Agenda republicana perde apoio, aponta pesquisa

Susan Page
Em Washington

A polêmica sobre Terri Schiavo levantou dúvidas entre muitos americanos a respeito da agenda moral do Partido Republicano e sobre o poder dos cristãos conservadores, revela nova pesquisa do USA Today/CNN/Gallup.

Nessa pesquisa, a maioria dos americanos reprova os esforços empreendidos pelo presidente Bush e pelo Congresso para envolver os tribunais federais na disputa sobre o tratamento dispensado à mulher da Flórida, que vivia com lesão cerebral. Ela morreu na semana passada.

Esse assunto tão emocional aparentemente ajudou a reverter alguns velhos estereótipos sobre os dois partidos:

  • Por 55% a 40%, os entrevistados dizem que os republicanos, tradicionalmente o partido que prega o governo limitado, estão "tentando usar o governo federal para interferir nas vidas privadas da maioria dos americanos" no que diz respeito aos valores morais;

  • Por 53% a 40%, os entrevistados dizem que os democratas, algumas vezes punidos por integrarem o partido do "governo grande", não estão tentando interferir em questões morais.

    Mark Rozell, professor na George Mason University que estuda religião e política, diz que o caso Schiavo criou um "evidente retrocesso".

    "Uma coisa é encarar os conservadores religiosos como parte de uma ampla coalizão que compõe o Partido Republicano", diz Rozell. "Uma situação totalmente diferente acontece se as pessoas percebem os conservadores religiosos controlando o governo Bush no que era uma situação profundamente pessoal."

    Mas Patrick Mahoney, diretor da Coalizão de Defesa Cristã, diz que uma pesquisa nacional encomendada pelo grupo dele mostra que houve amplo apoio aos que tentaram estender a vida de Terri, quando o assunto é colocado "no contexto mais amplo da proteção dos direitos dos deficientes".

    Mahoney se encontrou com congressistas nesta terça-feira (5/4), como parte de um esforço para influenciar o legislativo, buscando o estabelecimento de "orientações nítidas" em situações similares.

    Na pesquisa realizada entre sexta-feira e sábado passados, o índice de aprovação do desempenho de Bush no cargo de presidente é de 48%, três pontos percentuais acima do que estava em meados de março. Mas quanto às características pessoais, como credibilidade, Bush é apoiado por um grupo maior, pela maioria dos americanos.

    Já quanto à condução do caso Schiavo, o comportamento de Bush é rejeitado pelos americanos, por 53% contra 34%. A conduta do Congresso no caso Schiavo é ainda mais criticada pelos entrevistados: 76% contra 20%.

    Numa proporção maior que a de dois-para-um, por 39% contra 18%, os americanos dizem que no governo Bush a "direita religiosa" tem influência demais, e não influência de menos. É uma mudança em relação ao período entre 2001 e 2003, quando a mesma pergunta foi feita nas pesquisas "CBS News/The New York Times".

    Naquela essa época, houve praticamente um empate entre os que achavam que os cristãos conservadores detinham influência demais e influência de menos.

    Wendy Wright, do Grupo de Mulheres Inquietas para a América, acredita que as perguntas utilizadas na pesquisa usam linguagem enganadora e "inflamatória". Em enquete, público diz que a direita religiosa tem poder demais Marcelo Godoy
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