Sarah Jessica Parker mantém a cidade a seus pés

Donna Freydkin
Em Nova York

A noção de Sarah Jessica Parker de uma noite quente na cidade com o adorável jovem de sua vida evoluiu.

A atriz é tão sinônimo de Manhattan quanto sua personagem Carrie Bradshaw, de "Sex and the City", era de seu amado Manolo Blahniks. Mas diferentemente da namoradeira freqüentadora de boates, Parker prefere caminhar perto de casa. Dê a ela uma noite agradável, e a atriz leva alegremente seu filho de 3 anos, James Wilkie, para um passeio em torno de seu bairro de Greenwich.

Craig Blankenhorn, HBO/The New York Times 
Sarah Jessica Parker em cena de "Sex in the City", série pela qual venceu o Emmy
"Meu filho adora caminhar à noite. Ele sempre pede: 'Me leva para passear hoje?'" diz Parker tomando café da manhã na cantina italiana local.

"Olhamos pela janela ontem de noite do meu escritório, que fica no andar superior da minha casa, e ele disse: 'Veja que linda cidade. É minha cidade.' E eu disse: 'Você tem muita sorte. Essa é nossa cidade.' Ele adora Nova York. Está muito feliz aqui."

Parker, 40, não pode imaginar morar em outro lugar. Desde que sua série da HBO terminou, em fevereiro de 2004, depois de seis temporadas, ela deixou sua estilosa colunista de sexo para trás. Gravou três filmes, lançou o perfume Lovely e montou uma empresa de produção, Pretty Matches, com a HBO.

Em sua primeira estréia depois de "Sex", "The Family Stone", que estréia no dia 16 de dezembro, Parker faz o papel de Meredith, uma executiva tão tensa e severa tanto quanto Bradshaw era suave e engraçada. Meredith vai passar o Natal com a família grande e barulhenta do namorado Everett Stone (Dermot Mulroney), que Meredith está encontrando pela primeira vez. As coisas não saem exatamente conforme o planejado quando o clã Stone provoca a invasora pouco amigável da cidade grande.

Fora das telas, a equipe do filme uniu-se como cola.

"Descobri que posso ser feliz em outro trabalho, realmente adorar a equipe e adorar o trabalho. Isso foi um adicional maravilhoso", diz Parker. "Não quero meu tempo de volta. Quero que o filme tenha sucesso, especialmente de crítica, mas definitivamente a experiência contou muito mais do que antes, porque significa tempo longe da minha família. Não quero ficar longe das pessoas que amo tanto para trabalhar em algo deprimente."

De fato, deprimentes foram as saias estreitas pretas e calças apertadas de sua personagem. "Não conseguia sentar. A equipe montou uma tábua para que pudéssemos nos encostar e descansar, mas eu tinha vergonha de usar", diz Parker.

Sua modéstia não surpreende o diretor e autor de Stone, Thomas Bezucha, que diz que Parker está "sempre tentando mudar o foco da atenção para outra pessoa."

Ele se lembra de uma cena na qual Meredith tinha que colocar a mala no carro. Para que ficasse verossímil, a atriz pediu que a mala fosse o mais pesada possível.

"Ela deve ter colocado (a mala) no carro umas seis vezes", disse Bezucha. Mas ela gostou de fazer o papel de uma mulher "tão diferente das outras que vinha fazendo". "Eu tentei escolher bem qual seria meu primeiro papel depois de 'Sex and the City'. Ela é tão diferente de Carrie Bradshaw", disse Parker.

E da própria atriz, diz Bezucha. "Meredith é o lado oposto do universo de Sarah. Tão rígida --Sarah está longe disso", diz ele. "O amor de Sarah pelas pessoas e seu impulso de celebrar está muito mais à flor da pele do que em Meredith."

No café da manhã, Parker está sem maquiagem, de cabelo solto e vestindo calças largas e top sem mangas. De fato, é a rara celebridade que se interessa pelas pessoas a sua volta. Ela faz perguntas --e se lembra de detalhes pessoais de encontros anteriores. Ela pergunta sobre um relacionamento ou comenta se alguém cortou o cabelo.

Quando entra no restaurante, onde é cliente regular, ela não gosta de tratamento especial. Nenhum garçom corre para dar-lhe a melhor mesa. Ela é recebida casualmente, mas sem demora, como uma velha amiga.

Converse com as pessoas que conhecem Parker e elas vão mencionar sua afabilidade, assim como sua ética no trabalho. Michael Patrick King, produtor executivo de "Sex and the City", considera Parker uma verdadeira amiga e diz: "Ela é tão legal quanto se espera. Ela é realmente leve. Sabe o nome do pessoal de apoio. Conhece as piadas."

