Gasolina e Iraque deixam baixa aprovação a Bush

Susan Page
Em Washington

O presidente Bush voltou à capital na quarta-feira (31/08), depois de um mês de férias. Em sua agenda, grandes problemas --desde os preços recordes de gasolina até a incessante guerrilha no Iraque-- e a queda dos índices de aprovação do tratamento que dá a essas questões.

Uma pesquisa do grupo USA Today/CNN/Gallup, desenvolvida de domingo até esta terça-feira, mostra que as baixas no exterior e a incerteza econômica pesaram nas avaliações do público. Bush está com os índices mais baixos de seu mandato nas questões de economia e saúde, e o mesmo índice em relação ao Iraque que teve em sua última queda.

Três em cada quatro americanos reprova a forma como tratou a questão dos preços da gasolina, que devem aumentar ainda mais depois do furacão Katrina.

"É uma combinação de cansaço com o Iraque, preocupação com o preço da gasolina, temores diante da fuga dos empregos para o exterior e outros fatores que levam as pessoas a ficarem pessimistas", disse Whit Ayres, que analisa pesquisas de opinião para os republicanos. "E quando as pessoas estão para baixo, descontam no sujeito que está no comando."

Seis em cada 10 americanos reprovam a forma como Bush está lidando com a economia, saúde e Iraque. A única questão em que tem aprovação é o terrorismo, uma área forte desde os ataques de 11 de setembro, há quase quatro anos.

"É o oposto do Teflon", disse Steven Schier, cientista político no Carleton College em Northfield, Minnesota. "Do que podemos chamar isso? Velcro? O presidente Bush ultimamente tem sido um presidente Velcro."

O índice de aprovação geral de Bush está em 45%, o que representa uma retomada desde a semana passada, quando teve seu pior índice, de 40%, na pesquisa do Gallup. Mesmo assim, é pior do que qualquer outro presidente moderno teve nesta altura em um segundo mandato, exceto Richard Nixon, que na época estava mergulhado no escândalo do Watergate.

No entanto, Ayres observa que Bush é o primeiro presidente desde John Kennedy que nunca caiu abaixo de 40% no Gallup.

A pesquisa entrevistou 1.007 adultos, 32% republicanos, 35% democratas e 32% independentes. A margem de erro foi de mais ou menos três pontos percentuais.

O índice de aprovação do presidente pode ter mais efeitos do que prejudicar seu humor. A reprovação da população pode dar mais força aos críticos da guerra e dificultar o processo de persuadir membros do Congresso a adotar sua proposta em uma reforma geral na cobrança de impostos que pretende revelar neste outono.

"Com os índices caindo, fica mais difícil aprovar os programas em Washington", disse Schier.

Em ao menos um ponto de luz para a Casa Branca, a publicidade em torno do protesto de Cindy Sheehan, mãe de um soldado morto no Iraque, não está gerando um grande movimento contra a guerra.

Enquanto 13% dizem que sua causa aumentou a possibilidade de se envolverem em movimentos contra a guerra, 12%, dizem que ela os fez defender mais a guerra.

Por outro lado, os discursos apaixonados de Bush nas últimas semanas não conseguiram ampliar o apoio à guerra. A maioria, 53%, diz que a invasão foi um erro. Isso representa uma mudança insignificante dos 54% do início de agosto. Pesquisa aponta que 45% dos americanos apóiam o seu governo Deborah Weinberg

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