Bush tenta esfriar a polêmica da Suprema Corte

Judy Keen
Em Washington

O presidente Bush declarou nesta segunda-feira (4/7) que os grupos de pressão políticos ou corporativos --dos quais alguns já divulgaram peças publicitárias na televisão-- que estão mobilizando simpatizantes para combater o sucessor que ele irá escolher para substituir a juíza demissionária da Suprema Corte de Justiça, Sandra Day O'Connor, deveriam "abaixar o tom da sua retórica acalorada".

Ele defendeu firmemente o ministro da Justiça, Alberto Gonzales, uma possível indicação do presidente que vem sendo criticada pelos conservadores.

"Al Gonzales é um grande amigo meu", disse Bush numa entrevista por telefone. "E quando um amigo é alvo de ataques, eu não gosto disso".

Vários grupos conservadores andaram criticando Gonzales, que, quando era juiz da Suprema Corte do Texas, estipulou exceções a uma lei que obriga as adolescentes a notificarem um parente da sua intenção antes de se submeterem a um aborto.

Nos primeiros comentários sobre o cargo vacante desde o anúncio-surpresa de demissão por aposentadoria que O'Connor fez na sexta-feira passada (1º/7), Bush afirmou que ele não pretende tomar sua decisão às pressas e que o seu objetivo e escolher o seu sucessor em tempo hábil para que este já tenha assumido o cargo quando a Suprema Corte retomar suas atividades em outubro.

Ele acrescentou que está estudando um número "bastante conseqüente" de candidatos possíveis. "Eu começarei a selecionar um pequeno grupo de candidatos no decorrer das próximas semanas", disse. Então, precisou o presidente, ele os entrevistará ele mesmo um por um.

Indagado se há mulheres e representantes das minorias na sua lista, Bush respondeu: "É claro, temos um grupo diversificado de cidadãos". Entretanto, ele não precisou o nome de nenhum dos indicáveis potenciais.

Alberto Gonzales seria o primeiro hispânico a integrar a Suprema Corte.

Kay Daly, da Coalizão por um Sistema Judicial Justo, disse que os integrantes do seu grupo estão divididos em relação à possível indicação de Gonzales. Ela explicou que alguns dentre eles estimam que os antecedentes de Gonzáles "não combinam" com o molde conservador dos ministros do supremo tribunal Antonin Scalia e Clarence Thomas, os quais Bush tem citado repetidamente como modelos aos quais ele sempre se refere ao escolher um candidato para um cargo na suprema corte.

O anúncio de Sandra Day O'Connor foi uma surpresa para a Casa Branca. O ministro do supremo tribunal, William Rehnquist, que está sofrendo de um câncer, era considerado o demissionário o mais provável.

A decisão de O'Connor desencadeou imediatamente uma série de iniciativas agressivas por parte de grupos de pressão, com objetivo de influenciar a escolha de Bush de um substituto.

A organização People for the American Way (Pessoas em Defesa dos Valores Americanos), um grupo liberal, investiu na divulgação de um anúncio televisivo no qual é perguntado se Bush "dará continuidade à história, escolhendo um juiz que proteja os nossos direitos e as nossas liberdades fundamentais", ou se ele "dividirá o país".

Por sua vez, o Progress for America (Progresso para a América), um grupo conservador, enviou 8,7 milhões de e-mails avisando seus simpatizantes de que eles devem ignorar os ataques dos democratas.

Por sua vez, Richard Davis, o autor de "Elegendo a Justiça: como consertar o processo de nomeação dos membros da Suprema Corte", garantiu que as próximas semanas "se parecerão com uma campanha presidencial".

O que está em jogo nesta batalha são questões polêmicas tais como os direitos ligados ao aborto e as medidas anti-discriminatórias. Bush, que chegou a dizer que os americanos não estão prontos para banir o aborto, recusou-se a dizer se ele nomeará um juiz que votaria no sentido de torná-lo um crime.

"Conforme eu já tenho dito e repetido, eu não acredito num teste do papel de girassol para os meus juizes", disse, sugerindo que a sua nomeação se baseia nas suas capacidades, e não na influência que ele poderia exercer sobre eles.

Bush acrescentou que as operações de lobby não irão afeta-lo: "Eu não sinto qualquer pressão, a não ser a pressão de colocar alguém neste cargo que trará dignidades para a função".

O presidente também advertiu que ele não toleraria uma guerra partidária. "Eu espero que os grupos envolvidos neste processo --os grupos de pressão políticos e corporativos-- contribuirão para abaixar o tom desta retórica acalorada", disse.

O Senado, que tem combatido incansavelmente os seus indicados para cargos nas cortes federais, bem poderia "livrar-se da amargura e do rancor que parecem ter prevalecido acima de tudo nos debates recentes", concluiu o presidente. Oposição já o ataca, condenando na TV uma escolha anda não feita Jean-Yves de Neufville

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