestadores subprime em grande número, enquanto os emprestadores tradicionais ficam atrás do setor subprime no atendimento àqueles com renda 80% ou menos abaixo da média de sua área, em cerca de 86% das cidades estudadas. Em bairros com concentração de lares de baixa renda, este número sobe para 98%.

Um especialista do setor disse que as diferenças nos padrões de empréstimo não provam por si só discriminação, mas sim poderiam mostrar diferenças na avaliação de crédito ou o fato dos emprestadores subprime estarem buscando atender faixas da população mais difíceis de serem atendidas. Dados habitacionais federais não traçam tais fatores financeiros como avaliação de crédito e renda, que são chaves para empréstimos.

"Não surpreende tanto que, pelo menos nas áreas metropolitanas, você tenha altas concentrações de afro-americanos e latinos fazendo empréstimos subprime (...) Os afro-americanos e latinos como grupo estão em posição economicamente desvantajosa", disse Wright Andrews, um advogado que representa a Coalizão para Empréstimo Justo e Acessível, um grupo de emprestadores subprime.

As diferenças nos padrões de empréstimo podem ser acentuadas. Em Macon, Geórgia, emprestadores tradicionais concederam 13,7% de empréstimos para os negros, em comparação a 59,3% concedidos pelos emprestadores subprime. As 25 áreas com maior diferença em empréstimo para negros ficavam no Sul.

Em Salinas, Califórnia, cerca de 58% dos empréstimos por firmas subprime foram concedidos a latinos, em comparação a 25,5% por emprestadores tradicionais, segundo dados coletados segundo a lei federal para revelação de hipotecas habitacionais.

Joshua Silver, vice-presidente para política e pesquisa da NCRC, disse que uma das partes surpreendentes do estudo foi quão geograficamente amplo é o padrão de empréstimo.

"As disparidades eram particularmente ruins em áreas metropolitanas de médio porte, onde há muitos afro-americanos. Para os latinos, foi no Sul e no Oeste", disse Silver.

Nos últimos anos, a indústria de hipotecas subprime expandiu mais rapidamente do que o setor tradicional, enquanto os índices de aquisição de imóveis por minorias cresciam.

Autoridades do governo e do setor bancário disseram que isto mostra que os emprestadores subprime atenderam a uma necessidade legítima. Mas tem ocorrido um aumento do empréstimo predatório --empréstimos caros que os devedores não têm como realisticamente pagar-- com dezenas de Estados aprovando leis para coibi-lo.

O estudo da NCRC surge no momento em que o Congresso se prepara para o possível debate de um projeto de lei para estabelecer normas nacionais para o empréstimo predatório. O setor subprime também está se preparando para dados habitacionais de 2004, incluindo o preço dos empréstimos.

O relatório da NCRC encontrou que a segregação brancos/negros aumentou nos bairros, assim como as disparidades. Das 331 áreas metropolitanas, 22% apresentavam uma diferença de 15 pontos percentuais ou mais em empréstimos subprime versus tradicionais para negros.

Em Florence, Carolina do Sul, os emprestadores tradicionais realizaram 10,3% de seus empréstimos para negros, enquanto as firmas subprime realizaram 54,3%. Em Saint Cloud, Minnesota, os emprestadores tradicionais fizeram 0,3% dos empréstimos para negros, enquanto os subprime fizeram 1,1%. Pesquisa de organização financeira apura se existe discriminação George El Khouri Andolfato

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