Sony terá que suspender vendas do PlayStation

Michelle Kessler
Em São Francisco, Califórnia

Uma batalha envolvendo os controles ou joysticks que emitem vibrações nos videogames chegou a esse ponto --um tribunal da Califórnia intimou a Sony a parar de vender o sistema do game PlayStation nos Estados Unidos.

Mas os fãs do Gran Turismo e de outros games não precisam se preocupar. O PlayStation e o PlayStation 2 permanecerão nas prateleiras, enquanto correm os recursos sobre o processo de patentes. E há uma boa possibilidade de que a Sony leve a melhor ou entre num acordo, como dizem analistas da indústria de alta tecnologia.

Essa indústria "high tech" é conhecida por suas disputas prolongadas a respeito da propriedade intelectual de seus produtos --e esse processo, que já dura três anos, é um exemplo perfeito, dizem esses analistas.

Quem está processando a Sony é uma pequena empresa baseada em San Jose, Califórnia, a Immersion. Essa empresa produz a tecnologia que está por trás dos controles que vibram e geram ações nas telas dos vídeo games. A Immersion declara que apresentou sua tecnologia a Sony, para depois ver a Sony desenvolver seus próprios controles. A Immersion quer os royalties, e a Sony não quer pagar.

Na semana passada, um juiz encerrou sua decisão contra a Sony, intimando a empresa a pagar a Immersion US$ 91 milhões (equivalente a cerca de R$ 255 milhões), e a parar de vender os PlayStations nos Estados Unidos até o encerramento do processo.

Decisões como essa "geralmente são derrubadas", diz o analista de tecnologia junto ao The Envisioneering Group, Richard Doherty. Instâncias jurídicas inferiores geralmente tomam o partido dos queixosos em processos envolvendo patentes, porque esses tribunais regionais não têm conhecimento especializado para compreender a tecnologia envolvida nesses produtos, diz o analista.

Espera-se que o processo ainda se arraste em apelações, o que ainda levará de 12 a 18 meses, declara a Immersion. Por sua vez, a Sony informa que não emite comentários a respeitos de processos pendentes.

O futuro da Immersion depende desse resultado. Essa empresa produz outras formas de tecnologias moto-sensitivas, conhecidas como tecnologias táteis, e as vende a fabricantes de automóveis e à indústria médica, entre outros clientes.

Mas o setor de games é mesmo a sua "galinha de ovos de ouro". O acordo de US$ 91 milhões seria cerca de três vezes maior que os US$ 24 milhões arrecadados pela Immersion segundo relatórios de 2004, quando a empresa teve perdas de US$ 21 milhões.

"Esse tem sido um período difícil para a Immersion", diz o presidente da empresa, Victor Viegas. "O maior usuário de nossa tecnologia não nos pagou royalties, e ainda tivemos que pagar despesas relativas a processos."

A vitória da Immersion no tribunal aconteceu na semana passada, mas a empresa divulgou essa notícia nesta segunda-feira (28/03), para obter a melhor divulgação possível, diz Viegas. As ações da empresa subiram 10%, fechando em Nova York a U$ 6,30.

Mas as ações da Sony negociadas em Nova York fecharam ao mesmo preço de sua abertura nessa segunda-feira, a US$ 41,16, num sinal de que os investidores não estão assim tão preocupados com a possibilidade de os PlayStations sumirem das prateleiras.

A Immersion já venceu antes nos tribunais. Quando a Immersion abriu o processo contra a Sony em 2002, também processou a Microsoft, fabricante do sistema de vídeo games Xbox. A Microsoft fez um acordo em 2003, pelo qual pagaria US$ 26 milhões e também concederia empréstimos a Immersion.

Viegas diz que a Sony deveria ter que pagar mais, pelo fato de deter maior participação no mercado. Se, por um lado, o presidente da Immersion está satisfeito com a decisão do tribunal, por outro acredita que US$ 91 milhões não são suficientes, segundo o próprio Viegas.

A Immersion normalmente recebe royalties de cerca de 5% sobre os sistemas de videogames, e a Sony paga apenas 1,4%, diz Viegas.

O presidente da Immersion provavelmente defenderá esse ponto de vista enquanto o processo corre nos tribunais. Se isso ocorrer, será algo irônico, já que essa tal tecnologia tátil que emite vibrações não têm sido um grande sucesso.

"Os editores de games estão utilizando essa tecnologia cada vez menos", diz o analista de games junto à empresa de pesquisas DFC Intelligence, David Cole. "Parecia ser melhor do que realmente é agora." Motivo é batalha judicial sobre a propriedade intlectual do joystick Marcelo Godoy

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