Atrizes de "Desperate Housewives" concluem gravações e reclamam da exposição

William Keck
Em Universal City, Califórnia

Eva Longoria, a Gabrielle sempre na moda de "Desperate Housewives", caminha determinada na direção de um campo de futebol, de salto alto, para uma cena de confronto que deve ir ao ar no final da temporada, sucesso do horário nobre, no dia 22 de maio. A série é apresentada no Brasil no canal pago Sony, às 21h das quintas-feiras e às 22h de domingo.

É o último dia de filmagem no Universal Studios, e o criador da série Marc Cherry está chegando em um carro de golfe, para uma de suas raras aparições no set.

Caminhando rapidamente, o autor de 43 anos reclama do sistema de irrigação do gramado e depois pede à Longoria que exagere na fúria que está expressando contra Jesse Metcalfe, que faz o papel de seu jardineiro sexy --e possivelmente o pai de seu filho não nascido.

Diante de sua gravidez de paternidade incerta, um marido que está indo para a prisão e um amante jardineiro que ganha US$ 50 (em torno de R$ 125) por gramado, Gabrielle está mais desesperada do que nunca.

Mas Cherry e seu harém de atrizes de 40 anos não estão desesperados.

"Foi um bom primeiro ano", diz Cherry, modestamente. Dias antes ele pegou as chaves de sua nova casa --uma mansão no Vale San Fernando, em uma rua em nada diferente da Wisteria Lane do programa, que vale, diz ele, "muito mais que meu apartamento".

A série de sucesso da ABC estreou em outubro com altos índices de popularidade e continuou vencendo vários prêmios Golden Globe, People's Choice e Screen Actors Guild. Com apenas sete meses, a exporssão "donas-de-casa em desespero" passou de tal forma para a cultura americana que a primeira-dama Laura Bush brincou no último final de semana dizendo que era uma.

"Foi um ano de incrível diversão, excitação, seções de fotografia intermináveis, entrevistas e publicidade", reflete Longoria, sentada em uma arquibancada ao lado do amigo Metcalfe.

Poucos dias antes, as quatro "Housewives" --Longoria, Marcia Cross (Bree), Teri Hatcher (Susan) e Felicity Huffman (Lynette)-- tinham terminado sua última cena juntas, aconchegadas em um sofá de hospital.

"Foi uma cena pesada", disse Hatcher, no telefone de Nova York, onde está julgando curtas no Festival de Cinema Tribeca. "Houve um reconhecimento muito genuíno e profundo do fato que nós quatro como equipe apreciamos a aventura que tivemos nessa temporada e estamos felizes de termos sobrevivido juntas."

Isso não quer dizer que não houve tempo para risadas. As quatro mulheres pegaram pistolas de brinquedo e viraram um ventilador para seu cabelo para fazer uma brincadeira espontânea com as "Panteras". "É claro que rimos e caímos no chão", disse Huffman.

Pouco depois, Huffman e Longoria começaram o que Huffman chama de sua "J. Lo dance", enquanto Hatcher filmava a brincadeira com sua câmera de alta definição. "Então", contou Longoria, "finalmente expiramos, soltamos um enorme suspiro e dissemos: 'Conseguimos'".

Bem, quase.

Agora vem o desafio assombroso de terminar a temporada de forma satisfatória, que também prepare o terreno para a segunda temporada. Os próximos três episódios cruciais mostrarão os eventos que levaram Mary Alice Young a atirar em si mesma no programa inicial, introduzirão uma nova dona-de-casa com um grande mistério e ameaçarão o futuro de vários personagens.

"A forma que isso tudo fecha no final desta temporada é tão fantástica", diz Cross, em pé debaixo de uma sombra no campo de futebol, com um chapéu para proteger sua pele de porcelana.

Mas, para a próxima temporada, há uma preocupação genuína em manter a imagem de que essas atrizes são tão próximas quanto suas personagens na televisão. Essa noção foi questionada pela capa da Vanity Fair de maio, que expôs problemas internos em uma sessão de fotos do elenco, resultando em egos machucados e ressentimentos. Para colocar o incidente para trás, as principais atrizes vêm oferecendo expressões de boa fé, enquanto se despedem para o intervalo do verão.

