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23/11/2005
Felicity Huffman é linda transexual em novo filme

William Keck
Em West Hollywood


Felicity Huffman está numa viagem maluca. Sua série na rede de TV ABC, "Desperate Housewives" [Donas de Casa em Desespero], foi muito, muito quente na última temporada e não perdeu muito vapor. Ela ganhou o prêmio Emmy em setembro, vencendo duas de suas colegas no seriado. E agora está recebendo não apenas elogios da crítica, como se fala no Oscar por seu desempenho no próximo filme "Transamerica", em que ela interpreta Sabrina "Bree" Osbourne, uma transexual que vai se transformar de homem em mulher, antes da operação.

Reuters 
Atriz está em "Desperate Housewives", que vai ao ar no Brasil no canal pago Sony
Após mais de 20 anos trabalhando como atriz, aos 42, bem casada, essa mãe de dois filhos é a garota do momento. "Isso não poderia ter acontecido a uma mulher melhor", diz o criador de "Housewives", Marc Cherry. "Felicity é uma dessas histórias de sucesso que estava só esperando para acontecer."

Huffman já gozou da bondade dos críticos antes, especialmente por seu papel em "Sports Night", um seriado cômico da ABC do final dos anos 90. E Cherry confirma que seu cartaz em Hollywood está alto. "Ela sempre teve o respeito de toda essa indústria", ele disse.

Mas isso não é nada como ter um programa de sucesso e um filme com potencial de prêmios, apesar de ser um filme de orçamento modesto, no estilo arte caseira.

Huffman não quer falar sobre seu sucesso. Mas seu marido há oito anos, o ator William H. Macy, 55, parece adorar suas conquistas. "A maré mudou", diz Macy, que estrelou em "Fargo" e "Seabiscuit". "Hoje andamos sobre tapetes vermelhos, e eu sou basicamente invisível. Mas ela realmente merece isso. Acho que desde que era menina queria esse tipo de sucesso."

Ainda assim, diz ele, "a agenda dela está uma loucura. Está precisando fazer cabelo e maquiagem e usar roupas elegantes quatro vezes por semana. Quando você é uma garota, imagina que isso deve ser ótimo, mas quando é realidade você pensa 'É um saco. Eu realmente não quero ir e gostaria de ficar em casa hoje'."

Macy diz que falou para sua mulher: "Se você trabalhar durante seu descanso, vou espancá-la. Eu preciso desse tempo".

Neste momento, Huffman não tem projetos e admite que as exigências de sua carreira foram difíceis. "A maternidade foi um exercício de culpa", ela diz.

Huffman e Macy dizem que as filhas Sofia, 5, e Georgia, 3, estão se adaptando bem, e Macy gosta de sua posição de Senhor Mamãe. "Eu enrolei as mangas e fui um pai caseiro em grande medida", ele diz, "e acho que isso é bom para as crianças."

Caminho difícil no começo

Embora hoje Huffman faça sucesso nos tapetes vermelhos de Hollywood --mais notadamente na entrega dos prêmios Emmy em um vestido rosa de Kevan Hall e na projeção de "Transamerica" para a AFI num Dolce & Gabbana marrom e turquesa-- ela revela que nem sempre teve uma imagem física saudável.

Começando na adolescência, "eu fui bulímica e anoréxica por algum tempo, eu odiava meu corpo", revela Huffman. "Como atriz, nunca fui magra o suficiente, nem bonita o suficiente", ela diz. "Meus seios não eram bastante grandes."

A bulimia continuou de modo intermitente até os 20 anos. Em certo momento, "eu vomitava o tempo todo --descobrindo quais alimentos você consegue vomitar e quais não consegue", ela lembra com pouca emoção.
A bulimia evoluiu para anorexia. O peso de Huffman caiu para 44 quilos e sua menstruação parou.

Com a família ficando cada vez mais preocupada, ela procurou a ajuda de um terapeuta. Naquela época, ela se via --como disse ao mundo em seu discurso de aceitação do Emmy-- como "uma garota de 22 anos gordinha com óculos cor-de-rosa realmente grandes e uma permanente ruim".

Hoje ela tem uma opinião diferente. "Ter dois filhos e fazer 40 anos foi o que fez a diferença", ela diz. "Eu acho que sempre tive um corpo de 40 anos, e agora que estou realmente lá até que estou gostando".

Saudável por dentro e por fora

Ela agradece a Macy, que foi seu professor na companhia de teatro Atlantic em Nova York por ajudá-la a modificar sua percepção negativa.

