Outra razão para ser legal: crescer na carreira

Stephanie Armour

O antigo ditado que os bons acabam por último não é exatamente verdadeiro. Pesquisas mostram que pessoas agradáveis podem ter mais
sucesso no trabalho.

A simpatia pode até vencer a competência. Um estudo deste ano na revista "Harvard Business Review" concluiu que os sentimentos em relação a um funcionário podem ser mais importantes nos relacionamentos profissionais do que se admite. Podem até ser mais importantes do que sua competência.

"The Likeability Factor" (o fator simpatia), de Tim Sanders, publicado
neste ano, explora como uma personalidade agradável pode influenciar
positivamente a vida e a carreira de uma pessoa.

É difícil definir alguém legal. Sanders diz que em geral as pessoas
são atraídas por aquelas que lhes dão vantagens psicológicas. Em outras palavras, ser legal é a capacidade de produzir uma experiência emocional positiva em outra pessoa, como fazer os colegas se sentirem bem sobre eles mesmos.

E isso pode ser crítico:

- Funcionários legais são favorecidos pelos colegas. O estudo da "Harvard Business Review" concluiu que ninguém quer trabalhar com alguém desagradável, independentemente de sua qualificação. As pessoas preferem trabalhar com quem gostam, de acordo com Tiziana Casciaro, pesquisadora da Faculdade de Negócios de Harvard, e do professor assistente da Universidade de Duke Miguel Sousa Lobo. "Tradicionalmente, as organizações se concentram na competência e na capacidade de pensar de sua equipe. Entretanto, há um reconhecimento crescente de que a eficácia no trabalho pode ser desfeita se um funcionário for desagradável. Ser eficiente no desempenho de tarefas é de pouco conforto à organização se o funcionário espanta os clientes ou os colegas", escreveu em e-mail Susan David, psicóloga e pesquisadora da Universidade de Yale.

- A simpatia do funcionário também pode influenciar os clientes. As
impressões dos clientes sobre os funcionários com quem lidam podem
influenciar sua relação com toda a empresa, segundo pesquisa. Quase 60% das pessoas dizem que, quando se deparam com alguém rude, vão a outro lugar, mesmo que isso signifique sair de seu caminho ou pagar mais, de acordo com uma pesquisa da Eticon, que presta consultoria de etiqueta para empresas em Columbia, Carolina do Sul. Os funcionários da lanchonete Pop Diner, em Nova York, são considerados amigáveis por seus clientes, apesar do grande movimento. O gerente Nick Tsakonas diz que não é por acaso. Ele acredita que garçons amigáveis podem influenciar a idéia que os clientes fazem do restaurante, mesmo se algo der errado. "O candidato pode me dizer que foi garçom do Waldorf-Astoria, mas isso por si só não serve para mim. Ele precisa ter personalidade", diz Tsakonas. "Mesmo que algo de errado aconteça, uma boa personalidade vai apagar isso."

- A simpatia pode ajudar a avançar na carreira. Pessoas legais também
têm maiores chances de receberem aumentos e promoções. Funcionários
com talento em relacionamentos são freqüentemente considerados
valiosos para a organização, diz Sanders. Algumas pessoas dizem que suas personalidades agradáveis ajudaram-nas a progredir. Cara Halstead Cea, em Pleasantville, Nova York, trabalha no setor relações públicas da Universidade Pace. Ela se descreve como "amigável, extrovertida e fácil de lidar"."Meus patrões tendem a gostar de mim, assim como os clientes, colegas e contatos da empresa, o que me dá a liberdade de fazer o que precisa ser feito sem um patrão respirando no meu pescoço ou vigiando cada movimento meu", diz Halstead Cea. "Acho que isso me ajuda a ser
eficiente no trabalho."

- Uma pessoa legal ajuda a promover a colaboração.
Quem trabalha com uma pessoa legal se sente mais à vontade e tende a
colaborar mais.Alguns empregadores dizem que a personalidade dos funcionários é tão importante que não contratam ninguém que sintam ter um problema de atitude. Richard Laermer, diretor executivo da RLM Public Relations, diz que certa vez teve uma funcionária que era tão desagradável que falou mal do produto de um cliente e maltratava os colegas. Laermer disse que teve que demiti-la."Fiz algo que nunca tinha feito", conta. "Liguei para os gerentes de meu escritório, e tomamos champanha$escape.getQuote().Depois disso, ele passou a tomar muito cuidado nas contratações e passou a avaliar a personalidade dos candidatos assim como seu conhecimento. "Não importa quanta experiência a pessoa tenha, se for mesquinha com os outros, será inútil. Não posso trabalhar com alguém que não seja legal."

O excesso pode ser negativo, porém. Funcionários simpáticos demais podem ser considerados puxa-sacos ou, se forem chefes, podem perder oportunidades, disse Alexandra Levit, autora de "They Don't Teach Corporate in College: A Twenty-Something's Guide to the Business
World" (eles não ensinam a vida corporativa na faculdade: um guia do
mundo dos negócios).

"Às vezes, chefes agradáveis demais se sociabilizam com subordinados e
cruzam a linha entre chefe e amigo. E funcionários mais jovens podem
se esforçar tanto para serem agradáveis que passam a impressão errada."

"Há uma tendência entre iniciantes e até entre pessoas no meio da
carreira de dizerem 'sim' o tempo todo. Tentando agradar, se deixam
ser manipuladas. E são exploradas", diz Levit. "Ser simpático pode ser
perigoso. Entusiasmo demais pode ser irritante."

Mas alguns empregadores dizem que ser legal ainda é um atributo
importante. Tory Johnson, diretora da Women for Hire, de empregos para
mulheres, diz que às vezes as mulheres se esforçam demais e passam a
impressão de desespero. Apesar de não contratar apenas com base na
simpatia, ela diz que a personalidade é crucial.

De fato, pode até ajudar os funcionários a manter seus empregos quando
o desempenho não vai tão bem.

"Como empregadora, para mim é mais importante a pessoa ser agradável
do que ter alguma habilidade específica ou experiência. Pode-se
compensar a falta de algum conhecimento com treinamento, mas é quase
impossível compensar um problema de personalidade", diz Johnson. "Nunca vale a pena contratar alguém de quem você não goste, ou alguém
que não seja bem aceito entre os colegas."

Em vez de demitir, ela "transferiu pessoas com fraco desempenho para
outras funções dentro da empresa, porque realmente gostava delas." Deborah Weinberg

UOL Cursos Online

Todos os cursos