Após 4 anos, o que o 11 de setembro nos deixou

Chuck Raasch
Colunista político
Em Washington

Setembro é o melhor mês de Washington. A umidade vai embora, e os dias se tornam gloriosamente quentes e convidativos.

E todos os dias assim me fazem lembrar de 11 de setembro.

No domingo, vai fazer quatro anos desde aquele outro belo dia. O céu tinha um tom perfeito de azul divino; a temperatura estava amena. A manhã estava tão agradável que as ruas iam ficar cheias de pessoas passeando na hora do almoço.

E aí veio a tragédia. Choveram destroços do Pentágono no carro de uma colega que estava a caminho do trabalho, justo quando o avião seqüestrado caiu. Os jornalistas que se dirigiram para a Casa Branca --contra uma corrente humana aterrorizada correndo em todas as direções-- estavam seguindo rumores fantasiosos de que o Departamento de Estado tinha sido atingido por um carro-bomba e vários aviões estavam caindo na cidade.

Eu ainda me lembro de um homem que andava de bicicleta pela multidão gritando que os EUA estavam recebendo pagamento por tudo que fizeram. Os policiais o detiveram, revistaram sua mochila e depois o deixaram partir. Duvido que deixariam hoje.

Uma cortina de fumaça negra do Pentágono repentinamente manchou aquele céu azul perfeito.

Neste quarto aniversário dos ataques terroristas de 11 de setembro, enquanto a nação se recupera do golpe devastador do furacão Katrina na Costa do Golfo, o que aprendemos?

Para aliviar os efeitos do Katrina, os americanos mais que dobraram o ritmo de doações depois de 11 de setembro, mas será que melhoramos como nação? Ou será essa última rodada de caridade meramente episódica, uma resposta imediata ao sofrimento visto na televisão, que depois será esquecida?

Haverá tal coisa?

Quatro anos depois de 11 de setembro, quatro verdades inegáveis sobrevivem aos ataques terroristas:

Não somos mais uma ilha

As ameaças que enfrentamos não são de grandes exércitos reunidos em continentes estrangeiros ou mísseis nucleares enterrados nas estepes russas. O maior dano pode vir daquilo que não conhecemos --de células terroristas internas, dos desgostosos e ignorados. Na medida em que reconhecemos as novas ameaças, aprendemos. Mas não sabemos se as ameaças são maiores hoje do que eram há quatro anos.

A ciência, por si só, não pode nos salvar

Graças aos satélites, vimos a calamidade do Katrina se desenvolvendo durante dias, mas mesmo assim estávamos despreparados, desde os governos locais até a Casa Branca. Em uma previsão assustadoramente precisa, o jornal "The New Orleans Times-Picayune" disse aos seus leitores há três anos que isso ia acontecer, baseando suas conclusões em pesquisas científicas e programas de computadores.

Mesmo assim aconteceu, porque os dirigentes não quiseram pedir os sacrifícios que seriam necessários para diminuir a ameaça, e porque muitos americanos acreditam que o governo deveria de alguma forma eliminar todo o risco em suas vidas.

A imagem dos EUA no mundo não é o que pensamos

Nós sabemos ser gentis, generosos e compassivos, especialmente em momentos como este. Mais do que em outros lugares, os americanos reconhecem e debatem as falhas de seu caráter nacional --por exemplo, nas relações raciais e na existência de uma classe pobre que não condiz com uma grande nação.

Em geral, não nos matamos em nome da religião, não toleramos líderes que se mantêm no poder à força e não delegamos às mulheres uma cidadania de segunda classe, como em outros lugares e culturas.

Então, por que somos tão vilipendiados, mesmo entre amigos de longa data, como os franceses, canadenses e filipinos? Uma razão: nossas exportações culturais --filmes, música, livros-- são mais violentos, auto-indulgentes e vazios do que a realidade da maior parte das vidas americanas.

E as idiotices ocasionais dos ícones religiosos e culturais dos EUA --o tele-evangelista Pat Robertson é o mais recente exemplo-- distorcem os caminhos de fé mais discretos da maior parte dos americanos.

As demandas sobre os dirigentes nunca foram tão altas

Será que Roosevelt teria conseguido guiar a nação pela depressão e a guerra se enfrentasse pesquisas diárias sobre sua popularidade, ou tivesse sua pólio totalmente exposta? Será que Lincoln teria conseguido manter o país unido por quatro anos de Guerra Civil, se tivesse grupos de interesses diferentes constantemente chamando o esforço de guerra de fracasso?

George W. Bush é um exemplo dos perigos para os dirigentes modernos. O presidente atingiu recordes de popularidade quando se firmou após 11 de setembro. Mas sua popularidade desabou depois do Katrina, porque ele e seu governo não responderam tão rapidamente quanto deveriam, apesar de haver muitos culpados.

Enquanto uns acusam os outros --e esse jogo é característico de Washington-- os líderes que se saem melhor são os que compreendem que nunca são tão bons quanto seus melhores índices nem tão ruins quanto seus piores. Quatro verdades inegáveis ficam com uma dura lição dos atentados Deborah Weinberg

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