"Eu a ouvi dizer que a maior ajuda foi o fato de eu simplesmente adorá-la e achar que ela é a mulher mais sexy do mundo. Na primeira vez em que encontrei Felicity, só conseguia pensar 'Hummmmm'. Ela era deliciosa. Eu amo seu corpo e sempre amei. E se eu gostava dele, também deveria ser bom para ela."

Hoje em dia, ela e Macy se exercitam com um treinador físico três a quatro vezes por semana em sua academia doméstica. O treinador incentiva o casal a consumir alimentos saudáveis. O casal também corre junto e Huffman diz com confiança: "Hoje eu amo meu corpo".

O papel de uma vida

É fácil ver por que, tomando drinques certa tarde em um restaurante mexicano em West Hollywood, onde Huffman, parecendo ultra-feminina em um vestido florido e um suéter azul-bebê, e duas amigas estão conversando sobre seu papel em "Transamerica" (que estréia em Los Angeles e Nova York em 2 de dezembro e no resto do país em 23).

Mas existem algumas diferenças notáveis entre Huffman e suas companheiras. Ela está bebendo uma cerveja; as outras bebem margaritas. Ela está usando pouca maquiagem; suas amigas estão completamente "montadas". E a grande diferença: Huffman foi mulher a vida inteira; suas amigas, nem tanto.

Huffman não fazia absolutamente idéia do que era ser uma transexual. Que ela saiba, nunca havia conhecido uma. "Eu achava que elas eram uma estranha minoria, no máximo", diz.

O treinamento foi fornecido pelas mulheres transexuais que estão sentadas com ela: Calpernia Addams, um ex-médico de combate com os fuzileiros navais durante a primeira Guerra do Golfo, e sua colega de quarto, Andrea James, uma autora de comerciais de TV.

"Eu pensei que o fato de ela já ser uma mulher tão bonita e delicada dificultaria convencer o público de que já foi alguma coisa diferente", diz Addams.

Huffman diz que seu distúrbio alimentar a ajudou a entender a dor de seu personagem em "Transamerica". A Bree de Huffman (antes chamada Stanley) está em uma fase estranha; não se sente bem no corpo ainda masculino. E seu terapeuta não assinará sua autorização para mudar de sexo enquanto ela não desenvolver um relacionamento com um filho que não sabia que tinha.

"O autodesprezo que acompanha a bulimia ou anorexia me ajudou a entender a viagem interna de Bree", diz Huffman. "Eu não achava que fosse conseguir. Era um empreendimento enorme e havia a possibilidade de um grande tombo."

Macy, um dos produtores executivos do filme, diz que muitos que viram "Transamerica" nem sequer reconhecem Huffman no papel.
"A primeira imagem dela é tão chocante --uma pessoa tão estranha e desinteressante", ele diz. "Mas no final do filme, apesar de a maquiagem ser exatamente a mesma, você está completamente apaixonado por essa mulher."

"Uma revelação"

No saguão do teatro depois da projeção para a AFI, o namorado de Huffman em "Housewives", Doug Savant, diz que ficou emocionalmente "devastado" por seu desempenho. "Mas nunca me surpreendo porque conheço a profundidade do talento dessa mulher. Ele é mostrado para mim muitas vezes no trabalho, mas acho que será uma revelação para as pessoas que só a conhecem do seriado."

E Cherry promete que Huffman terá uma oportunidade na próxima temporada de exibir suas capacidades dramáticas quando, ele provoca, "alguma coisa vai mudar a vida da família Scavo".

É um depoimento sobre como ela é adorada e respeitada no set de "Housewives" que a projeção da AFI foi assistida por quase todo o elenco da TV, incluindo Marcia Cross, que tinha um ensaio às 5h da manhã seguinte, Eva Longoria, que viajou para assistir, Nicollette Sheridan, que estava gripada, e Teri Hatcher, que teve de encontrar uma babá no último minuto e já tinha visto o filme como um dos juízes do Festival de Cinema Tribeca em abril, no qual Huffman foi eleita melhor atriz.
"Ela vai ganhar o Oscar", diz Hatcher.

E talvez ela esteja certa. Os prêmios da Academia têm reconhecido papéis de troca de gênero, desde Jack Lemmon, que recebeu uma indicação para melhor ator por se vestir de mulher na comédia de 1959 "Quanto Mais Quente Melhor", até Hilary Swank, que ganhou como melhor atriz atuando como rapaz em "Meninos Não Choram" de 1999.

Huffman diz que os prêmios estão "completamente fora do meu controle. É um filme pequeno. Se conseguirmos colocar as pessoas nas cadeiras e ele trouxer unidade e criar compreensão, então estamos tendo um sucesso além dos nossos sonhos mais loucos".

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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