Obesidade reduz progresso nos indicadores de bem-estar da juventude

Greg Toppo

Apesar das reduções no uso de drogas, álcool e tabaco e dos índices mais baixos de maternidade entre adolescentes e de criminalidade juvenil, o bem-estar geral da juventude (americana) não chega a ser muito melhor do que era há uns 30 anos.

E isso se deve em grande parte à obesidade infantil, de acordo com um relatório lançado nesta quinta-feira (31/03) por uma fundação filantrópica baseada em Nova York.

Pesquisadores da Duke University descobriram que, apesar do progresso registrado em diversas áreas fundamentais, alguns poucos indicadores importantes pioraram, tais como obesidade e pobreza na infância.

Enquanto isso, a porcentagem de jovens adultos com diploma universitário teve apenas um pequeno aumento, de 1975 a 2003.

A última versão do Índice Anual do Bem-Estar Infantil utiliza informações oficiais de 2003 para definir 28 indicadores, alguns dos quais projetados para 2004.

Kenneth Land, professor de estudos demográficos em Duke e organizador do estudo, diz que os maiores cuidados dispensados pelos pais baby boomers (atualmente na meia idade) provavelmente ajudaram a reduzir fatores de risco tais como crime juvenil e o uso de drogas, álcool e tabaco pelos adolescentes.

"Acho que é uma hipótese razoável dizer que os pais têm sido bem mais atentos à educação das crianças que talvez seus próprios antecessores tenham sido", diz Land.

Outro fator, segundo o pesquisador da Duke, é que os jovens de hoje em dia são mais inclinados a viver a vida com sentido de equipe do que seus pais foram, e também mais afeitos a aceitar a autoridade, e assim seriam menos propensos à rebeldia por meio do consumo de drogas ou da prática de crimes.

Mas o pesquisador alerta que dois fatores importantes que reduziram a criminalidade nos anos 90 --a pujança da economia nacional durante a Era Clinton e um programa federal que colocou milhares de policiais nas ruas-- já não estão mais garantidos.

A obesidade infantil mais que triplicou de 1975 a 2004 e também neutralizou outros avanços, segundo Kenneth Land. O índice de obesidade infantil aumentou de pouco mais de 5% para estimados 16,7%.

E a educação é "uma das áreas em que ainda temos trabalho pela frente", diz Fasaha Traylor, gerente de programas senior da Fundação para o Desenvolvimento Infantil, que patrocina esse estudo anual da Duke.

"Os Estados Unidos podem fazer melhor, e devem fazer melhor." Embora não tenha chegado ao ponto de criticar as escolas pelos pequenos avanços, Traylor diz que a educação "tem sido surpreendentemente resistente" às melhorias; as habilidades básicas e a porcentagem de jovens com diploma universitário aumentaram apenas ligeiramente.

Traylor recomenda que haja maior investimento em programas para crianças em idade pré-escolar, e que esses sejam coordenados com os programas do ensino fundamental. Esforços como esses "serão recompensados mais adiante".

Jay Greene, pesquisador de educação no Manhattan Institute que relatou conclusões semelhantes em setembro, como parte do que chamou de "indicador de capacidade de aprendizagem" dos estudantes americanos, diz que os dados relatados pela Duke University são parecidos com os que ele mesmo obteve.

Mas Greene não acredita que os maiores índices de obesidade afetem o progresso na diminuição da mortalidade infantil e em outras áreas.

Greene observa, por exemplo, que as reduções no uso de tintas plúmbicas (à base de chumbo) no meio ambiente assim como o uso mais disseminado de assentos específicos para as crianças nos automóveis e capacetes nas bicicletas levaram a quedas significativas no retardamento mental e na incidência de ferimentos mais graves registrados na infância.

"Por que esses avanços seriam menos importantes que as perdas relativas à obesidade?", pergunta Greene. Jovens consomem menos drogas, mas são mais obesos, diz estudo Marcelo Godoy

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