Políticos que deixam seus cargos para disputar eleições são um perigo para a república

Chuck Raasch
Comentarista de política
Em Washington

Imagine que você assuma um emprego e passe grande parte do seu tempo procurando abertamente conseguir um outro. Quanto tempo o seu patrão aturaria isso?

Porém, mais do que nunca, os contribuintes --os "patrões"-- estão sendo solicitados a aturar as ambições políticas das autoridades que elegeram. Mais de três anos antes da próxima eleição presidencial, pelo menos doze senadores e governadores já visitam Estados nos quais serão realizadas eleições primárias, arrecadam verbas, fazem discursos e dão entrevistas de olho em 2008.

E isso sem contar aqueles favoritos cuja notoriedade e reconhecimento permitem que sejam mais discretos: a senadora Hillary Rodham Clinton, democrata por Nova York, o ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, que é republicano, e o senador John McCain, republicano do Arizona.

Os candidatos a candidatos de 2008 estão "pulando" as eleições de 2006, que poderiam ser as mais importantes disputas congressuais da década. Se o impasse no Iraque continuar, 2006 poderá ser um referendo sobre a presidência de George W. Bush que proporcionaria aos democratas a sua melhor chance em um longo período de retomar a Câmara e o Senado. Mas se a situação no Iraque melhorasse, o fato poderia ser bom para Bush e seu partido.

Pré-candidaturas presidenciais prematuras são meramente negócios para institutos de pesquisas e analistas. Mas elas são uma má notícia para o país porque:

  • desviam os funcionários públicos das questões importantes do presente --a guerra contra o terrorismo, nomeações para a Suprema Corte, o aumento dos custos da energia e os temores quanto à segurança doméstica.

  • contribuem para criar cenários eleitorais nos quais os eleitores reclamam que não contam com escolhas nítidas e focadas para presidente. Ao começarem cada vez mais prematuramente, as campanhas se parecem cada dia mais com marchas forçadas, e os candidatos lembram meros sobreviventes esgotados quando os eleitores começam a prestar atenção neles.

  • até 2008, o mundo poderá ser drasticamente diferente, exigindo requisitos para liderança que hoje são irrelevantes ou desconhecidos.

    Pensem em agosto de 2001. Assim como hoje, aquela data estava a mais de 38 meses da próxima eleição presidencial. Não havíamos passado pelo 11 de setembro, pelas guerras no Afeganistão e no Iraque, ou pela ameaça terrorista global que se tornou real em Madri, Bali e Londres.

    A grande disputa política em agosto de 2001 dizia respeito ao anúncio do presidente Bush de que limitaria as verbas federais para as pesquisas com células-tronco. Quem poderia prever que a próxima eleição presidencial seria dominada pelas questões de política externa e de segurança?

    Uma eleição parlamentar especial em Ohio no início deste mês deveria ter sido um toque de despertar para quem espera a manutenção do status quo de 2006. Em um dos distritos mais conservadores de Ohio --um distrito no qual Bush obteve 64% dos votos na eleição de 2004-- um veterano democrata da guerra do Iraque que criticou duramente as políticas de Bush quase venceu a eleição.

    Democratas de todo o país, que responderam aos pedidos feitos pela Internet despejando dezenas de dólares na campanha de Paul Hackett, vêem este candidato como um protótipo da recuperação do controle do Congresso em 2006.

    Os republicanos que podem ter pensado que seria impossível perder a Câmara e o Senado no ano que vem, devido às vantagens intrínsecas ao fato de já estarem no poder, precisam agora repensar sua estratégia. Se a história servir como guia, a campanha de Hackett ajudará os democratas a recrutar melhores candidatos em 2006.

    Todo o cenário político presidencial para 2008 poderá mudar em novembro de 2006. Se os republicanos perderem qualquer das duas casas do Congresso, poderão buscar uma figura de fora do atual cenário político para recuperar o poder.

    Os democratas poderiam ver novos astros emergindo dos sucessos de 2006. Por outro lado, se eles não obtiverem cadeiras em um momento oportuno, a repulsa pelo partido nacional poderia fazer com que surgisse em cena uma figura externa que faria com que os gritos de Howard Dean soassem como sussurros.

    Há maneiras de conter a campanha permanente. Em algo semelhante a um horário de verão para políticos, basta adiantar o relógio das primárias para junho de um ano eleitoral. E fazer com que grupos de cidadãos peçam aos candidatos que assinem contratos legais se comprometendo a cumprir até o fim os mandatos que disputaram. Proibir a arrecadação de verbas para qualquer campanha presidencial enquanto o Congresso estiver em sessão. Elevar os limites de contribuição para os candidatos presidenciais, o que reduziria a necessidade de estes se engajarem em missões de vários anos para arrecadarem milhões de dólares. Exigir a declaração mais completa e imediata dos doadores, reduzindo as preocupações quanto à possibilidade de magnatas comprarem secretamente as eleições. E reduzir os custos crescentes das campanhas ao exigir que as estações de TV forneçam mais tempo gratuito a possíveis candidatos. Democratas e republicanos ignoram 2006 e só pensam em 2008 Danilo Fonseca
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