Hatcher rompeu o gelo chegando ao set há três semanas com cestas contendo bolo de banana feito em casa e champanhe para cada uma das moças. Cross passou os últimos dias comprando presentes de despedida ("coisas atraentes e cheirosas como velas") para suas colegas. Longoria vem criando uma colagem ("de nosso ano incrível") para cada uma das mulheres. Brenda Strong (Mary Alice) deu para Hatcher, Cross, Longoria e Huffman braceletes contendo fotos de seus rostos.

E, para acabar com os rumores do tablóide de briga com Hatcher, Nicollette Sheridan (Edie) está pensando em pedir a ela que seja dama de honra em seu casamento: "Somos próximas", diz Sheridan.

Segundo Cherry, o artigo da Vanity Fair "verdadeiramente não reflete como as nossas meninas se tratam".

"Pode ser danoso ao conjunto", diz Longoria, que se juntou às outras para dar uma festa de agradecimento para a equipe. "O que realmente (me irritou) sobre a Vanity Fair é que era uma discussão entre nós e a revista. Não entre nós. Teremos melhor compreensão de nossa publicidade no ano que vem."

Para terem uma folga muito necessária do programa e das outras, os planos de uma extensa turnê de verão pela Europa foram arquivados. Agora, apenas Cross e Sheridan promoverão este programa em junho em Londres, Roma e Mônaco; Hatcher e James Denton (Mike) aparecerão em Londres.

Cross diz: "Estamos felizes em ter um tempo para nossas vidas pessoais".

Cherry tenta não se preocupar com as fofocas, que estão fora de seu controle. Seu maior desafio será superar o viciante tema central da primeira temporada, que atraiu em média 24 milhões de telespectadores por semana. Mesmo o programa de recapitulação ("Sorting Out the Dirty Laundry"), que foi ao ar no dia 24 de abril, foi o mais popular da semana para a faixa de18 a 49 anos.

"Quero continuar encontrando novas formas de falar de questões relacionadas às mulheres comuns", diz Cherry. "Lynette vai ter um emprego na próxima temporada (voltando as suas raízes na propaganda). Eu quero abordar como é difícil ir trabalhar todos os dias, voltar para casa e atender as expectativas de que tome conta da casa."

O programa, diz ele, apenas conseguirá manter sua conexão com o público se retiver as "questões pequenas e reais do dia-a-dia", sem se tornar uma novela.

Cherry mantém seu conceito original de uma série de sete anos, mas Hatcher diz que ficará surpresa se durar tanto tempo.

"Não sinto que isso será de sete anos", diz ela. "Programas de televisão são coisas delicadas. Não importa o tamanho do sucesso, nunca se sabe quando pode cair. Por exemplo, 'Twin Peaks' era super quente". Depois, foi cancelado em sua segunda temporada.

Mas, diferentemente de "Twin Peaks", que atingiu o sucesso cedo demais e arrastou seu mistério do assassinato de Laura Palmer para além do interesse do telespectador, "Housewives" está fechando o mistério do suicídio de Mary Alice. E o episódio do dia 15 de maio vai apresentar uma nova dona-de-casa, a protetora e religiosa Betty Applewhite, vivida pela atriz conhecida no cinema Alfre Woodard, 52.

O filho de Applewhite, Matthew, que teve problemas seu antigo bairro, será representado pelo ator/modelo de 24 anos Mehcad Brooks. Os Applewhite serão apresentados à Wisteria Lane pela corretora imobiliária Edie Britt (Sheridan).

Cherry diz apenas que os Applewhite "chegam na rua, parecem boas pessoas --mas têm um segredo. E é bem louco. É verdadeiro, humano e terrível ao mesmo tempo."

Por causa da forte reação do público (leia-se: masculino) a Sheridan, sua personagem na próxima temporada receberá um ex-marido e um filho de 6 anos. Mas Cherry insiste que Edie vai continuar servindo apenas para complicar a vida das outras mulheres.

Apesar da entrada de Woodard, os créditos de abertura no próximo ano continuarão trazendo apenas os rostos de Hatcher, Cross, Huffman e Longoria.

