Bush enfrenta mais do que amigos encrencados

Chuck Raasch
Comentarista político
Em Washington

Mesmo que não haja o indiciamento de altos assessores da Casa Branca na investigação sobre o vazamento na CIA, o presidente Bush ainda enfrenta um caminho difícil. Seu maior problema em longo prazo não é a corrupção, mas questões de favoritismo e competência.

Acontecimentos confluentes empurraram o índice de aprovação de Bush ao ponto mais baixo de sua presidência. Pela primeira vez ele poderá prejudicar outros republicanos nas eleições para o Congresso no próximo ano.

Conservadores e liberais consideraram sua nomeação da advogada da Casa Branca Harriett Miers para a Suprema Corte um favorecimento. Bush e Miers são amigos e têm uma relação de cliente e advogada há mais de uma década.

Os maiores aliados potenciais do presidente na luta pela nomeação de Miers foram conservadores que procuravam uma indicada com um histórico judicial conservador facilmente identificável. Mas muitos desses conservadores foram os menos entusiastas sobre a opção de Bush.

Grover Norquist, líder dos Americanos pela Reforma Fiscal e um aliado do governo, disse que daria a Miers nota 8 em uma escala de 10. Mas ele e muitos outros ativistas conservadores acreditam que havia vários 10 que Bush poderia ter escolhido, disse Norquist.

A nomeação de Miers é um teste de competência crucial para os três anos restantes do mandato de Bush. O presidente já enfrenta os escândalos que cercam o ex-líder da maioria na Câmara, Tom DeLay, e o fracasso de sua principal iniciativa interna, a reforma da previdência social, disse o veterano estrategista republicano Ed Rollins.

Se perder a batalha da confirmação de Miers pelo Senado, Rollins prevê que Bush "poderia começar a fazer as malas e voltar para Crawford". Bush deveria se enfocar totalmente na aprovação de Miers, disse Rollins, que foi assessor de Ronald Reagan, em um fórum nesta quarta-feira patrocinado pelo serviço de notícias políticas Hotline, na Internet.

O índice de aprovação de 39% de Bush na última pesquisa USA TODAY/CNN/Gallup é o mais baixo de sua presidência. Uma pesquisa separada da Hotline deu provas de por que a aprovação de Bush caiu tão drasticamente.

Simbolicamente, a reação retardada de seu governo ao furacão Katrina, quase dois meses atrás, foi relacionada a uma verdadeira questão de bolso: os preços da gasolina. É aí que a questão da competência foi tão devastadora.

Talvez não seja justo --nenhum presidente poderia ter impedido o impacto devastador do furacão sobre a indústria de energia na costa do Golfo--, mas a maior parte dos problemas de Bush derivam da gasolina a US$ 3 o galão [US$ 0,79 o litro, ou R$ 1,76] depois da catástrofe.

Como Bush obteve notas tão baixas pela maneira como seu governo reagiu à tempestade, os preços tornaram-se uma questão concreta de incompetência para muitos americanos, toda vez que enchem o tanque de seus carros. A situação poderá piorar para Bush se os preços do aquecimento doméstico espremerem ainda mais os bolsos neste inverno.

Em uma pesquisa feita de 12 a 16 de outubro pela Hotline, 60% dos americanos disseram que o país está indo na direção errada. É um aumento de 9 pontos percentuais desde janeiro e a mais alta porcentagem do ano. Enquanto isso, os que dizem que a economia é a questão mais importante saltou de 14% em janeiro para 33% este mês. A margem de erro da pesquisa era de 4,4 pontos percentuais acima ou abaixo.

Os preços da gasolina estão "realmente conduzindo as impressões de muita gente sobre a economia", disse o estrategista democrata Edward Reilly. Para muitas famílias, "diminuiu o dinheiro para a comida" devido ao aumento dos preços da energia, ele disse.

Em 2006, os 436 lugares da Câmara e um terço dos assentos do Senado estarão em aberto. Se o problema da energia continuar prejudicando Bush, seus colegas republicanos poderão correr o risco de ser varridos por ondas semelhantes às que derrubaram Jimmy Carter em 1980 e o Congresso democrata em 1994.

Alguns consideram significativa a eleição especial para o Congresso em Ohio, no início do ano. Naquela disputa, o novato democrata e veterano da guerra do Iraque Paul Hackett quase conseguiu uma surpreendente vitória em um distrito da Câmara tradicionalmente republicano.

Mas há um longo caminho até novembro de 2006. Para ilustrar como todas as eleições ainda são locais, no mês que vem os republicanos terão uma boa probabilidade de ganhar governos hoje detidos por democratas em Nova Jersey e Virgínia.

Em Nova Jersey, a corrupção política tem sido uma questão decisiva; na Virgínia, a pena de morte domina o debate conforme se aproxima o dia da eleição. Para americanos, crescente preço da gasolina prova gestão inepta Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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