No relógio: "24" e seus fãs

Gary Levin

O programa da Fox em tempo real, entrando em sua quinta temporada com episódios de duas horas no domingo e segunda-feira (20h), já foi o único seriado em meio a séries cujos episódios eram completos em si mesmos, como "CSI" e "Law & Order".

No entanto, o sucesso de "24" levou a uma grande mudança da TV, liderada por seus 10 principais sucessos: "Desperate Housewives", "Lost" e "Grey's Anatomy", sem contar "Prison Break", "Invasion", "The O.C." e outros.

Tantos programas que exigem atenção constante cansam a paciência até dos telespectadores mais leais. "Se você não assiste a um episódio, sente como se tivesse perdido alguma coisa", diz Kristine Bourque de Durham, Carolina do Norte.

Apesar de ser leal a "24", "Lost" e "Alias", ela diz: "Evitei ver outros seriados porque entendi que o compromisso era de assistir tudo ou nada", diz ela.

"E não tenho tempo e energia para ficar ligada em outra série."

Mary Lynn Rajskub, que faz o papel da especialista em computadores leal de "24", Chloe O'Brian, diz: "Sempre tenho essa discussão com as pessoas. Parece que ou as pessoas estão realmente acompanhando e não perdem nada ou não vêem o programa e dizem: 'Ouvi dizer que é bom'".

As impressões enganam: uma análise dos números de Nielsen mostra que, em média, o telespectador de "24", "Lost" ou "West Wing" viu apenas um em cada cinco episódios na última temporada. E apenas 15% dos fãs de "24" viram 10 ou mais episódios, o que explica as recapitulações detalhadas no início de cada episódio.

Ainda assim, "todo mundo tem um limite", diz Chris Massey, 26, de Jacksonville. "Se você quiser sair ou fazer qualquer coisa, tem que estabelecer limites." Ele disse que evitou programas como "24" não por serem desinteressantes, mas porque não queria passar seus dias tentando acompanhar a trama.

Mas a ABC, que apostou muito em sagas contínuas, diz que os altos índices provam que os telespectadores ficam animados com suas histórias complexas e personagens bem desenvolvidos.

"Não acredito que as pessoas estejam ficando cansadas. Acho que estão pedindo isso", diz o diretor de entretenimento Steve McPherson, apontando para a reação apaixonada a seriados como "Lost". "É muito importante para o ramo que haja uma programação para cada noite."

E a tecnologia tornou-se amiga do fã de novelas, caso perca algum episódio. Os telespectadores podem comprar toda a temporada em DVD. A loja da Apple, iTunes, oferece episódios passados de programas como "Lost" e "Housewives", e os serviços a cabo oferecem outros.

Além disso, os mais fanáticos usam aparelhos de gravação como o TiVo, para administrar seus programas favoritos.

"Não tenho que abdicar de nada, porque tenho gravador de DVD, então tenho todos os programas que acompanho cobertos", diz Marie McCoy, 56, de West Bloomfield, Michigan.

Ainda assim, nenhum programa é tão amarrado ao dia e horário quanto "24", que tem episódios de uma hora. E a longa espera -o show esteve ausente por oito meses- deixou os produtores ainda mais ansiosos sobre se superarem na quinta temporada.

"Minamos quase todo o território que o programa usa" -desastre nuclear, vírus mortal, terrorismo islâmico. "Fica difícil não nos repetirmos", diz o produtor executivo Howard Gordon. Ao planejar esta temporada, "em vez de crescer, sabíamos que tínhamos que diminuir. Jack sendo morto vivo nos deu essa oportunidade. Sabíamos que a tensão tinha que vir não de alguma ameaça iminente, mas de algo muito pessoal de Jack."

O relógio começa novamente 18 meses depois de Jack ter sido visto pela última vez vagando ao longo de trilhos de trem, prestes a adotar uma nova identidade, depois de ter sido dado como morto na Unidade de Combate ao Terrorismo (UCT) de Los Angeles. (Caso você tenha esquecido, na última temporada ele ajudou a unidade a destruir um míssil nuclear que ia para Los Angeles, mas foi procurado pelo governo chinês depois de ser implicado em uma invasão de seu consulado. Um agente do Serviço Secreto recebeu ordens de matá-lo para evitar que vazasse segredos. Isso levou seus amigos a ajudarem-no a fingir sua morte.)

