Rico prefeito republicano de NY deve ser reeleito

Martha T. Moore
Em Nova York

Custou ao novato político Michael Bloomberg US$ 75 milhões (em torno de R$ 172 milhões) de seu próprio bolso para se tornar prefeito de Nova York, em uma eleição disputada em 2001. Foi a campanha política mais cara até hoje, com exceção de disputas à presidência. Quatro anos depois, Bloomberg é um prefeito experiente e está quase 30 pontos na frente de seu oponente, para as eleições de 8 de novembro. E não está gastando menos.

Faltando uma semana para as eleições, Bloomberg já consumiu quase US$ 67 milhões (em torno de R$ 154 milhões) de sua fortuna de US$ 5,1 bilhões (aproximadamente R$ 11 bilhões), segundo a lista dos "400 americanos mais ricos" da revista Forbes. Mas desta vez o republicano Bloomberg tem 28 pontos de vantagem sobre seu oponente, o democrata Fernando Ferrer, ex-presidente do bairro do Bronx.

Bloomberg diz que precisou das verbas para combater a vantagem de 5 a 1 em eleitores democratas registrados. "Estou tentando transmitir minha mensagem para toda comunidade desta cidade", disse ele no domingo (30/10), durante um debate com Ferrer.

O dinheiro de Bloomberg foi usado para comprar anúncios de televisão em várias línguas, enviar voluntários para distribuir panfletos em estações de metrô e fazer telefonemas computadorizados para os eleitores de celebridades tão diversas quanto o estilista Oscar de la Renta, o magnata do cinema Harvey Weinstein e o reverendo Calvin Butts, pastor de uma importante igreja negra.

Ferrer, que chama o investimento financeiro de seu oponente de "obsceno", teve dificuldades para angariar US$ 7,6 milhões (aproximadamente R$ 17 milhões).

"O campo não só não está nivelado, mas está vertical --e Mike Bloomberg está no alto", diz Doug Muzzio, professor de Relações Públicas na Faculdade Baruch.

John Kerry, Howard Dean, a senadora Hillary Rodham Clinton e o ex-presidente Bill Clinton fizeram campanha para Ferrer, que está em sua terceira candidatura à prefeitura. O comitê de campanha de Ferrer tentou associar Bloomberg, que entrou para o Partido Republicano quando concorreu em 2001, com o governo Bush, que é profundamente impopular em Nova York.

Ferrer, porém, teve dificuldades para seduzir os democratas ricos da cidade, enquanto Bloomberg deixou claro seu apoio entre democratas. A campanha "Democratas por Bloomberg" foi endossada pelo ex-prefeito Ed Koch, membros do conselho democrata da cidade e proeminentes executivos de Wall Street.

Bloomberg tornou-se prefeito sob circunstâncias muito pouco auspiciosas: político novato e executivo sem graça, comparado com seu predecessor lírico, Rudy Giuliani, Bloomberg derrotou o democrata Mark Green com o apoio de Giuliani com 50% dos votos contra 47%. Ele pegou o leme de uma cidade destruída financeira e emocionalmente pelos ataques de 11 de setembro de 2001.

Logo, enfureceu eleitores aprovando um aumento de 18,5% nos impostos sobre propriedade e uma proibição rígida de fumar em bares e restaurantes. Além disso, promoveu a construção de um estádio de futebol no Lado Oeste de Manhattan, apesar da oposição popular e política. O projeto fazia parte de uma candidatura malsucedida para sediar as Olimpíadas em 2012 e foi vetado por líderes da Assembléia Estadual.

Bloomberg beneficiou-se com a recuperação econômica da cidade, que permitiu que ele devolvesse US$ 400 (em torno de R$ 920) dos impostos aos proprietários irritados. Os índices de crimes, que já estavam em queda, caíram ainda mais.

Bloomberg foi o primeiro prefeito a conquistar o controle direto das escolas públicas. Suas reformas geraram revolta e melhoras de alguns resultados escolares. Ele criou uma linha telefônica, 311, que dá acesso de qualquer agência ou serviço da prefeitura.

"Bloomberg está fazendo tudo certo. E Ferrer não está fazendo tudo certo", disse Maurice Carroll, diretor de pesquisas de opinião pública da Faculdade Quinnipiac.

Na última pesquisa da Quinnipiac, divulgada na segunda-feira, Bloomberg aparece em primeiro lugar, com 59% da intenção de voto contra 31% de Ferrer. "Você não joga fora um prefeito que tem um histórico que fica entre decente e bom", diz Muzzio. "Você certamente não o joga fora em favor de um opositor que tem uma mensagem pouco cativante."

A campanha de Ferrer apelou claramente aos eleitores hispânicos e mais amplamente à classe trabalhadora e à classe média, usando um tema de "duas Nova Yorks". Se for eleito, será o primeiro prefeito hispânico da cidade.

Entretanto, os problemas levantados por Ferrer foram rapidamente atacados por Bloomberg. No dia 19 de outubro, quando Ferrer apareceu com Andrew Cuomo, ex-secretário de habitação e desenvolvimento urbano, para promover seu projeto de moradia acessível, Bloomberg revelou sua própria proposta.

Bloomberg apresentou versão própria para quase toda a plataforma de Ferrer: melhorar o acesso à moradia, aumentar o índice de graduação escolar e cortar o desemprego entre as minorias, disse Brian Lehrer, comentarista político da estação de rádio pública WNYC.

Ferrer retrata Bloomberg como bilionário alienado e enfatiza sua própria evolução de engraxate, aos 10 anos no Bronx, para presidente do bairro, durante sua revitalização nos anos 90.

Bloomberg, nascido na classe média em Massachusetts, fez bilhões após fundar uma empresa de informações financeiras.

Bloomberg vai diariamente à prefeitura de metrô. Ele não mora na residência oficial do prefeito e sim em sua própria e opulenta residência. Nos finais de semana, vai de jatinho para sua casa nas Bermudas.

No ano passado, ele doou US$ 14 milhões (em torno de R$ 32 milhões) à caridade, grande parte para organizações da cidade. Isso, aliado ao poder de administrar o orçamento da prefeitura, silencia muitos críticos, disse Ben Smith, analista político do "New York Observer". "Ele tem, de fato, uma quantidade infinita de dinheiro." Gasto milionário com propaganda marca campanha de Bloomberg Deborah Weinberg

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