Criador de "Star Wars" ajuda convenção a celebrar último filme da série

Cesar G. Soriano
Em Indianápolis

O círculo agora está completo.

Ty Greenlees/Cox News Service

Fã vai a caráter para conferência de admiradores da série "Star Wars"
Em 19 de maio, George Lucas, o criador de "Star Wars" (Guerra nas Estrelas), lançará o último filme de sua "space opera", "Episódio 3: A Vingança dos Sith". O filme concluirá uma jornada de 28 anos de Lucas, que teve início com um filme de ficção científica de baixo orçamento que, de lá para cá, se transformou em um fenômeno da cultura pop mundial.

Para marcar a ocasião, mais de 30 mil fãs de toda a galáxia se reuniram aqui no último fim de semana para a Celebration 3, a maior convenção de "Star Wars" já realizada. Por US$ 110 pelo ingresso para os quatro dias, era a hora de fazer algazarra como um wookiee e celebrar a saga.

"O fenômeno todo começou com os fãs", disse Lucas para uma multidão no sábado, em sua primeira aparição em uma convenção oficial de "Star Wars" e sua primeira em convenção de fãs em 18 anos.

"Quando fizemos o primeiro 'Star Wars' (em 1977), nós fizemos um esforço para promovê-lo em convenções de ficção científica e deixar todos cientes de que estávamos fazendo esta 'space opera' (ópera espacial). E foi por causa deste esforço para ter apelo primeiro aos fãs que permitiu que o filme fosse um imenso sucesso."

Então foi aqui, diante de sua legião de fãs, que Lucas fez o anúncio de que "Star Wars" continuará, na tela pequena.

Lucas deu sinal verde para duas séries de televisão de "Star Wars". A primeira será uma série de animação em 3D de meia hora baseada nos populares curtas "Clone Wars" do Cartoon Network.

O segundo e mais ambicioso projeto envolverá uma série com atores. Ele quer que ela seja semelhante à série "As Aventuras do Jovem Indiana Jones", que ele produziu em 1992. Lucas planeja filmar toda a primeira temporada de uma só vez, com o início das filmagens previsto para daqui um ano. Lucas disse que preparará a série, mas depois planeja se afastar e passar para outros projetos.

Lucas também planeja remasterizar todos os filmes em 3D. O primeiro filme deverá ser lançado em 2007, o 30º aniversário de "Star Wars".

O homem quieto e privado é um paradoxo para o fenômeno mundial que criou. Mas Lucas disse aos fãs que finalmente aceitou ser conhecido como "George 'Star Wars' Lucas. (...) Eu fico surpreso por ter tido tamanho efeito sobre tantas pessoas ao redor do mundo".

O fã britânico Justin Hutchinson, 34 anos, reservou seu vôo no dia em que Lucas anunciou que estaria presente. "Os fãs de 'Star Wars' são os fãs mais fanáticos do mundo", disse ele. "Esqueça 'Jornada nas Estrelas'."

Fãs como nenhum outro

Fantasias são uma constante em todos os encontros de "Star Wars".

Elas variam de trajes e assessórios autênticos, com qualidade de cinema, até criativos e excêntricos. Ken Tarleton, 33 anos, de Modesto, Califórnia, era um soldado Elvis do império, completo com anéis dourados espalhafatosos.

Lori Sartre, uma designer de 34 anos de Boston, costurou duas fantasias para sua viagem: um vestido branco com padrões retangulares azuis, a la R2D2, e outro vestido a partir das antigas cortinas "Star Wars" dos anos 70. "Você não vai querer ir à festa do Oscar com um vestido igual aos das outras", disse Sartre.

A devoção de alguns fãs é mais profunda que a de outros.

O nova-iorquino Luis Ramos, 29 anos, tem uma cena de batalha de "Star Wars" tatuada em seu peito. "Eu tenho uma paixão pelo filme e me interessei por tatuagens por meio do rock 'n' roll. O passo lógico seguinte era combinar as duas", disse Ramos.

Outro fã de música, o baixista Tim Raether, 25 anos, e seus companheiros de banda combinaram sua paixão pela música com "Star Wars" e ganharam uma viagem com todas as despesas pagas para a convenção, cortesia de George Lucas, após persuadirem a Lucasfilm a contratar a banda para tocar nas festas de abertura e encerramento.

A Mt. San Jacinto College-Menifee (Califórnia) Jazz Ensemble, de 12 membros, tocou uma mistura da música de John Williams com títulos como "Imperial Funk" e "Star Wars Salsa".

E havia o Pallet, de Massachusetts, tocando versões heavy metal de "Star Wars", completas com um Darth Vader batendo cabeça. Mas os freqüentadores da convenção disseram que é mais do que um filme, é um movimento.

