Escândalo abala republicanos, mas vazio de liderança ameaça ambos os partidos

Chuck Raasch
Comentarista político
Em Washington

A revolução republicana terminou?

Talvez, se novas acusações éticas aos líderes republicanos no Congresso minarem sua capacidade de manter a maioria unida nas próximas batalhas sobre impostos, imigração, socorro às vítimas do furacão e gastos federais.

Os republicanos vão perder o controle do Congresso em 2006? Não aposte nisso.

Esses não são necessariamente resultados conflitantes na atmosfera política de hoje. Existe um ditado no esporte: Você não pode vencer alguém com ninguém. E neste momento existe um vazio de liderança nos dois partidos políticos no Congresso.

Há uma diferença significativa de 1994, quando os republicanos, pela primeira vez em 40 anos, tiraram o controle do Congresso dos democratas, que haviam sido abalados cinco anos antes por denúncias éticas ao ex-presidente da Câmara, Jim Wright, do Texas, e um confuso escândalo de cheques na Câmara.

Os republicanos tiveram enormes vantagens não apenas capitalizando sobre isso, mas também oferecendo um "Contrato com a América" --um conjunto de promessas por escrito sobre reforma política, gastos federais, impostos e outras questões.

O Partido Republicano era liderado então por uma brigada de membros ousados e polêmicos, inspirados pelo futurista Newt Gingrich e concentrados pelo ex-presidente do Comitê Nacional Republicano Haley Barbour, um autêntico conservador. Ambos estão há muito tempo afastados das lutas do Capitólio. Gingrich faz palestras e Barbour recebe elogios como governador do Mississípi, assolado pelos furacões. Mas seus papéis em 94 fazem um nítido contraste com os líderes democratas de hoje.

Nenhum democrata chegou perto de articular uma versão própria do "Contrato com a América". Sim, eles bloquearam por enquanto a iniciativa do presidente Bush para reformar a previdência social. Mas na batalha, o presidente conseguiu convencer muitos americanos de que alguma coisa deve ser feita ou o sistema irá à falência. E qual é o plano dos democratas?

Sim, a guerra no Iraque não está indo bem como Bush previa quando fez a maioria do Congresso, incluindo os democratas, concordar com ele sobre a suposta ameaça de Saddam Hussein. Qual é o plano dos democratas daqui para a frente?

Na verdade, num momento em que os republicanos têm seus próprios problemas, muitas vezes parece que os democratas estão satisfeitos em ser o partido de oposição, simplesmente apreciando as dificuldades dos republicanos. Isso não basta para ser uma alternativa ousada e fidedigna à maioria republicana.

Essa crítica não é nova; ela foi fonte de muita consternação entre os eleitores indecisos na eleição presidencial de 2004.

Essa ruptura de liderança em duas frentes não poderia ter ocorrido em um momento mais desafiador para os americanos, que coletivamente enfrentam os enormes custos da limpeza dos furacões devastadores, uma guerra dispendiosa e cada vez menos popular no Iraque e a possibilidade de novas batalhas culturais em uma nova indicação para a Suprema Corte.

Mas não se enganem: os problemas da liderança republicana de repente ficaram sérios.

Os democratas promoveram a acusação do líder da maioria na Câmara, Tom DeLay, num caso de financiamento de campanha no Texas, como o fim da revolução republicana. DeLay disse que a acusação é uma vingança política do promotor democrata Ronnie Earle, que DeLay chamou de "zelote político sem-vergonha". Essa é a política dura do Texas em seu pior aspecto.

Os democratas estão corretos quando dizem que uma revolução feita principalmente em torno de livrar Washington da corrupção e do favoritismo não pode se sustentar quando dois dos principais líderes republicanos são contestados eticamente.

A denúncia contra DeLay surgiu depois de revelações de que o líder republicano no Senado, Bill Frist, está sendo investigado pela venda de ações da HCA Inc., a gigantesca rede de hospitais fundada por sua família, um mês antes de os preços das ações despencarem quase 9% devido a um boletim de lucros fraco.

Os desafios éticos dos republicanos não terminam aí. Jack Abramoff, um poderoso lobista republicano ligado a DeLay, teria fraudado tribos indígenas em milhões de dólares. David Safavian, um oficial de compras da Casa Branca, foi indiciado recentemente por dar falsos depoimentos a investigadores federais sobre uma viagem para jogar golfe com Abramoff na Escócia três anos atrás. Até seu indiciamento, Safavian ajudou a definir as políticas de compras do governo federal.

Depois do indiciamento de DeLay, o presidente do Comitê Nacional Democrata, Howard Dean, fez um comunicado à imprensa dizendo: "Simplesmente devemos mudar a maneira de fazer as coisas em Washington".

Como? Sejam específicos, por favor. Emprestando uma frase do velho democrata Walter Mondale, que ele mesmo emprestou de um famoso anúncio de hambúrguer, "Onde está a carne?" Democratas não têm projeto alternativo para aproveitar o momento Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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