Saiba como evitar dores causadas pelo esporte

Sal Ruibal*

Os americanos adoram correr, andar de bicicleta, jogar golfe e atingir os "home runs" para seus times da liga Rec de softball. Mas acontece que toda essa atividade esportiva também é responsável por uma parte da dor da nação.

De acordo com uma pesquisa do USA Today/ABC News/Centro Médico da universidade de Stanford, entre as pessoas que relataram sua última experiência com dor física como resultado de um machucado ou de uma condição específica, uma em cada cinco atribuiu a dor a uma ocorrência numa prática esportiva.

Os Institutos Nacionais de Saúde estimam que adultos com idade de 25 anos em diante foram vítimas de 2,29 milhões de lesões esportivas e recreativas a cada ano, entre 1997 e 1999, sendo esses os anos mais recentes em que foram realizadas as pesquisas.

Poucas pessoas nos Estados Unidos têm mais experiência ao lidar com essa verdadeira avalanche de dor que Chris Carmichael e Freddie Fu.

Fu, um dos mais renomados cirurgiões ortopedistas esportivos do mundo e conselheiro médico do time do Pittsburgh Steelers, passa os dias dele recuperando corpos machucados, tanto dos guerreiros da liga NFL de futebol americano quanto de atletas de final de semana, no Centro Médico de Pittsburgh.

Na esfera recreativa, segundo Fu, muitos dos danos são conseqüência da síndrome do "demais".

"As pessoas correm demais ou jogam demais, ou então voltam a praticar esportes cedo demais, depois de uma lesão", diz Fu.

Carmichael é um ex-ciclista da Tour de France que agora é técnico do astro Lance Armstrong e que também cuida de outros atletas da elite do enduro do ciclismo. Ele tem ampla experiência com cada matiz da dor, da simples exaustão provocada pela malhação à abrasadora agonia de um desastre em alta velocidade, que dilacera dos músculos aos ossos.

Carmichael rejeita a filosofia do "Não há progresso sem dor", dos técnicos e treinadores da velha escola.

"A melhor forma é quanto menos, dor mais progresso", diz o técnico Carmichael. "Mas para chegar a esse ponto você precisa entender exatamente qual é o tipo de dor que está vivenciando. Aí então você pode enfrentá-la da maneira apropriada."

No nível mais simples, as dores esportivas podem ser divididas em duas categorias: aguda e crônica. "Dor aguda é quando você pisa num buraco", diz Carmichael. "É dor traumática e imediata, com perda de mobilidade na área afetada."

A dor crônica é mais difícil de ser definida, diz Fu.

"Geralmente é resultado de sobrecarga, ou de uma mudança significativa na quantidade de treinamento que o indivíduo faz", diz o ortopedista. "Você pode ficar com dor enquanto realiza uma atividade, e ficar com um inchaço depois. Isso pode até se manifestar como dor numa outra parte do corpo; um tipo de dor no joelho na verdade pode ter a ver com dores nas costas."

Se você sofre desses sintomas, é provável que deva consultar seu médico.

Mas há também a boa dor, ou pelo menos dores provocadas pela atividade atlética normal.

"Muitos atletas desenvolvem a chamada DOMS (sigla que em inglês se refere ao ataque de dor muscular retardada)", diz Carmichael. "É uma dor que pode durar de 10 a 24 horas após uma sessão de malhação."

Ele faz com que seus atletas se envolvam na "recuperação ativa" para ajudar a reduzir a inflamação muscular.

"Algum alongamento leve após o treino é recomendável, especialmente se você beber algum líquido carboidratado para repor o estoque de energia em seus músculos", diz o médico. "Há uma janela de 30 a 60 minutos após um treinamento, onde seus músculos maximizam a capacidade deles de repor o que foi queimado durante a atividade física."

Lance Armstrong segue essa rotina após suas provas na Tour de France, garante Carmichael. Seis vezes vencedor do torneio, Armstrong vai até além na recuperação após o esforço, se submetendo a massagens noturnas e a sessões de quiroprática.

"Uma massagem semanal, por que não, pode fazer muito bem para atletas recreativos", diz Carmichael.

O dr.Fu sugere que os atletas façam caminhadas rápidas ou corridas tranqüilas, seguidas de alongamento, antes que partam para a quadra de tênis ou para o campo de softball.

"Nunca se exponha ao frio", recomenda o médico.

Há também perigo no abuso de suplementos obtidos nas farmácias. "Sigam os níveis de dosagem cuidadosamente", diz Fu. "Você pode causar mal ao fígado se ingerir um excesso de substância ibuprofeno."

A pior coisa, ambos concordam, é fingir que a dor simplesmente sumirá.

"É importante refrear sua atividade esportiva quando se está machucado", diz Fu. "Forçar os músculos a ponto de provocar a dor aguda é perigoso, e ignorar a dor crônica pode fazer de um simples machucado algo muito pior."

Quatro passos para manter a forma sem dor

Para combater dores menores causadas pela prática de esportes, muitos especialistas recomendam o método D.G.C.E. (Descanso, Gelo, Compressão e Elevação) para aliviar dores e inflamações.

  • Descanso: dê um tempo do seu esporte e corte as atividades diárias conforme for necessário.

  • Gelo: aplique uma compressa de gelo na área atingida uns 20 minutos de cada vez, de quatro a oito vezes por dia. Um saco com ervilhas congeladas (ou com qualquer outro vegetal) funciona bem e pode se moldar à forma da região do corpo que está machucada. Reutilize esse saco-compressa sempre que for necessário, mas não coma esse alimento, porque já estará degelado ou então recongelado.

    Chris Carmichael diz que um médico deve cuidar daqueles machucados que sempre precisam levar compressas de gelo, após cada sessão de malhação ou esportes.

  • Compressão: a compressão da região machucada pode reduzir o inchaço. Pode-se fazer a compressão com mantas elásticas encontradas na maioria das farmácias, ou então com um suporte especial recomendado pelo seu médico. Nesse estágio também pode ser aplicado o calor, mas não imediatamente após uma lesão.

  • Elevação: deitado, eleve a região machucada acima do nível onde está o coração, para ajudar a diminuir o inchaço. Carmichael faz com que seus atletas do ciclismo elevem suas pernas por, no mínimo, cinco minutos após cada treino ou corrida.

    *Com informações do Insituto Nacional de Saúde dos EUA e dos Sistemas de Treinamento Carmichael. "Quanto menos dor, mais progresso", diz ciclista Chris Carmichael Marcelo Godoy
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