Mas quando está trabalhando, é profissional. Claire Danes, que faz o papel da irmã de Parker em Stone, diz que ficou com vergonha de si mesma quando viu a forma como Parker alegremente promoveu o filme no evento exaustivo de mídia.

"Eu já estava cobrando outro café, para conseguir agüentar, mas ela estava concentrada, disponível e totalmente inalterada", diz Danes. "Além disso, ela tem um filho, um marido e está lançando um perfume. Não posso reclamar, não quando vejo tudo que ela faz."

King, enquanto isso, lembra-se do final de "Sex", que foi filmado em Paris em ruas de pedra. Parker, diz ele, estava de "Manolos a noite toda. Oito horas subindo e descendo escadas. Foi apenas recentemente que ouvi dizer que ela acordou naquela noite de tanta dor nas canelas."

Parker é a primeira a dizer que tem sorte. E admite abertamente que as vantagens da fama tornam sua vida mais fácil. "Todo mundo diz: 'Nossa, você está magra.' Sim, porque é minha química. E tenho uma babá. Posso fazer aula de ioga. Posso ter alguém que vem limpar a casa", diz ela. "Nós aplaudimos as pessoas que têm ajuda e dinheiro e babás e podem ficar em forma depois de ter um bebê."

Ela e Matthew Broderick, seu marido há oito anos, estão dispostos a aumentar a família. "Se pudéssemos de alguma forma garantir que sairiam como James --brincadeira!-- adoraria ter mais."

Uma noite típica no lar Parker-Broderick? Os dois fazem costeleta de porco, ou macarrão e assistem televisão, antes de irem para a cama.

Com Broderick, 43, co-estrelando no sucesso lotado da Broadway "The Odd Couple", Parker vai ao teatro quase semanalmente para ver sua atuação. Um dia normal da atriz? Acordar cedo, levar o filho à creche, responder mensagens eletrônicas e ler os roteiros, fazer ioga enquanto James tira uma soneca, ou "ir ao mercado e comprar esponja e trocar lâmpadas. (Hoje em dia) tenho muito mais apreciação por minha mãe; não acredito em tudo que ela fez", diz Parker, a quarta de oito filhos.

Agora que James tem idade suficiente para freqüentar a escola, Parker diz que só faz filmes se forem gravados na região de Nova York. Essa é uma das razões porque fez "Spinning into Butter" (que estréia em 2006), um drama de baixo orçamento sobre a divisão racial.

"Chega de quebrar o ritmo da vida da minha família", diz ela. "É muito difícil para James deixar tudo que conhece. Talvez seja careta, mas tenho responsabilidades, tenho que garantir o leite e o pão em casa."

O filho de Parker talvez adore Manhattan, mas gostaria de visitar Abbey Road.

"Ele só se veste como os Beatles. Ele tem bonecos dos Beatles. O pôster fica pendurado ao lado dele, no berço. Quando acorda, leva-o para a mesa de café-da-manhã", diz ela. "Comprei para ele o DVD do 'Yellow Submarine' e foi assim que começou. O dia inteiro tínhamos que falar dos Beatles, criar histórias sobre eles, fingir que éramos eles."

Com o fim de "Butter", Parker está de folga até abril, quando começa a filmar a comédia "Slammer". E isso é boa notícia para James.

"Ele tem a mesma babá desde que era bebê, então é apegado a ela", diz ela. "Mas sou sua mãe. Não acho que ele realmente entende como é nosso trabalho. Ele sabe que atrapalha o tempo que temos com ele."

Apesar de notícias do contrário, "Sex and the City" acabou. Vencedora do Emmy, Parker não tem planos de jamais voltar a vestir os Manolos de seu alter ego e passear por Manhattan em busca do verdadeiro amor, seja em versão de cinema ou em um especial para a HBO.

Mas agora que os episódios da série estão na TBS, diz Parker, ela revê Carrie "mais do que nunca, com tantos cartazes em toda parte. É bizarro. Realmente foi a primeira vez desde que terminamos que senti realmente falta daquela vida. Acho que sempre vou me sentir assim, mas prefiro sentir isso a ficar feliz porque terminou."

Com quais de seus colegas na série ela ainda mantém contato?

"Cynthia (Nixon) e eu nos correspondemos por e-mail o tempo todo. Faz tempo que não falo com Kristin (Davis) porque seu cachorro está muito mal", diz Parker. "É estranho não ver todo mundo. Vieram os Emmys e não havia nada em jogo. Nada de vestidos. Estranho. Estranho!" A Carrie Bradshow de "Sex..." estrela o filme "The Family Stone" Deborah Weinberg

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