Atores engordam e emagrecem para levar Oscar

Scott Bowles*
Em Los Angeles

Devemos estar na temporada de prêmios da Academia, já que os atores estão engordando. E emagrecendo. E se tornando sexualmente ambíguos.

O incentivo representado pelo Oscar estimula invariavelmente os astros do cinema a absterem-se de suas obsessões com o charme e a beleza. E esta temporada já registra uma série de transformações dramáticas:

  • George Clooney engordou 16 quilos para fazer o papel de um agente veterano da CIA em "Syriana", que será exibido nos cinemas a partir de 9 de dezembro.

  • Philip Seymour Hoffman perdeu mais de 18 quilos para representar o atormentado autor em "Capote", que já está em exibição em cinemas selecionados.

  • Felicity Huffman usou um pênis falso para interpretar um homem transexual que está prestes a se submeter a uma operação para mudança de sexo em "Transamerica", que estréia agora em Nova York e Los Angeles.

  • Cillian Murphy fez depilação com cera em todo o corpo e removeu os cílios para interpretar um travesti cantor de cabaré em "Breakfast on Pluto", que também estréia nesta semana em cinemas selecionados.

    Há um bom motivo para um retoque na imagem. Robert De Niro engordou 23 quilos e ganhou o Oscar de melhor ator pela sua atuação em "Raging Bull" ("Touro Indomável", EUA, 1980). Charlize Theron ganhou 14 quilos e levou o Oscar de melhor atriz pelo seu trabalho em "Monster" ("Monster - Desejo Assassino", EUA, 2003).

    Hilary Swank levou o prêmio de melhor atriz duas vezes com uma nova imagem: a de uma boxeadora em "Million Dollar Baby" ("Menina de Ouro", EUA, 2004), e a de uma jovem lésbica vítima do preconceito em "Boys Don't Cry" ("Meninos Não Choram", EUA, 1999).

    "É uma forma de os atores tentarem se destacar em meio à multidão", diz Anne Thompson, colunista especializada em Oscar que escreve para a revista "The Hollywood Reporter". "Neste período do ano, eles buscam qualquer fator que lhes possa conferir uma vantagem, e as mudanças físicas estão na moda".

    A tática é especialmente efetiva no caso de atrizes, afirma Thompson. "A norma é ser magra e bonita. Portanto, tornar-se gorda e feia é tido como uma tática que aumenta as chances de se conseguir um prêmio".

    Às vezes, os atores realmente se arriscam. Clooney engordou cerca de meio quilo por dia para interpretar o agente da CIA Robert Barnes em "Syriana", e ele culpa o excesso de peso por uma lesão na coluna que fez com que se submetesse a uma cirurgia para corrigir um problema de vazamento de líquido da espinha.

    "Cometi um erro", confessa Clooney. Para ganhar peso, ele chegou a fazer até seis refeições por dia. "Sentado no hospital, fico pensando se não teria sido melhor usar um terno acolchoado, que fizesse com que eu parecesse mais gordo".

    Hoffman diz que não perdeu peso para chamar atenção e aumentar as suas chances de conseguir um prêmio. "Mas se você vai se transformar em um personagem, especialmente em se tratando de uma pessoal real, é bom fazer certas coisas que o ajudem a encarnar aquela pessoa", explica ele.

    Mas Damien Bona, autor do livro "Inside Oscar" ("Dentro do Oscar"), questiona se as mudanças estéticas não estariam se transformando em substitutos para o talento artístico.

    "Cary Grant nunca mudou realmente de aparência, mas é um dos maiores atores da história de Hollywood", diz Bona. "Geralmente os grandes atores são capazes de encarnar os seus personagens por meio de fatores sutis, como sotaque e expressões faciais, sem precisar recorrer à alteração física. Mas, ultimamente, o Oscar não tem sido algo marcado particularmente pela sutileza".

    Senhoras e senhores, comecem a avaliar os candidatos

    Faltando menos de um mês para o início do processo de escolha dos principais filmes aos prêmios da Academia, somente um candidato a melhor filme começou a ser submetido à avaliação dos eleitores do Oscar e da mídia.

    Assim, naturalmente, o filme ainda não visto é aquele que, neste momento, mais habita a mente de todos. "Munich", a obra de Steven Spielberg sobre as Olimpíadas de 1972, que estréia com exibição limitada em 23 de dezembro, só será avaliado pela primeira vez na semana que vem.

    "Mas, quando temos Spielberg e um tema sério, é necessário que se preste atenção", diz Sasha Stone, do website Oscarwatch.com. Ela diz que "Munich" é o principal concorrente ao Oscar de melhor filme. "Ele é o candidato mais forte. É o filme que dita o ritmo da competição". Mesmo assim, segundo os analistas, há vários filmes que são concorrentes à altura do trabalho de Spielberg.

    "Brokeback Mountain", o filme de Ang Lee sobre caubóis gays, lidera o grupo, segundo o moviecitynews.com, que avalia 13 cineastas por semana. O filme estréia em exibição de caráter limitado em 9 de dezembro.

    "Ele está atingindo um nicho demográfico poderoso da Academia: as mulheres e os homossexuais", afirma David Poland, que gerencia o moviecitynews.com.

    Outros filmes que estão chamando atenção dos críticos:

  • "Walk the Line"

    A biografia de Johnny Cash foi bem recebida pelos críticos e pela audiência, já tendo gerado US$ 56 milhões nas bilheterias na sua terceira semana de exibição. "É um filme biográfico musical, um gênero adorado pela Academia", afirma Tom O'Neil, do site theenvelope.com, do "The Los Angeles Times".

  • "King Kong", de Peter Jackson

    Rob Alarcon, do Cinema Confidential (www.cinecom.com), assistiu ao filme na noite da última quarta-feira. "Cheguei aqui achando que fosse ver uma bobagem, mas saí realmente impressionado com a qualidade do filme. Ele contém tudo aquilo que o expectador espera ver - emoção, história, bom desempenho dos atores e ação".

  • "Memoirs of a Geisha"

    Estréia em 9 de dezembro, e foi bem recebido nas pré-estréias, diz O'Neil. "É um épico, adaptado de um livro adorável, e é uma história de amor. Para que não fosse premiado, ele teria que realmente fracassar nas bilheterias".

  • "The New World"

    A história de Terrence Malick sobre Pocahontas, que estréia em 25 de dezembro, provocou elogios do "Los Angeles Times", mas está dividindo outros críticos. "Os seus filmes têm sempre uma natureza bastante meditativa", diz Jeffrey Wells, do site Hollywood-elsewhere.com. "Pode ser difícil se chegar a um consenso".

  • "Good Night, Good Luck", "Capote" e "Match Point"

    Esses filmes menores estão lutando para conseguir um lugar no grupo dos candidatos ao melhor filme. "Night" e "Capote" tiveram um desempenho comercial relativamente bom, enquanto que o drama de Woody Allen, que estréia em 28 de dezembro, "está sendo bem recebido", afirma Poland. "A questão é saber para quantos filmes menores há espaço na corrida pelo Oscar".

    *Colaboraram Susan Wloszczyna e William Keck. Celebridades de Hollywood mudam imagem corporal pelo prêmio Danilo Fonseca
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