Abusos contra mulheres nas academias militares

Steven Komarow
Em Washington

Há uma cultura que desvaloriza as mulheres em uniforme e tolera estupro e abuso sexual nas academias da Marinha e do Exército, segundo um relatório de uma força-tarefa do Pentágono, divulgado nesta quinta-feira (25/08).

"Quando as mulheres são desvalorizadas, aumenta a probabilidade de abusos e até mesmo comportamento impróprio", disse uma comissão de oficiais militares e especialistas civis. Ela propõe uma ação abrangente, desde uma melhor seleção na admissão até uma reforma das antiquadas leis militares para estupro.

O Congresso ordenou uma avaliação das academias da Marinha e do Exército após uma investigação na academia da Força Aérea, em 2003, ter revelado que ataques sexuais faziam "parte da vida" das cadetes. A investigação ocorreu após quase 150 mulheres terem se manifestado para dizer que foram atacadas por outros cadetes entre 1993 e 2003.

O relatório de quinta-feira elogiou os líderes do Exército e da Marinha por tratarem a questão com seriedade, mas disse que os serviços precisam fazer mais.

O relatório citou dados de 2004 do Pentágono, que mostram que 50% das mulheres em todas as três academias já foram importunadas, em grande parte verbalmente, com dezenas sofrendo abuso físico. A tolerância a "atitudes hostis e ações impróprias para com as mulheres" continua "a impedir o estabelecimento de um ambiente seguro e profissional", disse o relatório.

"Eu não estou nem um pouco surpresa, lamento dizer", disse a general de brigada aposentada da Força Aérea, Wilma Vaught, presidente da Mulheres no Serviço Militar da America Memorial Foundation. "Eu não sei o que temos que fazer para colocar um fim" aos abusos cometidos contra mulheres por alguns de seus colegas do sexo masculino.

Entre mais de quatro dúzias de recomendações:

  • Conseqüências mais severas para os homens que cometem abusos ou toleram abusos, ou que abusam de álcool, um grande fator no abuso. O sistema de lealdade dos pares, que desencoraja a denúncia, deve ser mudado, diz uma recomendação.

  • Aumentar o número de mulheres nos corpos docentes e entidades estudantis. Cerca de 15% dos cadetes e aspirantes são do sexo feminino.

  • Exigir dos calouros a apresentação do histórico escolar, que mostraria problemas de comportamento.

  • Aprovação de leis criminais de estupro para os militares semelhantes às de muitos Estados. As atuais leis militares "não refletem a amplitude da má conduta sexual contemporânea", incluindo casos que não envolvem força física.

  • Dar aos comandantes maior autoridade para fechar as portas de audiências criminais, para proteger o acusador da exposição pública e conseqüentemente encorajar a denúncia.

  • Adicionar a história das mulheres em uniforme ao currículo, incluindo o motivo para as mulheres serem excluídas de combate.

    Tal exclusão deve acabar, disse Vaught.

    "Nós todos prestamos o mesmo juramento. Nós recebemos o mesmo pagamento", disse ela. "Nós devemos liberar os comandantes para que usem suas tropas da forma que devem em tempos de combate", disse ela, acrescentando que isto já acontece no Iraque e no Afeganistão. Relatório do Pentágono propõe pacote de medidas contra violência George El Khouri Andolfato
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