Turismo nudista veste uma camada de opulência

Jane Clark

Num arquetípico campo de nudismo nos Estados Unidos, o ambiente, que em outros tempos era absolutamente despojado, agora está se sofisticando, já que os proprietários estão acrescentando atrativos como spas completos e Internet de banda larga. Mas ainda vale a regra de que ninguém precisa se vestir para o jantar.

Na verdade, boa parte dessa indústria já descartou o termo "campo" e agora usa a expressão "resort", na certeza de que isso reflete melhor o número crescente de estabelecimentos sofisticados no gênero.

"O padrão foi elevado", diz Nancy Tiemann, proprietária da Bare Necessities (Nuas Necessidades), uma agência de viagens de Austin, no Texas, especializada em turismo nudista.

"Os (resorts nudistas) costumavam ficar em desvios a uns oito quilômetros por estrada de terra, atrás de uma cerca num terreno baldio, e agora realmente estão muito além disso, tendo se transformado em resorts sofisticados."

O que está movendo essa tendência, segundo especialistas, é o número crescente de viajantes normais que não se identificam necessariamente como nudistas, mas que mesmo assim estão querendo deixar cair suas inibições num resort nudista. Ao mesmo tempo, essas pessoas não querem sacrificar um certo padrão de serviço e conforto.

"Nós investimos num segmento de mercado que até agora não havia sido explorado", diz Stephen Payne, criador do Desert Shadows Inn Resort & Villas em Palm Springs, Califórnia, onde o preço dos quartos começa a partir de US$ 200 (equivalente a cerca de R$ 540) por noite.

"Essas pessoas não pertencem a nenhuma organização nudista. Elas não estão montando barracas --visitam-nos assim como visitariam qualquer outro resort."

Mas além de serviços de concierge e outros mimos, o Desert Shadows oferece atrações que não são encontradas nos chamados "resorts têxteis". Há corridas de balão para os pelados, caminhadas à luz da lua e até excursões pelas casas dos ricos e famosos de Palms Springs --com a diferença que, entre os excursionistas, está todo mundo nu.

Outros desdobramentos sofisticados do turismo pelado:

  • Há um ano funciona o Caliente Resort e Spa, ao norte de Tampa, na Flórida, com área recreativa de cerca de 10 mil metros quadrados, com spa, salões para reuniões e cinco restaurantes. As casas do Resort valem a partir de US$ 400.000.

  • A Bare Necessities Tour & Travel já vendeu cruzeiros nudistas pela Europa, com tarifas variando entre US$ 2.295 a US$ 6.595. Um cruzeiro do gênero pelo Caribe, marcado para fevereiro de 2006, já está com 80% das reservas fechadas.

    "Há quinze anos, os organizadores de cruzeiros sequer me atendiam pelo telefone. Agora eles estão concorrendo entre eles para trabalharem com o meu segmento", diz Tiemann.

  • No Paradise Lakes Resort, perto de Tampa, já foi totalmente vendida, antes mesmo de ser construída, a nova etapa de empreendimentos, que vem se somar às 510 unidades já existentes, com preços que começam a partir de US$ 250.000.

    O entretenimento nudista cresceu tremendamente nos anos 90 e agora já significa uma indústria de US$ 400 milhões, de acordo com a Associação Americana de Recreação Nudista (AARN).

    O grupo já tem cerca de 50 mil integrantes e 270 clubes e resorts afiliados. Mesmo assim, uma pesquisa encomendada agora em 2005 pela AARN indica que a ampla maioria dos americanos não está exatamente ansiosa para tirar toda a roupa na frente de desconhecidos. Apenas 14% aprovaram essa idéia sem qualquer restrição.

    Apesar disso, essa indústria emergente enfatiza sua natureza "voltada para a família" e as novidades cada vez mais sofisticadas. "Estamos vendendo nudez, e não sexo", garante Carrie Schultz,do Caliente's.

    E Payne, do Desert Shadow's, acrescenta: "Nunca recebemos uma prostituta sequer por aqui. E Deus é testemunha de que eu não preciso me preocupar com strippers em despedidas de solteiro." Segmento sai da marginalidade e oferece programas sofisticados Marcelo Godoy
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