Dez perguntas sobre o Oscar 2006

Scott Bowles

Esqueça a temporada de doações. Em Hollywood, esta é a temporada de receber.

É verdade que vários dos filmes que são tidos como candidatos ao prêmio da academia ainda não chegaram aos cinemas da sua área. Mas, para Hollywood, a temporada de caça ao Oscar começou: as campanhas publicitárias estão a todo vapor, e alguns filmes já estão saindo do páreo.

Para ajudar o leitor a entender o frenesi de premiações que vem por aí, o USA TODAY, compilou algumas perguntas e respostas sobre o Oscar. As indicações serão anunciadas em 31 de janeiro, e a premiação será em 5 de março.

1. Quem está na frente?

"O Segredo de Brokeback Mountain" ("Brokeback Mountain" EUA, 2005) é a mais recente aposta para melhor filme. A história de dois caubóis gays obteve vários comentários favoráveis da crítica, e está no topo de várias listas de prognósticos, incluindo a Oscar Oracle, do USA TODAY, que prevê como será a próxima disputa com base em premiações anteriores.

Reuters 
Romance de caubóis coleciona críticas positivas, faz sucesso nas grandes cidades e vira cult

É claro que a disputa ainda está em aberto. Lembram-se de "Entre Umas e Outras" ("Sideways", EUA, 2004)? A comédia sobre uma viagem de automóvel era invencível no início da temporada, e conquistou o Globo de Ouro de melhor comédia ou musical. No entanto, quando chegou o dia do Oscar, o filme levou apenas uma estatueta, pelo melhor roteiro adaptado.

O destino de "Brokeback" pode estar entrelaçado com o de "Munique" ("Munich", EUA, 2005), o filme de Steven Spielberg sobre os fatos que se seguiram ao massacre das olimpíadas de Munique, em 1972. "Se esse filme, que estréia neste sábado (24/12) nos EUA, resultar em um sucesso de bilheteria e conquistar a crítica, ele poderá obter todas as notas mais altas da Academia", afirma Sasha Stone, do oscarwatch.com. "Spielberg sempre foi um estraga-prazeres para a concorrência".

2. Quem será o apresentador?

O tempo está passando, e a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood ainda não deu nenhuma indicação sobre quem será o mestre de cerimônias.

Em meados de outubro do ano passado, a academia havia anunciado que Chris Rock seria o apresentador. No mês passado, o agente publicitário de Rock disse que o comediante não retornaria, o que alimentou os boatos de que velhos nomes, como o de Billy Crystal, Whoopi Goldberg ou Steve Martin voltariam.

Mas alguns dizem que o espetáculo pode procurar novamente um comediante jovem. "A academia chamou bastante atenção com Chris Rock", diz Tom O'Neil, autor do livro "Movie Awards" e diretor do site do "Los Angeles Times" sobre as premiações, theenvelope.com. "Eles procurarão criar manchetes com alguém que não faça parte do círculo de favoritos".

3. A orientação sexual tem importância?

As questões relativas à sexualidade estão em moda, pelo menos em Hollywood. Em "Transamerica" (EUA, 2005), Felicity Huffman interpreta um homem que se prepara para mudar de sexo. O relacionamento de Truman Capote com o matador Perry Smith está no centro da trama de "Capote" (EUA, 2005). Em "O Segredo de Brokeback Mountain", Heath Ledger e Jake Gyllenhall lutam para lidar com a sua homossexualidade.

Os cineastas admitem que os temas sexuais podem ser difíceis de vender. "Sei que esses temas encontram obstáculos", afirma o diretor de "Brokeback", Ang Lee. "Eles precisam ser promovidos cuidadosamente".

Isso inclui o direcionamento da propaganda do filme para membros da academia. "Eles não admitem isso, mas os eleitores do Oscar navegam nas ondas dos comerciais", diz Jeffrey Wells, do hollywoodelsewhere.com. "Se um filme se sair mal nas bilheteiras, essas pessoas o receberão mal".

4. Quem será o "queridinho do Oscar"?

No ano passado foi Foxx, pela sua atuação em "Ray", e Charlize Theron, por "Monster". No ano anterior, Peter Jackson foi o astro da festa.

Neste ano existem alguns candidatos. "Ficarei surpreso se George Clooney não obtiver três indicações", diz Dave Karger, da revista "Entertainment Weekly". Clooney dirigiu "Good Night and Good Look" (EUA, 2005) tendo atuado (e produzido) tanto este filme quanto "Syriana" (EUA, 205).

Um outro favorito pode ser Terrence Howard, que estrela em "No Limite" ("Crash", EUA, 2005) e em "Ritmo de um Sonho" ("Hustle & Flow", EUA, 2005). Segundo Karger, entre as atrizes a favorita será Witherspon. "Ela será a Halle Berry da temporada. Ela possui o carisma e o visual. Todos estarão de olho no que ela vai vestir, e na forma como administrará a pressão".

5. Os cantores e o Oscar farão músicas bonitas?

O Oscar gosta da sua coletânea de sons, incluindo "Chicago", "Moulin Rouge" e, no ano passado, Jamie Foxx, em "Ray" (EUA, 2004). Embora "Os Boêmios" ("Rent", EUA, 2005) e "Os Produtores" ("The Producers", EUA, 2005) tenham sido bem recebidos pela crítica, a biografia de Johnny Cash, "Walk the Line" (EUA, 2005) parece estar destinado a ser indicada para o Oscar.

