Katrina traz outro momento pós-11 de setembro

Chuck Raasch
Colunista político
Em Washington

Há um momento em "Independence Day", um filme fora isto sentimentalóide, em que todas as facções em disputa na Terra percebem que elas têm uma luta muito maior com uma bolha assassina alienígena que repentinamente bloqueia o sol e começa a devastar cidades.

Um momento de clareza global se segue, uma compreensão do que vale realmente a pena combater, o que realmente merece preocupação. No filme, pessoas de todas as raças e formações são mostradas olhando para o céu para uma ameaça comum a todas.

Em tempos marcados por violência étnica e religiosa, insensibilizados por fiéis deturpados dispostos a aterrorizar e matar outros sem respeito por sua própria humanidade, nós mesmos não estamos perto de um Dia da Independência verdadeiro. Mas desastres como o furacão Katrina --o tsunami americano-- tocam os sentimentos básicos de sobrevivência, misericórdia e assistência que ainda são compartilhados por todos exceto as almas humanas mais endurecidas.

À medida que a ciência avança e a população cresce, à medida que pessoas vivem em locais que sabem que são ameaçados por furacões, terremotos ou tsunamis, nós poderemos ter que redefinir o que é um desastre natural --e qual é o devido papel do governo na resposta a eles. Há um questionamento legítimo sobre pessoas que não querem ou não podem responder à ordens de evacuação obrigatórias.

Mas após assistir pessoas sofrendo no rastro do Katrina, quatro anos depois de 11 de setembro, é difícil deixar de avaliar nossas brigas triviais.

Mais do que qualquer outro momento desde 11 de setembro --com exceção dos saques e outros momentos de anarquia-- a maioria dos americanos está concentrada em algo que não os divide: ajudar cidades inteiras, milhares de pessoas traumatizadas, em uma estrada rumo a uma longa recuperação.

Os presidentes dos comitês nacionais democrata e republicano, que estavam se engalfinhando em torno de coisas como as indicações para a Suprema Corte, estão pendido para que seus simpatizantes doem generosamente para as caridades de ajuda.

Colocando um contexto desacorrentado à magnitude do desastre, George W. Bush usou uma linguagem que lembrava seus discursos pós-11 de setembro.

"Esta será uma estrada difícil", disse o presidente após sobrevoar os inundados sul da Louisiana e Mississippi. "Os desafios que enfrentamos em solo são sem precedentes. Mas não há dúvida na minha mente de que vamos ser bem-sucedidos. No momento, os dias parecem terrivelmente sombrios para os afetados, eu entendo isto. Mas estou confiante de que, com o tempo, vocês terão sua vida de volta em ordem, novas comunidades vão florescer, a grande cidade de Nova Orleans estará em pé novamente, e a América será um lugar mais forte por isto."

Substitua "Nova Orleans" por "Nova York" e isto poderia ser setembro de 2001. Se Bush tem uma qualidade, é sua capacidade de demonstrar resolução nas horas sombrias e disposição de falar francamente sobre os custos, benefícios e a necessidade de perseverança. Ele parece acreditar firmemente que as provações que as pessoas enfrentam as tornam mais fortes e melhores. Um teste chave de liderança em uma era de calamidade é se manter firme como um exemplo para os outros.

Bush e outros líderes --especialmente os governadores dos Estados afetados-- precisarão exibir ação, resolução e espírito nos próximos dias e além.

Vendo os relatos de saques disseminados, ouvindo os alertas sobre golpistas tentando explorar a generosidade americana, é difícil se manter concentrado nos heróis que ainda existem.

Mas lá estão eles: eles estão abrindo caminho com machadinhas nos telhados para resgatar pessoas presas em seus sótãos pela ascensão das águas. Você os vê nos pilotos de helicóptero realizando missões de resgate em meio a ventos em redemoinho, nos policiais e pessoas comuns nadando em águas tóxicas para resgatar pessoas ilhadas. Você os vê nos jornalistas que estão arriscando sua vida e saúde para contar a história.

Misericórdia e bondade ainda prevalecem. Você as vê na corrida atropelada para ajudar, com os americanos abrindo seus bolsos para mais outro esforço de alívio a um desastre. Você as vê nas equipes de resgate que convergem para as piscinas nauseantes de morte do Mississippi e da Louisiana.

Um século e meio atrás, Tocqueville rotulou os americanos como congregadores incorrigíveis, como românticos comunitários. Após o Katrina e outros desastres, a comunidade americana simplesmente se expande. Reação a tragédias pode despertar o que há de melhor nos EUA George El Khouri Andolfato

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