"Para mim, não se trata apenas de 'Star Wars'; é sobre encontrar um grupo no qual você se encaixa, onde não tem que se preocupar em ser chamado de 'geek' (bitolado)", disse Kathy Johnson, 25 anos. Ela conheceu seu marido, Albin Johnson, em uma convenção. Eles se casaram há seis meses.

Albin Johnson, 36 anos, de Colúmbia, Carolina do Sul, é o fundador da 501st Legion, um dos maiores fan clubs de "Star Wars", com mais de 3 mil membros. Quando sua filha de um casamento anterior, Katie, 6 anos, foi diagnosticada com uma forma rara de câncer no outono passado, a 501st rapidamente se mobilizou.

Mais de 1.000 pessoas --alguns homens vestindo fantasias de soldado do império acompanhadas por tietes com minissaias-- participaram de uma festa para levantar dinheiro para o tratamento dela. Johnson disse que Katie está melhorando.

Ninguém conhece a devoção dos fãs melhor do Steve Sansweet, chefe de relações com os fãs da Lucasfilm. O ex-repórter do "Wall Street Journal" construiu um museu "Star Wars" de 460 metros quadrados em um barracão de sua propriedade.

"Os fãs de 'Star Wars' tem um sentimento de propriedade de 'Star Wars'. Este é o motivo de você ver fãs aguardando seis semanas em uma fila para a estréia do filme, mesmo se não for no cinema certo", disse ele, se referindo aos fãs que acamparam em frente ao Grauman's Chinese Theatre em Hollywood, que não planeja exibir "Sith". "Eles estão loucos? Não. Se trata de compartilhar uma experiência com outros fãs de 'StarWars'."

A Força para comprar está conosco

Os fãs passaram o fim de semana brincando, aprendendo e comprando. Os aficionados em robótica podiam aprender a construir um dróide. Um grupo de teatro de Los Angeles apresentou sua comédia, "A Trilogia Star Wars em 30 Minutos".

Jogadores testavam os mais recentes videogames. Pretensos cavaleiros jedi aprendiam algumas técnicas do sabre de luz no Centro de Treinamento do Jovem Jedi --e os empregavam quando Lorde Vader interrompia a aula.

Mas de longe, as salas mais populares eram os dois salões imensos de produtos, um vendendo souvenires da Celebration, e um maior onde vendedores vendiam badulaques novos e antigos.

Os produtos de "Star Wars" já renderam US$ 9 bilhões até o momento --mais desde a convenção. Os produtos variavam de bonecos de US$ 5 até uma máquina de pipoca de US$ 1.100.

Na sexta-feira, um quase tumulto aconteceu enquanto os fãs que esperavam para entrar na Loja Star Wars foram avisados de seu fechamento, uma hora após sua abertura, devido à dificuldade para manter os itens em estoque.

O item mais procurado era um boneco de Vader de US$ 15. As compras eram limitadas a quatro Vaders por pessoa, mas fãs empresariais estavam revendendo os bonecos por US$ 100 cada para outros que aguardavam na fila.

"Há algo assustador em homens adultos aguardando na fila a noite toda para comprar brinquedos de 'Star Wars' com os quais nem mesmo vão brincar ou tirar da embalagem", brincou David Ireland, 30 anos, de Columbus, Ohio.

Ele e sua esposa, Christina, 34 anos, gastaram cerca de US$ 4 mil nos quatro dias do fim de semana, grande parte disto em souvenires e itens de colecionador.

História universal

No final de cada noite, muitos fãs se congregavam em festas e bares próximos do centro de convenções, como o bar Ram, que foi transformado no quartel-general da 501st Legion até o cardápio, exibindo itens como Boba Fettuccini, batizado segundo o mercenário Boba Fett do filme.

Sentado no bar, o reservista do Exército, Brian Jones, 29 anos, de Florence, Kentucky, disse que passava suas horas de folga no Iraque assistindo aos filmes "Star Wars" em DVDs que comprou na PX. Outros fãs no bar vieram da França, Japão, Inglaterra, Alemanha, México e Austrália, representando o apelo global da Celebration.

A certa altura durante a convenção, o ator britânico Warwick Davis, que interpretou o ewok Wicket em "O Retorno de Jedi", se maravilhou com o alcance de "Star Wars". "Parece um encontro de cúpula internacional", disse ele.

O motivo, ele acrescentou: "É uma história que todo mundo pode entender: bem contra o mal". A atriz chinesa Bai Ling, que interpreta a misteriosa senadora Bana Breemu em "Sith", foi ainda mais longe: "'Star Wars' é como religião. As pessoas precisam de esperança e algo belo no qual se agarrar e compartilhar". E Lucas, ela disse, é prova de que "uma pessoa pode mudar o mundo (...) fazer as pessoas se unirem para dar amor e compaixão umas às outras".

Warwick disse: "Você pode imaginar? Tudo isto é resultado de uma pequena faísca naquele cérebro de George Lucas". "O fenômeno todo começou com os fãs", diz o diretor George Lucas George El Khouri Andolfato

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