Na estréia de domingo, Bauer, sob o nome de Frank Flynn, trabalha com petróleo em Bakersfield, Califórnia. Ele namora Diane Huxley (Connie Britton), mãe solteira cujo filho adolescente, Derek (Brady Corbet) suspeita de Jack, apesar de ele e sua mãe não conhecerem seu passado. A maior parte de seus antigos colegas da UCT também não sabe do destino de Jack.

"Certamente, as pessoas que conhecia acham que está morto", diz o astro Kiefer Sutherland. Jack também não está mais em nenhuma agência do governo. (Na última temporada, ele trocou seu distintivo da UCT para trabalhar para o secretário de defesa). "A mudança do personagem é que não está ligado a ninguém", diz ele. "É seu próprio patrão."

Mas a abertura explosiva da nova temporada tira Jack de seu esconderijo e volta o clicar do relógio de "24", quando um ineficaz presidente Logan (Gregory Itzin) se prepara para assinar um tratado nuclear com o premier russo.

"Começa com uma grande explosão e não pára", diz Gordon. "Em vez de uma ameaça crescente", como as que introduziram as últimas temporadas, "esta bate no chão com força e Jack é lançado ao centro da trama. Ele é pego pela gola e puxado para o drama. De muitas formas, o que acontece nos primeiros 10 minutos realmente dá a força emocional da temporada."

Voltando para mais uma temporada: o nervoso Edgar Stiles (Louis Lombardi), o líder equilibrado Bill Buchanan (James Morrison), o agente Curtis Manning (Roger Cross); e o ex-casal da CTU Tony Almeida (Carlos Bernard) e Michelle Dessler (Reiko Aylesworth).

E é claro, tem Chloe, que deixou de ser a chata da terceira temporada, acrescentada para alívio cômico, e tornou-se um personagem mais crucial. Mary Lynn Rajskub inicialmente considerou seu papel limitado a uma "especialista em computação irritante", diz ela. Nesta temporada, ela se torna uma aliada mais abnegada de Jack. "Agora, ela tem emoções", diz Rajskub. "Fica chateada com as coisas" e se torna mais "renegada", enquanto mapeia coordenadas e segue protocolos.

Também está de volta, depois de uma ausência de um ano, a filha permanentemente ameaçada de Jack, Kim (Elisha Cuthbert). Ela volta para alguns episódios em março, quando descobre que seu pai não está morto.

"Sua história foi a mais difícil de manter", diz Sutherland. Isso ficou claro para os telespectadores quando foi perseguida por leões, na segunda temporada.

Apesar de alguns fãs continuarem a discutir os detalhes, outros que perdoam os lapsos podem se cansar. "Todo ano, fica um pouco mais difícil de evitar a descrença do público e encontrar algo novo para dar", diz Sutherland.

O objetivo, é claro, é contagiar os telespectadores para que voltem semana após semana. "Reunion", da Fox, "Threshold", da CBS, e "Surface", da NBC -todos com tramas que duram toda a temporada- saíram do ar ou estão caindo. "É o darwinismo da programação", diz Shari Ann Brill, da Carat USA. "Muitos conceitos geram clones, mas sobrevive o mais apto: o melhor desempenho vence."

Com 11,9 milhões de telespectadores, o ibope de "24" atingiu seu pico na última temporada, a primeira a correr sem interrupções de janeiro a maio. Essa estratégia contínua, diz Brill, "está funcionando melhor do que programa semana após semana".

De sua parte, Sutherland está contente em continuar fazendo "24", mas insiste que seu sucesso se baseia na fórmula de tempo real, não nele mesmo ou nas mudanças constantes do elenco.

Enquanto isso, o programa talvez encontre um segundo lar na telona. Os autores estão desenvolvendo um roteiro para uma adaptação para o cinema que condensaria o programa em duas horas. Se tiver sinal verde, o filme deve começar a ser rodado na primavera.

Os criadores de "24" Robert Cochran e Joel Surnow estão trabalhando em um programa piloto para um drama proposto pela Fox ,chamado "Hardboiled", uma série de detetive que seguiria um único caso durante 13 episódios.

Felizmente, não minuto a minuto. Jack voltou. Mas será que os fãs de "24" terão tempo para assistir? Deborah Weinberg

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