Pesquisa mostra como público prefere ver filmes

Claudia Puig*

O caso de amor dos Estados Unidos com o cinema continua apaixonado.

Mas como qualquer relacionamento de longo prazo, há problemas que precisam ser tratados. No verão, quando a freqüência nos cinemas caiu em comparação ao ano passado, o USA Today perguntou aos leitores se eles ainda amavam ir ao cinema ou preferiam assistir a DVDs em casa.

Quase 200 pessoas responderam, a maioria expressando forte sentimento sobre seu amor pelo cinema assim como sua frustração com no que se transformou a experiência de ir ao cinema.

Mais da metade das pessoas que escreveram e mandaram e-mails disse que por motivos que incluem preço dos ingressos e da gasolina, o caro preço da pipoca, refrigerantes e outros comestíveis, comerciais, filmes decepcionantes e freqüentadores rudes, muitas vezes eles preferem ficar em casa e assistir a DVDs.

DVD versus sala de cinema

"A indústria cinematográfica criou este monstro que leva as pessoas a não ir aos cinemas", disse Christopher Luke, 29 anos, coordenador assistente de vídeo do programa de futebol da Texas A&M.

Ele ainda vai ao cinema, mas não com a mesma freqüência. Agora ele tem um home theater e cita o excesso de refilmagens e seqüências de Hollywood, assim como ingressos caros e público rude como motivos para ficar em casa. "Além disso, eu só pago US$ 4 por um filme (ruim) como 'XXX 2: Estado de Emergência', em vez de desembolsar US$ 20 no cinema."

E alguns, como Thomas Damron, 70 anos, de Plano, Texas, desistiram totalmente dos cinemas. "Não é mais um programa agradável", disse Damron, um planejador financeiro aposentado. "Celulares tocam e as pessoas atendem, pessoas vão e voltam da bonbonnière com copos do tamanho de piscinas, os preços são absurdos por entretenimento ruim e não há mais astros dignos de se acompanhar. Eu assinei o Netflix, de forma que recebo três filmes por vez, e é muito mais barato."

Mas para outros, ir ao cinema nunca perderá seu atrativo. É uma terra escura da fantasia, perfeita para segurar a mão, propícia para o romance. É um local onde as famílias podem criar lembranças indeléveis. É uma fuga das preocupações do dia a dia e um lugar para assistir ao melhor e ao pior da humanidade.

Para estas pessoas, ir ao cinema é uma volta ao sentar ao redor da fogueira e contar histórias de heroísmo e aventura. E toca o desejo universal de ver grandes histórias se desenrolarem assim como fazer contato com outros seres humanos.

Reflexões filosóficas a parte, ir ao cinema é divertido.

"Eu ainda amo o espírito do escurinho do cinema", disse Marcus Leab, um professor colegial de inglês de Robbinsdale, Minnesota. "Quando a platéia suspira coletivamente em um momento empolgante ou quando todos riem em um momento engraçado, todos estão ligados por aquele momento, e isto faz a experiência valer a pena."

Alguns apenas desejam se conectar à pessoa amada.

Para Lina Broydo, 57 anos, uma funcionária de relações públicas de um hotel, de Los Altos, Califórnia, os filmes oferecem uma chance de ligação com seu marido.

"É um programa semanal que ambos apreciamos pela duração destas poucas horas que passamos juntos, longe do mundo de estresse, pressa, celulares e congestionamento. Ele coloca o braço ao meu redor, segura minha mão, e estas duas horas são passadas na tranqüilidade e na fantasia do mundo da tela grande, assim como um pouco de tempo para o afeto. Como é possível comparar isto a um marido roncando diante do DVD, de pijama e com um saco de batata frita esparramado no sofá?"

Outros desenvolveram uma paixão desde cedo pelo cinema, graças a seus pais cinéfilos.

"Meu pai era um grande fã de cinema e me transformou em um também", disse Alfred Medeiros, 45 anos, um humorista que vive em Boca Raton, Flórida. "A melhor noite de que me lembro nos cinemas foi a noite em que fomos ver 'Banzé no Oeste'. Éramos apenas meu pai, meu irmão Danny e eu."

"Obrigado, Mel Brooks, do fundo do meu coração. Eu nunca vi meu pai rir tanto em sua vida, e apesar de ele ter falecido em 1980, eu ainda posso fechar meus olhos e vê-lo sentado naquele cinema ao meu lado, segurando o estômago, buscando ar de tanto rir, lágrimas escorrendo em suas bochechas. Isso ainda me faz sorrir."

Pais e avós consideram o cinema local como um lugar ideal para criar lembranças duradouras.

"DVDs são legais, mas não há nada melhor do que a tela grande", disse Jack Jernigan, 43 anos, um consultor de Old Hickory, Tennessee. "Quando meus filhos eram alguns anos mais novos, minha esposa e eu os levamos para assistir 'A Bela e a Fera' no Imax. Eles ficaram empolgados com a experiência: os personagens maiores que a vida, os detalhes, a magia de tudo."

"Home theater não é o mesmo. A TV nunca é grande o bastante, e há algo no cheiro de pipoca fresca e no sabor de uma Diet Coke com bastante gelo no copo de papel e com canudinho."

