Desafio de conquistar americanos atrai Beckham

Kelly Whiteside
Em Nova York

Quando o mais fabuloso atleta do mundo entrou em uma sala de conferência de um hotel em Manhattan, gerou uma tempestade de flashes.

"David, aqui", pediam os fotógrafos.

"David, David".

"Um sorriso para Nova York, David."

David Beckham agora espera conquistar os EUA como fez com o resto do mundo. Ele vai jogar sua primeira partida no país nesta terça-feira (31/05), quando o Reino Unido enfrentar a Colômbia no estádio Giants, para uma multidão de mais de 50.000 pessoas.

Na quarta-feira de manhã, ele deve chutar bolas com Matt Lauer, em "Today". À tarde, divulgará sua nova linha de chuteiras e equipamentos de futebol, na recém aberta loja da Adidas no Soho. Na quinta-feira, ele vai lançar a David Beckham Academy, um campo de futebol para crianças que deve começar a funcionar no ano que vem, no Home Depot Center em Carson, Califórnia.

Mesmo assim, possivelmente a beckhanização dos EUA não será total até o final da década, quando se mudar para Nova York ou Los Angeles para jogar para o MetroStars ou o Galaxy.

Essa perspectiva pode não ser tão absurda quanto parece, como admitiram tanto Beckham quanto membros da Liga de Futebol (MLS). Não tão cedo, porém. Se Beckham, hoje com 30 anos, entrar para a liga, em sua 10ª temporada neste ano, será no final da sua carreira, muito depois de expirado seu contrato com o time espanhol Real Madrid, daqui a dois anos.

Os EUA são a última fronteira para Beckham. Esta semana foi um começo. A conferência com a imprensa tinha mais de 100 repórteres e fotógrafos, dentre os 400 credenciados para o jogo de terça-feira.

O Hotel Intercontinental parecia mais um informe da Casa Branca à imprensa do que uma reunião antes de uma partida de futebol. Além do contingente americano e britânico, havia repórteres de todo o mundo.

"Sempre nos perguntamos se um jogador de futebol inglês atacaria os EUA", disse um britânico. "O interesse que o senhor tem hoje sugere que é possível. Este seria um alvo para o senhor? O senhor acha viável tornar-se um grande sucesso nos EUA?"

"Não acho que seja uma questão de atacar os EUA", disse Beckham. "É sobre dar às crianças uma oportunidade de entrar em uma academia de futebol como a minha, que está abrindo em LA. Se isso acontecer e ela produzir novas estrelas, meninos e meninas, se produzir a nova Mia Hamm, é especial e funcionou. É isso."

Respondendo a uma pergunta similar de um repórter de televisão americano, Beckham foi mais ao ponto: "Os EUA são um mercado imenso para esportes. Seria incrível se o futebol se tornasse grande."

Landon Donovan, que joga no Galaxy e é considerado o melhor jogador americano, é reconhecido pelos fãs uma vez por dia, se estiver passeando em LA. Beckham é reconhecido a cada 10 segundos --fora dos EUA, evidentemente.

"Nem posso imaginar como deve ser sua vida. A única coisa equivalente que temos aqui são as estrelas de cinema, que as pessoas ficam tirando fotos o dia todo, todos os dias, pessoas diante da sua casa, segundo você em toda parte", disse Donovan, depois da seleção americana perder para o Reino Unido por 2 a 1, no sábado, em Chicago.

Esse foi o primeiro jogo de dois da turnê inglesa nos EUA, mas Beckham não participou porque estava com o Real Madrid.

"David com certeza é o mais famoso jogador de futebol do mundo", disse o técnico inglês Sven-Goran Eriksson. "Mas quando está em campo, é exatamente igual aos outros -trabalha duro. Não é uma diva. Admiro-o por ser tão profissional, especialmente por causa de tudo que se passa em sua vida de celebridade. É incrível. Onde quer que vamos, é 10 vezes maior do que qualquer outro no campo."

No passado, Beckham e sua famosa mulher, Victoria, de fama de Spice Girl, conseguiram tirar férias nos EUA em relativo anonimato, graças ao perfil discreto do futebol no país. Na segunda-feira, ele admitiu que isso pode estar acabando.

"Este foi o primeiro dia em que entendi como tudo mudou", disse ele. "Lembro-me de dois anos em que estive aqui com a Victoria --não era como hoje. Entendi isso passeando pelas lojas. As pessoas se aproximavam e diziam 'Que bom que você está aqui'. Ouvir isso é incrível."

Na segunda-feira, a equipe inglesa treinou no estádio diante de um pequeno grupo de convidados --crianças de Nodi, (Nova Jersey). Com Beckham na lateral direita do campo, pegando chutes que vinham de ângulos impossíveis, a multidão vibrava com cada jogada. Depois, Beckham e seus colegas passaram pela multidão e assinaram autógrafos até que todas as crianças tivessem uma lembrança.

Em Chicago, no final de semana, os colegas de Beckham falaram sobre como seria maravilhoso andar pela avenida Michigan sem ser reconhecido, sobre como seria uma sensação de liberdade deixar sua celebridade em casa e passear pela Bloomingdale como outro qualquer.

Depois do treino na segunda-feira, quando o ônibus da equipe inglesa parou na frente do hotel perto da quinta avenida, não havia ali nem um fotógrafo, nem um fã.

No Reino Unido, as crianças de Beckham foram alvos de um plano de seqüestro. Na Espanha, os paparazzi abusaram. Mas em Nova York, neste maravilhoso dia de primavera, havia apenas lojistas sorridentes. Que estranho. Ou, por outro ponto de vista, talvez isso mostre como Beckham precisa ir longe para conquistar essa nova terra.

Então, quais são as chances de Beckham, segundo um hotel vazio?

"Isso significa que 65 milhões de pessoas estão ligadas ao futebol neste país, mas ainda não são fanáticas. Este é o desafio e a oportunidade para o futebol nos EUA, e é o desafio e a oportunidade para David Beckham, da mesma forma que é para a MLS. Quem conseguir se conectar e ativar esse potencial enorme de base de fãs, vencerá. Se Beckham puder fazer isso, se puder ajudar a liga a fazer isso, será um casamento feito no céu", disse o sub-comissário da MLS Ivan Gazidis.

Isso não quer dizer que o futuro do futebol neste país depende da capacidade de marketing do capitão inglês arrepiado. Mas ele certamente pode ajudar.

Beckham sabe que aqui, o público alvo são "as mães com filhos no futebol", como disse na segunda-feira. Ele acrescentou que o esporte é uma coisa "enorme" para meninas americanas. Em outras palavras, Beckham entende.

Beckham sorriu para os flashes, durante os 30 minutos de perguntas sobre tópicos que foram do Tampa Bay Buccaneeers até o controle de seu antigo clube, o Manchester United, por Malcolm Glazer. ("Não acho que têm muito com o que se preocupar. Colocar tanto dinheiro em um time e não vê-lo se tornar um dos melhores do mundo, não dá").

Ele também explicou o nome de seu primeiro filho, "Brooklyn" ("Nós achamos que Victoria estava grávida quando estávamos em Nova York. Era um nome que gostávamos, então o mantivemos") e respondeu qual era a primeira coisa que pensava quando ouvia falar no México ("Tequila", brincou depois de uma pergunta de um repórter mexicano).

Quando o show terminou, Beckham atravessou lobby e foi para a rua 48, onde um grande país o esperava. Ídolo mundial do futebol amplia sua presença no mercado dos EUA Deborah Weinberg

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