Cientistas lutam para defender teoria da evolução

Dan Vergano e Greg Toppo

Entre os professores de ciência que participaram de uma pesquisa de âmbito nacional, quase um terço disse que se sente pressionado para incluir idéias relacionadas ao criacionismo na sala de aula.

E uma alarmada comunidade científica está contra-atacando em defesa do ensino da teoria da evolução.

"Escrevo a vocês neste momento devido a uma crescente ameaça ao ensino da ciência", disse em uma carta a colegas, em 4 de março, Bruce Alberts, diretor da Academia Nacional de Ciências. Ele pediu aos membros da academia que confrontem os desafios crescentes ao ensino da evolução nas escolas públicas. Os principais cientistas do país pertencem à academia.

O apelo de Alberts ocorre no momento em que a Associação Nacional de Professores de Ciência se prepara para divulgar a pesquisa na reunião do grupo em 31 de março. "Os professores estão sob ataque a todo momento e precisam de apoio dos cientistas", afirma.

Gerry Wheler, diretor-executivo da associação, disse que a carta foi "um bom chamado às armas" dirigido aos cientistas. "Espero que isso dê aos professores a energia para garantir que defenderão o ensino da ciência de alta qualidade".

Para a maior parte dos cientistas, a evolução é definida como mudanças nos genes que levam ao desenvolvimento das espécies. Eles vêem isso como uma base fundamental da biologia.

Criacionismo é a crença em que as espécies têm origem divina. Uma outra alternativa à evolução chama-se "desenho inteligente". Os seus defensores acreditam que certas estruturas celulares são muito complexas para terem evoluído com o passar do tempo.

Alberts reclama que os criacionistas, sob a camuflagem da teoria do desenho inteligente, tentaram retirar a teoria da evolução dos textos escolares e salas de aula em 40 Estados. O mais recente problema ocorre no Kansas [Estado no interior dos EUA], onde a chapa que disputará a direção de uma escola pública em 5 de abril tem um candidato que defende o ensino do desenho inteligente nas aulas de ciência.

Só muito raramente a academia se envolveu em disputas com escolas devido à teoria da evolução, para não aparecer que está "se intrometendo" em assuntos locais, diz Alberts. "Mas agora um dos fundamentos da ciência moderna está sendo negligenciado ou simplesmente banido das aulas de ciência em várias partes dos Estados Unidos", adverte.

"A minha primeira reação foi achar que estamos presenciando evidências de pânico entre os porta-vozes oficiais da ciência", diz Stephen Meyer, do Instituto Discovery, com sede em Seattle. Segundo ele, Alberts está errado. Meyer garante que a teoria do desenho inteligente não é criacionismo, mas sim uma abordagem científica mais flexível do que a teoria da evolução de Charles Darwin.

Os biólogos respondem que qualquer dado reproduzível validando o desenho inteligente seria bem recebido pelos jornais de ciência. "Se houvesse realmente falhas profundas em partes da biologia evolucionária, então os cientistas seriam os primeiros a atacá-la", explica Jeffrey Palmer, da Universidade de Indiana em Bloomington.

Meyer argumenta que lideranças científicas como Alberts bloqueiam uma análise justa das alternativas à teoria da evolução. "Há poderosas convenções institucionais e sistemáticas na ciência que impedem que o desenho inteligente seja considerado um processo científico", acusa.

"Isso é bobagem! Os textos sobre desenho inteligente não são publicados porque não se baseiam em nenhum dado científico", rebate Barbara Forrest, da Universidade do Sudeste da Louisiana, em Hammond. Ela é co-autora do livro "Creationism's Trojan Horse: The Wedge of Intelligent Design" ("O Cavalo de Tróia do Criacionismo: A Cunha do Desenho Inteligente").

Na sua carta, Alberts critica o bioquímico Michael Behe, da Universidade Lehigh, um dos principais defensores do desenho inteligente, afirmando que ele é um representante da "tática comum" de apresentar os comentários dos cientistas de forma distorcida a fim de lançar dúvidas sobre a evolução.

Behe diz que isso é "ultrajante", e afirma que simplesmente observa que até mesmo os cientistas tradicionais reconhecem a complexidade das estruturas biológicas.

Susan Spath, do Centro Nacional de Educação de Ciência, um grupo sem fins lucrativos que defende a teoria da evolução, afirma: "Os proponentes da teoria da evolução precisam trabalhar juntos e de maneira mais preventiva para que eduquemos o povo quanto a essas questões. O nosso consolo é que isso pode ser uma oportunidade para elevarmos a compreensão pública a respeito da ciência". Eles são pressionados a adotar o criacionismo, de base religiosa Danilo Fonseca

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