Revelação sexual agita "Desperate Housewives"

William Keck
Em Universal City, Califórnia

Quando o criador de "Desperate Housewives", Marc Cherry, contou à sua mãe que era gay, em seu 31º aniversário, ela o olhou e disse: "Eu o amaria mesmo que você fosse um assassino." No próximo episódio de "Housewives", Bree Van De Kamp (Marcia Cross) faz a mesma declaração de duplo sentido ao filho adolescente Andrew (Shawn Pyfrom), que se revelou aos pais no episódio da semana passada.

A série é apresentada no Brasil às 21h das quintas-feiras e às 22h dos domingos no canal pago Sony.

Cross, 43, e Pyfrom, 18, são muito mais próximos que seus personagens, que passam a maior parte do tempo em conflito. (Ele a chama de "Mama Marcia"; ela o chama de "meu menino"). Os dois se sentaram no escritório da produção do programa para discutir as ramificações da bomba de Andrew --a mais recente a abalar o clã mais sexualmente surpreendente da televisão.

"Minha filha é uma vadia, meu marido é um pervertido e meu filho é gay --perfeito!"

Disse Cross aos amigos em um jantar, depois de ser informada do mais recente evento no roteiro. (Episódios anteriores mostraram que o marido de Bree, Rex, era masoquista e a filha Danielle estava pensando em perder a virgindade.)

Na vida real, Pyfrom namora a aspirante a atriz Eliana Reyes, 17, há um ano. Cross confirma que namora Tom Mahoney desde janeiro. Ele não é, como apareceu na mídia, um ator de 57 anos, e sim um administrador de bens de 47 anos. "Sou muito feliz", disse ela. (Provavelmente isso não será suficiente para impedir os rumores de homossexualidade que circularam em fevereiro, negados por Cross em "The View".)

Na família de Cross, há membros gays, inclusive seu tio que, com seu companheiro, fundou o Coro de Homens Gays de L.A. Ela se lembra de ver seus pais "aceitando a homossexualidade na família. Eventualmente, torna-se ok".

No início dos anos 90, Cross entrou como voluntária para uma clínica de Aids do hospital Cedars Sinai, onde encontrou muitas Brees da vida real, que acreditavam que seus filhos moribundos iam para o inferno. No programa de domingo, Bree, batista do Sul, repetirá duas frases de condenação religiosa da mãe de Cherry: "A palavra não é 'gay', é 'sodomita'!" e "Você não vai para o céu!"

"Dá para entender por que Bree luta para salvá-lo", explica Cross, que é católica e não tem as opiniões de sua personagem. "Ela teme não estar com ele no céu. É muito complexo. Sei que ela o ama incondicionalmente, mas levará algum tempo para mudar suas crenças. Talvez seja uma lição de tolerância."

Cherry pôde ouvir as duras palavras de sua mãe com humor e empatia, pois já tinha mais de 30 anos. Mas Andrew, a quem Cherry descreve como um "sociopata narcisista", vai passar por uma "fase muito mais tenebrosa" e usar sua sexualidade para torturar Bree.

Cherry adverte que Andrew não deve ser considerado um exemplo. Diz o autor: "O que ele vai fazer no outono para se vingar da mãe é muito desagradável."

Pyfrom concorda: "Essa história mostra (aos jovens homossexuais) o que não fazer."

Coincidentemente, Cross já fez papel de vilã homossexual, uma lésbica assassina em um episódio de "Quantum Leap" de 1990.

Será que essas representações negativas podem causar danos à aceitação dos homossexuais? Um grupo que acompanha a mídia, Aliança de Gays e Lésbicas Contra a Difamação, acha que não.

"É uma novela. Talvez não haja lugar melhor para se ter um personagem como Andrew, que está se descobrindo. Esperamos que continue sendo complexo e multifacetado como todos os outros em Wisteria Lane", disse a diretora executiva do grupo, Joan Garry.

E como Cross reagiria se um dia se tornasse mãe de um filho gay? "Não ia dar a mínima", disse ela. "Será sorte minha ter um filho. Que essa criança seja o que quiser." "Minha filha é vadia, meu marido é pervertido e o meu filho é gay" Deborah Weinberg

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