Reconhecendo o valor do nome internacional que Sheridan traz ao programa, Hatcher preferia tornar o quarteto um quinteto. "Como eu trabalho mais com a Nicollette" diz ela, "me sinto desconfortável que algumas vezes incluem Nicollette e outras vezes não. Ela é minha amiga, e me sinto mal por ela."

Sheridan liga de casa, tentando tirar uma vela da boca de seu cachorro filhote enquanto faz as malas apressadamente para uma viagem de uma semana em um destino exótico, para celebrar o 40º aniversário de seu noivo Nicklas Soderblom. Ela entende que "Edie é de fora. Nunca vai ser uma delas. Mas no programa como um todo, a vejo como uma das cinco donas-de-casa desesperadas."

Apesar de defender o trabalho de Sheridan, Cross acredita que "é bom acompanhar o caminho das quatro mulheres pela duração do programa".

Isto é, se todas as quatro concordarem em continuar em Wisteria Lane.

"Meu objetivo seria sempre ter as quatro mulheres no programa até o final, e seguir seus caminhos da mesma forma que 'Sex and the City' ou 'Golden Girls' [As Super Gatas] fizeram", disse Cherry, que foi roteirista de "Golden Girls".

"Mas também tenho consciência que, a qualquer momento, uma delas pode dizer: 'Quero ir para casa ficar com meus filhos', ou 'quero seguir carreira no cinema'".

Legalmente, Hatcher diz que nenhuma poderia tomar tal decisão. "Garanto a você que todas nós assinamos contratos de cinco ou seis anos no início disso tudo."

O futuro parece muito mais anêmico para o elenco masculino; o único que deve continuar até o final da série é o garanhão Denton (Mike Delfino). Com o desenrolar da trama, quase todos os maridos desesperados são ameaçados.

Rex Van De Kamp (Steven Culp), sem querer, toma pílulas de açúcar para tratar seu problema cardíaco; Tom Scavo (Doug Savant) tem um segredo que ameaça destruir seu casamento, e Paul Young (Mark Moses) enfrenta seu castigo pelo assassinato da Sra. Huber.

Questionando o destino dos atuais homens de Gabrielle --o amante John (Metcalfe) e o marido Carlos (Ricardo Antonio Chavira), que está a caminho da prisão-- Cherry e seus escritores estão concebendo um novo par para Gabrielle na segunda temporada.

"São existências muito tênues para todos nós", diz Denton, que fez amizade com seus colegas. "Ninguém quer ficar para trás, mas não vejo como todos nós poderemos voltar."

Com alguns homens de saída, os rostos das mulheres devem dominar a onda de mercadorias de "Housewives", que chegará as lojas neste ano. O DVD da primeira temporada está programado para sair em setembro (cheio de cenas que foram cortadas, comentários do elenco e um passeio computadorizado por Wisteria Lane), um jogo de tabuleiro, um calendário, um livro de fotografias e um disco com as músicas inspiradas pelas vidas das donas-de-casa desesperadas, que estará nas lojas a tempo para as compras de Natal. (Até agora, não há planos para uma boneca da Sra. Huber.)

Será que ainda é cedo para tudo isso?

"É tudo muito rápido", admite Sheridan. E Huffman admite que a excessiva exposição do programa cansa.

"Certamente, estamos preocupados com o excesso de exposição, mas o que posso fazer?" pergunta Cherry, que nega os boatos da criação de uma segunda série (ao menos por enquanto). "Na próxima temporada, haverá outro programa de sucesso que vai atrair a atenção das pessoas."

Para o elenco, será um alívio, especialmente para Hatcher, cujo lixo foi revirado pelos repórteres; Denton, que colocou sua casa à venda depois que sua foto foi divulgada em uma revista; e Cross, que recentemente passou um sábado no salão em Santa Mônica pintando o cabelo enquanto 20 paparazzi apontavam suas câmaras para ela pela vitrine. "Foi uma loucura, inacreditável", diz Cross. "Algumas vezes lido bem com isso; outras entro no carro e vou para casa."

Soando como sua personagem Bree Van De kamp, Cross diz que provavelmente vai passar grande parte do verão fechada na segurança de sua casa, "limpando os armários e trabalhando na casa".

E talvez, "coloque um portão", disse ela. A 1ª temporada da série termina em clima de suspense, diz criador Deborah Weinberg

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