Novos estudos defendem eficácia da acupuntura

Kathleen Fackelmann*

Judy Baggett-Stone acha-se bastante tolerante à dor, depois de anos forçando seus limites em jogos competitivos de vôlei e outros esportes. No entanto, uma dor no ombro derrubou-a. Ela ficou de joelhos, chorando.

H. Darr Beiser, USA Today

Médico põe agulhas na orelha de Judy Baggett-Stone, o que alivia suas dores musculares
"Era excruciante", diz ela, e os remédios não ajudavam. Baggett-Stone tentou falar com seu médico, mas a dor foi piorando. Ela decidiu tentar a acupuntura, antiga prática chinesa de inserir agulhas em pontos específicos do corpo.

Baggett-Stone, 40, professora de educação física da Escola de Damascus (Maryland), fez sessões de acupuntura uma vez por semana durante oito semanas e ainda faz um reforço por mês.

"Hoje estou sem dor", diz ela, e o problema ocorreu há vários anos.

Baggett-Stone faz parte de um número crescente de americanos que experimentaram a acupuntura. Uma pesquisa do USA Today/ABC News/Centro Médico da Universidade Stanford divulgada nesta segunda-feira (10/05) revelou que 5% dos adultos americanos buscaram alívio para a dor com acupuntura.

A pesquisa nacional com 1.204 adultos teve uma margem de erro de mais ou menos três pontos percentuais.

De acordo com o Centro Nacional de Medicina Complementar e Alternativa, a acupuntura vem se tornando cada vez mais popular nos EUA nas duas últimas décadas. A Academia Americana de Acupuntura Médica, organização com base em Los Angeles que representa médicos acupunturistas, diz que o número de associados cresceu de 200 em 1991 para mais de 2.000.

Uma pesquisa federal de 2002 estimou que 8,2 milhões de americanos já tinham experimentado a acupuntura. Esse número deve crescer na medida em que pessoas com dor crônica buscam alternativas ao Vioxx e Bextra, drogas campeãs de vendas que foram removidas do mercado recentemente por preocupações com a segurança.

"Estamos atendendo cada vez mais pacientes agora, porque as pessoas estão com medo de tomar essas drogas ou sofrem com os efeitos colaterais", disse Nader Soliman, ex-presidente da Academia Americana de Acupuntura Médica que trata de Judy Baggett-Stone.

A acupuntura começou há mais de 2.000 anos, na China. Os chineses acreditam que doenças como a artrite são causadas por um desequilíbrio nas forças vitais: yin e yang. O desequilíbrio leva a um bloqueio de chi, uma fonte de energia vital no corpo. A acupuntura tenta desbloquear essa energia, aliviando a dor.

Durante anos, palavras como yin e yang relegavam a acupuntura à margem da ciência médica nos EUA. A técnica ganhou credibilidade durante os anos 80 e 90 quando estudos científicos começaram a sugerir que poderia causar a liberação de analgésicos naturais.

Vários grandes estudos divulgados no último ano e meio poderão elevar o status da técnica. "Os cépticos costumavam dizer: 'Isso é só misticismo chinês'", diz o pesquisador Andrew Vickers, do Centro de Câncer Memorial Solan-Kettering, em Nova York. "Atualmente, as evidências de que a acupuntura é eficaz são muito fortes e crescentes."

Especialistas como Soliman dizem que a acupuntura não é cura, e o custo pode ser problemático. Cerca de 70% dos seguros de saúde cobrem tratamentos de acupuntura, diz Soliman. Entretanto, o Medicare, o seguro federal para os idosos, não. O procedimento, em geral, custa entre US$ 60 e US$ 90 (entre R$ 150 e R$ 225) por sessão.

Estudos prévios sobre a eficácia da acupuntura foram reduzidos e inconclusivos. Pesquisas mais recentes, porém, estão esclarecendo seu funcionamento.

Uma análise de 22 estudos mostrou que a acupuntura dá mais alívio a lombalgias do que um tratamento com acupuntura "falsa", na qual as agulhas são inseridas em lugares errados, ou nenhum tratamento.

Muitas pessoas nesses estudos continuam usando analgésicos, mas a acupuntura em geral deu mais conforto, de acordo com a análise publicada nos Anais da Medicina Interna, em 19 de abril.

"Faz uma grande diferença para as pessoas. Elas podem trabalhar ou brincar com seus filhos", diz o pesquisador Brian Berman da Faculdade de Medicina da Universidade de Maryland, em Baltimore.

Um estudo com 570 pessoas com osteoatrtite do joelho revelou que aquelas que foram tratadas com acupuntura tiveram significativa redução na dor em relação às que fizeram acupuntura falsa ou receberam cuidados típicos. O estudo foi publicado nos Anais da Medicina Interna em 21 de dezembro.

Esse foi o maior e melhor estudo do tipo e sugere que a acupuntura fornece mais do que um efeito placebo, diz Ted Kaptchuk, especialista em medicina chinesa na Faculdade de Medicina de Harvard. Entretanto, não prova aos cientistas que a acupuntura é eficaz, adverte.

A técnica pode não funcionar para certos tipos de dor. Um artigo no dia 4 de maio, na revista "Journal of the American Medical Association", sugere que não funciona melhor que o placebo para o tratamento de enxaqueca. Outros estudos indicam que a acupuntura alivia sim a enxaqueca.

As evidências são suficientes para muitos pacientes, especialmente pessoas como Baggett-Stone. A acupuntura não apenas aliviou sua dor nos ombros, mas também fez desaparecer uma dor na mão esquerda que a impedia de fazer as coisas, diz ela.

Agora, Baggett-Stone pode brincar com seus filhos, correr e até levantar pesos.

"Não estou mais trancafiada com acessos de dor", diz ela. "Tento tirar vantagem disso."

Massagem e humor podem ajudar

A acupuntura não é o único tratamento alternativo para a dor, especialmente para a artrite degenerativa e dores de cabeça. Outras terapias alternativas para vencer a dor:

  • Massagem não só é gostoso, mas ajuda a aliviar a dor por mais tempo, relaxando os músculos e aumentando o fluxo sangüíneo para a região;

  • Exercícios regulares como caminhar, nadar ou praticar ioga podem ajudar a liberar anestésicos naturais produzidos pelo corpo;

  • Terapia de humor, como ver um filme engraçado, pode ajudar a interromper o ciclo de dor;

  • Durma o suficiente. A fadiga pode piorar a dor.

    *Com informações de Seymour Diamond, porta-voz da Fundação Nacional da Dor de Cabeça e diretor da Clínica de Dor de Cabeça Diamond em Chicago e Patience White da Fundação Artrite, de Atlanta. Prática pode substituir analgésicos que tiveram circulação suspensa Deborah Weinberg
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