Pat Merkner, 66 anos, uma professora aposentada de Buford, Geórgia, transformou seu programa semanal de sexta-feira à noite, com seu marido há 46 anos, em uma "Noite de Sexta Divertida" especial com a neta deles de 8 anos. Mais recentemente, eles assistiram à "Fantástica Fábrica de Chocolate".

"Nós assistimos a todos os filmes para família que foram lançados neste verão", disse Merkner. "Meus avós costumavam me levar ao cinema em Chicago, e me tornei apaixonada por cinema. Agora nossa neta também é fanática por cinema. Este é o nosso grande programa. Nós não gostamos de alugar filmes. Nós sempre saímos para assistir a um novo filme uma vez por semana."

Reclamações

Mas para muitas pessoas, o preço da pipoca é uma das coisas mais irritantes nos cinemas. As pessoas se queixam de que:

  • O preço das guloseimas é muito caro. "Infelizmente, o hábito de ir ao cinema tem sido arruinado pelas salas com seus videogames barulhentos, doces de tamanho ridículo e lanches como nachos, picles e picolés, todos com preços ultrajantes", disse Mary Denny, 62 anos, uma diretora associada de relações públicas da Universidade Trinity, em San Antonio.

    "Todavia, eles parecem atrair um número excessivo de jovens tatuados e com piercing, com filmes que parecem ter trocado trama e bom diálogo por violência gratuita e efeitos especiais cada vez mais bizarros."

  • Para alguns, o cinema é barulhento demais. Outros dizem que a tecnologia para deficientes auditivos nem sempre funciona. Larry Kavanaugh, 55 anos, de Davenport, Flórida, um apresentador de nova tecnologia no Epcot Center, disse:

    "Aqueles de nós com perda severa de audição não conseguem entender o diálogo e são forçados a inventar uma história para acompanhar as imagens. Os cinemas são obrigados a ter Sistemas de Auxílio a Audição, que geralmente não funcionam. Nós passamos metade do filme correndo para o saguão para que se sejam consertados, ou sofremos silenciosamente e jogamos fora os US$ 8 do ingresso. Meu home theater com TV de alta definição e som surround terá que ser suficiente".

  • Alguns freqüentadores são irritantes. "Sem falha, sempre haverá uma ou duas pessoas perto de mim comentando sem parar", disse Mary Helfrick, 34 anos, uma funcionária de contabilidade de Sacramento. "Pessoal! Esta não é sua sala de estar."

    Alguns dizem que evitam filmes barulhentos e aliviam o fardo financeiro lotando o carro e seguindo para um drive-in --mas restam apenas uns 400 drive-in em funcionamento.

    "O cinema drive-in oferece uma atmosfera social maravilhosa onde você pode optar por se sentar do lado de fora em uma cadeira dobrável, assistindo os filmes sob o céu estrelado, ou desfrutar do interior do seu carro", disse Mark Bialek, 44 anos, de Baltimore, presidente do fã clube de cinemas drive-in.

    "O custo do ingresso (geralmente US$ 7 ou US$ 8 para adultos, gratuito para crianças com menos de 12) torna a ida a eles mais atraente: além disso, você assiste dois ou três filmes com o mesmo ingresso."

    E apesar das queixas, as pessoas continuam desfrutando dos filmes como experiência coletiva.

    "A cada segunda sexta-feira do mês, eu e cerca de 15 amigos nos encontramos para o Grupo de Almoço e Cinema", disse Madonna Allread, 56 anos, uma ex-professora de Centerville, Ohio.

    "Nós levamos o jornal de sexta-feira e escolhemos um filme durante o almoço. Nós adoramos comentar as críticas e decidimos o que assistir. Nós todos adoramos filmes, e desta forma nós todos vamos em grupo. Nós choramos, rimos e aplaudimos. É o melhor."

    Sobre os preços e propagandas

    Coisas que irritam os freqüentadores de cinema e que não mudarão:

  • O custo dos alimentos

    "Os donos de cinemas ganham mais dinheiro com as guloseimas porque dividem um percentual substancial da receita de bilheteria com os estúdios", disse Kendrick Macdowell, advogada geral da Associação Nacional dos Donos de Cinema.

    A receita funciona de forma progressiva. "Quanto mais o filme fica em cartaz, maior o percentual recebido pelas salas", disse Macdowell. Mas cada vez mais, os filmes não ficam em cartaz muito tempo. "Se não fossem pelas guloseimas, nós provavelmente não seríamos um setor viável."

  • Preço dos ingressos

    O preço médio dos ingressos, incluindo matinês e ingressos para idosos e crianças, é de US$ 6. "O preço do cinema subiu menos do que eventos esportivos, concertos e peças da Broadway", disse Macdowell.

  • Propagandas

    "É uma fonte de receita fundamental para nossa vitalidade como indústria. Além disso, você tem um público naturalmente segmentado, cortesia do sistema de classificação." Mas Macdowell destaca a necessidade de uma abordagem mais criativa para a propaganda.

    *Colaboraram Sarah Bailey e Justin Dickerson. Cinema ou home theater? Nostalgia e conforto determinam escolhas George El Khouri Andolfato
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