Erros de Bush vão muito além de seu governo

Chuck Raasch
Comentarista político
Em Washington

Os americanos estão expressando uma queda na confiança em seus líderes de forma tão importante quanto em qualquer momento desde a crise dos reféns no Irã, durante o governo de Jimmy Carter (1977-1980).

O presidente Bush é o principal foco das críticas; a onda crescente de dúvidas sobre a guerra no Iraque é a razão primária pela queda nos índices de confiança em Bush e de aprovação de sua presidência, de acordo com as pesquisas.

Mas quem acha que os desafios aos dirigentes da nação começam e terminam com Bush e o Iraque ignoram as tendências políticas corrosivas dos últimos dez anos pelo menos. Depois de apanhar por semanas, Bush e seus aliados lançaram uma dura campanha para voltar a questão de confiança contra seus críticos, alguns dos quais votaram por dar a ele a autoridade para invadir o Iraque.

O vice-presidente Dick Cheney chamou as acusações democratas de que Bush tinha deliberadamente enganado a nação para entrar em guerra de "uma das acusações mais desonestas e repreensíveis jamais levantadas nesta cidade". Mas o pedido de quinta-feira (17/11) de retirada imediata do Iraque pelo deputado John Murtha da Pensilvânia, importante defensor democrata da guerra, mostrou como o cenário está mudando em torno do debate do Iraque.

Duvidar do governo e de seus dirigentes é um princípio democrático fundamental, a primeira e mais forte defesa contra a tirania. Mas o limite entre o cepticismo saudável e a perda de confiança na parceria foi ultrapassado de forma inusitada no mundo pós-11 de setembro.

As conseqüências são muito maiores que o legado de Bush ou os contornos das eleições presidenciais de 2008. Em um mundo em que fundamentalistas suicidas querem criar cisões entre muçulmanos e não muçulmanos e atacar as sociedades livres, a presidência americana enfraquecida é uma questão de segurança nacional.

Grande parte da erosão do apoio a Bush pode ser atribuída a seu governo. Em defesa de Bush, Bill Clinton sentou na mesma cadeira --ele também acreditava que Saddam Hussein era uma grande ameaça. No entanto, os erros de inteligência em relação às armas de destruição em massa que levaram à guerra no Iraque ajudaram a minar o que se considerava as qualidades de Bush --honestidade e determinação. Por extensão, também minaram outros objetivos de sua presidência.

A exposição da agente da CIA para desacreditar um crítico do governo, acusação que levou um alto assessor da Casa Branca a ser indiciado por perjúrio e obstrução de justiça, não é o que Bush esperava de sua presidência. E a resposta inicialmente fraca do governo federal ao furacão Katrina associou o sofrimento humano com a incompetência burocrática do governo Bush.

Mas a prática chamada por Clinton de política de destruição pessoal deixa pouco espaço aos dirigentes quando os tempos são difíceis e os presidentes erram, como fazem inevitavelmente.

A política partidarista de terra arrasada que aflige esta cidade, onde parece que você precisa desumanizar e humilhar seus oponentes políticos para destruir seus argumentos, cobra um preço terrível. Esta visão de mundo cruel de Washington agora está imbuída na cultura.

No episódio dessa semana de "Commander in Chief", uma série de televisão de sucesso sobre a primeira presidente mulher, esta (Geena Davis) oferece deixar as armas e se tornar amiga de seu rival, o presidente da Câmara (Donald Sutherland).

Não existem amigos em Washington, diz Sutherland, somente "inimigos e aliados".

Em Washington, argumentos de grupos de interesse poderosos --na questão de Previdência Social, por exemplo-- freqüentemente distorcem os problemas e eliminam as possíveis soluções antes do início de um debate honesto. No que poderia ser chamado de crime de uma geração, membros do Congresso são reeleitos bradando que levaram para seus Estados verbas federais, enquanto as dívidas do governo avançam. Esses políticos estão transmitindo aos seus filhos decisões financeiras muito mais difíceis e potencialmente catastróficas.

Mas grande parte do que preocupa os americanos em relação a Bush está ligado ao Iraque. Críticos alegam que ele e seus aliados minimizaram as dúvidas dentro da comunidade de inteligência sobre a seriedade da ameaça de Saddam.

Bush e seus partidários hoje acusam os democratas de mudarem de idéia e tentarem reescrever a história.

"Pessoas razoáveis podem discordar sobre a condução da guerra, mas seria uma irresponsabilidade os democratas agora alegarem que nós os enganamos e enganamos o povo americano", disse Bush. "Líderes no meu governo e membros do Congresso Americano dos dois partidos políticos estudaram os mesmos dados de inteligência sobre o Iraque e chegaram à mesma conclusão: Saddam Hussein era uma ameaça."

Os dois homens da chapa democrata de 2004 --John Kerry e John Edwards-- disseram neste mês que se arrependem de ter votado em favor da guerra.

"Mas os erros do passado, independentemente de quem os cometeu, não são justificativa para marchar para um futuro de enganos e perda de vidas americanas sem fim em vista", disse Kerry, de Massachusetts.

"Dê uma chance à paz" é um lema favorito dos manifestantes contra a guerra. Será que jamais se aplicará às facções em guerra de Washington, D.C.? Radicalização ameaça a confiança da América na presidência Deborah Weinberg

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