Muitos republicanos não ganham a vida honestamente, afirma Howard Dean

Chuck Raasch
Em Washington

O presidente do Partido Democrata, Howard Dean, aumentou a sua fama de crítico irredutível nesta quinta-feira (2/6), ao afirmar que "muitos republicanos" não ganham a vida honestamente e que o Partido Republicano tem uma visão "sombria, difícil e desonesta" dos Estados Unidos.

Falando em uma conferência composta de liberais, Dean também fez uma crítica velada à forma como o seu partido disputou a campanha de 2004 à Casa Branca.

Ele disse que os democratas sob a sua presidência estão instituindo "mudanças significantes" na estratégia para futuras eleições, e que o partido não cederá terreno aos republicanos, incluindo em redutos do partido adversário, como os Estados de "Kansas, oeste de Nebraska e de Mississipi".

"Vocês presenciaram a última campanha de 18 Estados à presidência", disse Dean, em uma alusão ao fato de o partido ter se concentrado em um punhado de "Estados indecisos" na eleição presidencial de 2004. "Estaremos presentes em todos os 50 Estados".

O discurso de 25 minutos, feito para a reunião anual da Campanha para o Futuro dos Estados Unidos, foi interrompido freqüentemente por aplausos, mas a sua menção aos hábitos de trabalho dos republicanos também gerou vários gritos de apoio de uma multidão decididamente anti-republicana.

Dean afirmou que o fato de alguns eleitores da Flórida terem ficado na fila durante oito horas no dia da eleição, 3 de novembro, foi um estorvo para pessoas que "trabalharam durante o dia todo e que depois tiveram que buscar os filhos na escola".

Mas ele disse que os republicanos poderiam passar oito horas nas filas "porque muitos deles nunca ganharam a vida honestamente".

Dean marcou uma posição nas primárias presidenciais democratas em 2004, ao assumir a postura mais firme manifestada pelo seu partido contra a guerra no Iraque. Ele reiterou tal posição na quinta-feira e disse também que os democratas poderiam retomar o poder ao oferecerem soluções "positivas" nos debates sobre a reforma dos fundos de pensão e do Social Security (previdência social norte-americana).

Essas propostas incluiriam a transposição dos benefícios de pensão do trabalhador de um emprego a outro, e o controle dos fundos de pensão independente das companhias que ajudam a financiá-los.

Dean admitiu que os democratas "sofreram sérias derrotas" nas últimas eleições.

Porém, ele também afirmou: "Estamos vitalizados porque sabemos que a nossa visão de Estados Unidos é bem melhor do que aquela visão sombria, difícil e desonesta, característica do Partido Republicano... Estamos em uma guerra porque as pessoas que nos levaram a esse conflito não foram sinceras com o povo norte-americano".

Os republicanos atiraram imediatamente de volta.

"A crítica de Howard Dean demonstra que o Partido Democrata não só carece de liderança como também está repleto de ódio", disse a porta-voz do Comitê Nacional Republicano, Tracey Schmitt, em um comunicado.

"O seu comentário de que muitos republicanos nunca ganharam a vida honestamente deixa claro que a prioridade de Dean é gerar manchetes difamatórias, em vez de se engajar em um debate substantivo".

O período de quatro meses em que Dean está à frente do Comitê Nacional Democrata já gerou centelhas retóricas anteriormente, como, por exemplo, quando ele afirmou que "detestava" os republicanos.

Recentemente, ele atraiu críticas ao dizer que o líder da maioria na Câmara, Tom DeLay, que foi repreendido por violações de ordem ética pelos seus colegas, sem entretanto ser criminalmente acusado, deveria estar na cadeia.

Dean quase não atacou DeLay no seu discurso para a Campanha pelo Futuro dos Estados Unidos, uma organização nacional de ativistas de esquerda, que às vezes critica não só o presidente Bush e o Partido Republicano, mas também os democratas. Esse tema voltou à evidência na quinta-feira.

Bem típica foi a oradora que falou após Dean, a ativista e apresentadora Arianna Huffington.

Huffington atacou os "líderes sem personalidade do nosso campo" que, segundo ela, não têm disposição de contestar um "Congresso imoral" controlado por republicanos.

Criticando o Partido Republicano por ter feito com que o governo voltasse a apresentar déficits de orçamento e deixasse uma montanha de novas dívidas para as gerações futuras, Huffington disse: "Essas pessoas devem realmente acreditar em um apocalipse. Elas devem estar realmente convictas de que o fim está próximo".

Huffington chegou a criticar até mesmo a senadora Hillary Rodham Clinton, democrata de Nova York, uma candidata favorita de muitos liberais. Huffington disse que Hillary deu respostas "existenciais ruidosas" às perguntas sobre uma estratégia de saída do Iraque.

"Não podemos continuar ignorando o desastre em andamento no Iraque", afirmou Huffington. Presidente do Partido Democrata mostra e exige combatividade Danilo Fonseca

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