Cresce a disputa entre xiitas e sunitas no Iraque

Jim Michaels e Rick Jervis
Em Bagdá, Iraque

A Assembléia Nacional do Iraque, dominada pelos muçulmanos xiitas, adiou novamente a nomeação do Gabinete nesta segunda-feira (18/04), em meio a uma crescente disputa política entre os xiitas e os sunitas.

A disputa está centrada na resposta do governo interino aos relatos de uma crise ao sul de Bagdá, onde líderes xiitas alegam que terroristas sunitas fizeram reféns. Os líderes xiitas também dizem que querem remover membros do ex-Partido Baath do governo, que era predominantemente sunita, de posições de poder nos ministérios da Defesa e Interior.

Jalal Al Saqheer, um membro da aliança xiita de maioria na Assembléia, disse que várias pessoas que ocupam cargos de segurança terão que ser substituídas. Ele alegou que alguns membros do Partido Baath vazaram informações para os rebeldes.

Al Saqheer disse que não planeja promover um expurgo nos ministérios do governo. "Trata-se apenas dos bons e dos maus", disse Al Saqheer, que falou durante uma pausa na sessão da Assembléia Nacional. "Não se trata de sunitas e xiitas."

Os líderes xiitas, incluindo o primeiro-ministro nomeado Ibrahim Al Jaafari, assumiram o governo prometendo trabalhar com os líderes sunitas. Mas a intensificação da retórica xiita --como os comentários de Al Saqheer-- está aumentando os temores de que o governo recém-eleito do Iraque antagonizará os sunitas, que formam a espinha dorsal da insurreição, e prolongará a violência.

"Eles estão amolando suas facas em ambos os lados da divisão", disse Sabah Khadim, um funcionário do Ministério do Interior. "A divisão está aumentando."

Importantes sunitas pediram pelo boicote das eleições de 30 de janeiro. Como resultado, eles estão sub-representados na nova Assembléia Nacional. Mas Al Jaafari e outros prometeram dar a eles um papel no governo. "Nós contávamos com um impulso após as eleições", disse Khadim. "É um passo para trás."

Em um viagem ao Iraque na semana passada, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, alertou as autoridades iraquianas contra o expurgo nos ministérios da Defesa e Interior, que estão liderando o esforço contra-insurreição. Tal medida poderia reverter os sucessos obtidos contra os militantes e reduzir a eficácia das forças de segurança.

Khadim disse que os Estados Unidos deveriam se envolver mais para impedir o expurgo. "Fora a visita de Rumsfeld, os americanos não têm pressionado nada", disse ele.

Al Saqheer desprezou as preocupações americanas. "O sr. Rumsfeld está desinformado sobre o que está acontecendo dentro das agências de segurança e quais são nossas intenções", disse ele.

A disputa em torno da aldeia de Madain, a cerca de 24 quilômetros a sudeste da capital, trouxe à tona a crescente tensão. Os líderes xiitas, que alegam que militantes sunitas fizeram xiitas de reféns na aldeia, exigiram uma intervenção do governo interino. Autoridades sunitas e do governo alegaram que os relatos são exagerados.

O xeque Abdul Salam Al Kubaisi, um membro da Associação dos Sábios Muçulmanos, um grupo sunita, disse que os relatos de seqüestro são "infundados".

Human Hamoudi, um legislador xiita que apoiava a intervenção do governo, disse que ela era digna de atenção. "Eu peço a todos aqueles que negam a tomada de reféns em Madain para irem até lá e verem o esconderijo e o que as forças de segurança descobriram", disse Hamoudi.

Vários batalhões iraquianos foram enviados para a cidade. Qassim Dawoud, o ministro interino da segurança nacional, disse que soldados do governo prenderam sete militantes. Mas os relatos de que mais de 100 pessoas eram mantidas reféns provaram ser infundados. "Não havia nenhum combate, nenhum refém", disse Khadim. Choques fazem Assembléia Nacional adiar a formação do Gabinete George El Khouri Andolfato

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