Maioria dos americanos sente-se vulnerável, aponta pesquisa Gallup

Richard Benedetto
Em Washington

Uma maioria sem precedente, de 57%, afirma que a guerra tornou os Estados Unidos mais vulneráveis ao terrorismo. Há muito, a administração Bush vem argumentando que a justificativa-chave da invasão do Iraque é tornar os Estados Unidos mais seguros em relação a ataques terroristas. Uma nova minoria, de 34%, afirma que a guerra tornou o país mais seguro.

A pesquisa, que entrevistou 1.004 adultos de sexta-feira (5/8) até domingo (7), também apurou que um terço das pessoas consultadas consideram que os Estados Unidos deveriam retirar todas as suas tropas do Iraque, o que representa um novo aumento do número de pessoas que defendem este ponto de vista. A proporção das pessoas que apóiam a manutenção do contingente nos níveis atuais ou que preconizam enviar mais soldados também aumentou um pouco, passando para 41%.

G. Terry Madonna, um pesquisador e especialista em opinião da faculdade Franklin e Marshall, em Lancaster, na Pensilvânia, avalia que o apoio à guerra vem sendo corroído em grande parte pelo fato de o público não enxergar qualquer perspectiva de fim do envolvimento militar americano.

"Não dá para continuar suportando mês após mês esta situação sem ver surgir nenhum sinal de progresso nem qualquer indício de que as tropas iraquianas sejam capazes de se defender. Num quadro como este, é lógico ver surgir uma deterioração das atitudes do público em relação à guerra", explica este pesquisador.

"Já se passaram sete meses desde as eleições no Iraque, e, na sua grande maioria, as notícias desde então têm sido ruins".

Indagados a respeito da evolução do conflito, 56% disseram que a guerra estava indo da mal a pior, enquanto 43% disseram que ela vai bem.

James Thurber, um cientista político da American University, afirma por sua vez que a deterioração da opinião pública em relação à guerra está ajudando a induzir uma mudança na política da administração que poderia resultar na definição de um cronograma para a retirada das tropas.

"É importante para a Constituição do Iraque e para as eleições mantermos nossos compromissos, mas se o número de baixas continuar a crescer, isso provocará uma pressão bem maior em favor de uma mudança de política", diz Thurber. O comitê iraquiano encarregado de redigir uma Constituição está vivendo uma contagem regressiva, uma vez que o seu prazo é de menos de uma semana, já que o novo texto precisa ser entregue na próxima segunda-feira (15).

Os democratas utilizaram rapidamente as notícias sombrias da semana passada, que deram conta da morte de 14 Marines num único atentado à bomba à beira de uma estrada para reiterar seus apelos ao presidente Bush para que ele apresente "um plano claro" sobre a situação no Iraque. "O presidente precisa responder certas perguntas", declarou Howard Dean, o presidente do Comitê Nacional Democrata, numa nota.

Por sua vez, o analista de pesquisas republicano Whitfield Ayres estima que as atitudes do público em relação à guerra aquecem ou esfriam, dependendo das manchetes. "Se uma Constituição for adotada e um governo democrático for instalado, esses números mudarão mais uma vez", diz.

Uma maioria de 54% dos entrevistados afirma que a guerra no Iraque foi um erro. O seu número cresceu na mesma proporção que o pico que havia sido registrado no verão passado, quando os ataques das forças da insurreição estavam aumentando. A mesma proporção afirmou também que esta guerra "não vale a pena". Uma maioria de americanos tem defendido esta opinião desde outubro passado.

Entre os entrevistados, os habitantes da Costa Leste foram mais numerosos a dizer que a guerra não tornou os Estados Unidos mais seguros. Foram os que moram no Sul que mais tenderam a dizer que ela tornou o país mais seguro.

A pesquisa também apurou que a aprovação de Bush e de sua gestão se mantém estacionária, a 45%, próxima do seu nível mais baixo, de 44%, registrado no mês passado. Atitude em relação à guerra no Iraque está cada vez mais negativa Jean-Yves de Neufville

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