"É uma jogada enérgica, pelo menos nas categorias de interpretação, para os astros Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon, que já obteve três prêmios de melhor atriz por parte da crítica", diz O'Neil. "E esse é um dos poucos filmes que contam com grande apoio popular, tendo gerado mais de US$ 83 milhões nas bilheterias" [só até a semana antes do Natal].

6. Peter Jackson poderá retornar como rei da festa?

Quando o seu filme de 2003, "O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei" ("Lord of the Rings: The Return of the King", EUA/Nova Zelândia, 2003) obteve 11 Oscars, Jackson se tornou o ser infalível de Hollywood.

E é essa aura que faz de "King Kong" (EUA, 2005) um sério concorrente. "Sem Jackson, "Kong" seria apenas mais um filme sobre macacos, mas ninguém faz cenas de ação como ele", afirma David Poland, do citynews.com. "Portanto, neste momento, tudo o que ele toca é levado a sério".

Porém, a arrecadação nas bilheterias durante a estréia do filme na semana passada pode debilitar o grande macaco. "King Kong" gerou US$ 50 milhões no final de semana de estréia, US$ 15 milhões a menos que o esperado. Se não cobrir rapidamente os US$ 207 milhões investidos em sua produção, "Kong" provavelmente estará destinado a concorrer apenas às premiações das categorias técnicas.

7. Os filmes que foram lançados no início da temporada poderão concorrer com os mais recentes?

O Oscar é notório pela sua memória curta. Entre os candidatos a melhor filme, cerca de 70% estréiam em novembro e dezembro, afirma Damien Bona, autor do livro "Inside Oscar".

Mas há aqueles filmes notáveis, lançados mais cedo, que atraem a atenção dos eleitores: "Crash", que estreou em maio, "O Jardineiro Fiel" ("The Constant Gardener", EUA/Inglaterra, 2005), lançado em agosto, e "Marcas da Violência" ("A History of Violence", EUA, 2005), de setembro. Esses filmes conquistaram cedo os críticos, e os estúdios responsáveis por eles fizeram campanha para que concorressem ao Oscar.

"É um jogo de xadrez", afirma David Cronenberg, diretor de "Violence", "Nos últimos dois meses do ano são lançados tantos filmes que é melhor entrar no páreo mais cedo. Portanto, é preciso programar o lançamento dos DVDs, fazer uma campanha bem planejada, e esperar que as pessoas não se esqueçam de que é possível lançar bons filmes em qualquer período do ano".

8. Os pequenos filmes farão sucesso?

Pela primeira vez na história do Globo de Ouro, todos os cinco candidatos a melhor drama custaram menos de US$ 30 milhões cada um. Pequenos filmes como "Brokeback", "Good Night" e "Match Point" (EUA, 2005) modelarão a corrida pelo Oscar, já que os grandes estúdios relutam em entrar no jogo.

"Os grandes estúdios estão preocupados com a arrecadação básica, e não com prêmios", explica Terry Press, diretor de marketing da DreamWorks, que está lançando "Match Point". "Antigamente os estúdios faziam filmes atraentes sob o ponto de vista comercial e artístico. Isso não ocorre mais".

"E isso também não é necessariamente algo de ruim", afirma Jeff Daniels, astro de "The Squid and the Whale" (EUA, 2005). "Uma das coisas mais nobres que o Oscar pode fazer é prestar atenção a filmes desconhecidos", argumenta Daniels. "Os grandes sucessos de bilheteria não precisam de muita ajuda".

9. A política dominará as premiações?

Basta olhar para alguns dos favoritos para se constatar que eles não estão poupando os poderosos.

"Syriana" aborda com contundência as relações entre o governo dos Estados Unidos, as empresas petrolíferas e as lideranças do Oriente Médio. "Good Night and Good Luck" é uma análise da vontade da imprensa de fazer frente a um governo que tem ares de onipotência. "Munique" analisa criticamente a justiça do tipo olho-por-olho quando o que está em pauta é o terrorismo.

"A política está em volta de nós; não dá para escapar dela", afirma Jeff Goldstein, diretor de distribuição da Warner Bros., que lançou "Syriana". "É natural que os melhores filmes sejam um reflexo daquilo que se passa nas vidas dos cidadãos comuns".

10. Alguém se importará?

Isso é o que mais tem preocupado a academia. Pelo terceiro ano seguido, o comparecimento do público às salas de exibição diminuiu. No ano passado a festa da premiação do Oscar foi vista por 42 milhões de telespectadores, o segundo menor número desde 1997.

Se os pequenos filmes dominarem a festa, os índices de audiência serão novamente um desafio. Os maiores índices de audiência do Oscar foram registrados quando grandes sucessos de bilheteria, como "Titanic", de 1997, estavam concorrendo.

"A população conta com muitas opções de entretenimento, e precisamos trabalhar no sentido de fazer com que as pessoas se empolguem com o setor cinematográfico", afirma Elizabeth Gabler, presidente da Fox 2000, uma divisão da 20th Century Fox.

E, segundo Clooney, os Oscars são um bom ponto de partida. "Ganhar um Oscar é bom, mas a importância do processo de premiação não deveria residir nisso", diz ele. "O importante deveria ser mostrar às pessoas o tipo de trabalho que somos capazes de fazer. Isso faria com que o público se interessasse por assistir a mais desses trabalhos". "O Jardineiro Fiel", de Fernando Meirelles, poderá ser lembrado Danilo Fonseca

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