Maioria dos americanos acha que foi um erro enviar tropas para o Iraque, diz pesquisa

Susan Page
Em Washington

O presidente Bush fará nesta terça-feira (28/06) um discurso no horário nobre para um público que duvida cada vez mais de seus motivos para ir à guerra no Iraque e que deseja um prazo para a volta das tropas americanas para casa --um passo descartado por Bush.

Apenas um entre três americanos agora diz que os Estados Unidos e seus aliados estão vencendo a guerra, segundo uma pesquisa USA Today/CNN/Gallup realizada entre sexta-feira e domingo. Isto representa uma nova baixa, uma queda de 9 pontos percentuais desde fevereiro. Metade disse que nenhum lado está vencendo.

Bush tentará tranqüilizar os americanos e obter apoio em um discurso que será transmitido pela televisão às 20 horas, horário da Costa Leste, no Forte Bragg, na Carolina do Norte, base da 82ª Divisão Aerotransportada do Exército. Ele marcará o primeiro aniversário da transferência de poder da coalizão liderada pelos Estados Unidos para o governo iraquiano.

De lá para cá, os iraquianos realizaram eleições e deram início ao processo de elaboração de uma Constituição. Mas estabelecer a segurança tem provado ser difícil, e quase 140 mil soldados americanos continuam servindo de forma perigosa lá.

"A persistência da violência e as baixas americanas ressaltam o fato de que o presidente não conseguiu o que pretendia, e está exigindo mais tempo, mais vidas e mais dinheiro do que os americanos esperavam", disse Richard Eichenberg, um cientista político da Universidade Tufts, em Massachusetts, que tem estudado a opinião pública sobre o Iraque. "Esta é uma receita para perda de apoio político."

Por um recorde de 61% a 37%, os pesquisados disseram que o presidente não tem um plano claro para lidar com a situação no Iraque.

O índice de aprovação de Bush também sofreu. Seu índice é de 45%, igualando ao mais baixo de sua presidência. Com 53%, seu índice de desaprovação atingiu o ponto mais alto.

A pesquisa envolvendo 1.009 adultos foi realizado nos dias que se seguiram às audiências de destaque no Senado, nas quais o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, foi interrogado implacavelmente.

O senador Lindsey Graham, republicano da Carolina do Sul, alertou Rumsfeld de que "no Estado mais patriótico que posso imaginar, as pessoas estão começando a questionar" a guerra.

O índice de aprovação de Rumsfeld caiu de 46% para 44%, a primeira vez durante seu comando da Secretaria de Defesa que ele não é visto de forma positiva pela maioria considerando a margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.

Bush tem tido sucesso em persuadir os americanos que um governo estável no Iraque é importante para os Estados Unidos. 93% disseram que é importante; dois entre três consideram extremamente ou muito importante.

Mesmo assim, 51% querem um prazo estabelecido e seguido para remoção das tropas do Iraque, independente da situação lá. Também há um crescente ceticismo quanto ao principal argumento do presidente de que a guerra no Iraque é uma parte crucial na proteção dos americanos contra terroristas:

  • pela primeira vez, mais americanos, 50% a 47%, vêem a guerra no Iraque como uma ação separada da guerra contra o terrorismo.

  • por 46% a 43%, a maioria diz que a guerra no Iraque deixou os Estados Unidos menos seguros de terrorismo.

  • por 53% a 46%, os americanos disseram que os Estados Unidos cometeram um erro ao enviarem tropas para o Iraque. Este é o nível mais alto de descontentamento desde logo após os escândalos na prisão de Abu Ghraib, no verão passado. Pela 1ª vez, maior parte separa a guerra da luta contra o terrorismo George El Khouri Andolfato
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