Ano foi pródigo em boas atuações no cinema

Claudia Puig

Parafraseando a esmaecida rainha das telas de "Crepúsculo dos Deuses" ("Sunset Boulevard", EUA, 1950), Norma Desmond, foram os filmes que se tornaram pequenos nesta temporada de premiações.

A maior parte das conversas sobre os prêmios da Academia é centrada em filmes de baixos orçamentos e nas atuações dos atores, como é o caso de "O Segredo de Brokeback Mountain" ("Brokeback Mountain", EUA, 2005), "Capote" (EUA, 2005) e "Johnny e June" ("Walk the Line", EUA, 2005).

Enquanto os eleitores do Oscar se preparam para o fim do prazo, neste sábado, para as votações dos indicados, perguntamos aos críticos a respeito de alguns trabalhos relativamente desconhecidos, mas de boa qualidade, que não deveriam ser ignorados.

"Este foi o ano no qual Hollywood jogou a toalha e parece que cedeu todas as indicações aos filmes independentes", diz Marshall Fine, do Círculo de Críticos de Filmes de Nova York, e critico de cinema da revista "Star".

"Se observarmos os principais grupos de críticos que falam sobre as indicações, perceberemos que todos estão praticamente pescando nas mesmas águas. Temos "Capote", "O Segredo de Brokeback Mountain", "Boa Noite e Boa Sorte" ("Good Night and Good Look", EUA, 2005) e "A Lula e a Baleia" ("The Squid and the Whale", EUA, 2005). Os grandes estúdios estão fazendo filmes que venderão em DVD e que serão exibidos nos canais de TV a cabo, mas não estão se dedicando a trabalhos para todas as idades".

As indicações ao Oscar serão anunciadas em 31 de janeiro, e os vencedores em 5 de março. Enquanto isso, eis aqui 20 trabalhos que o nosso grupo de críticos afirma que não podem ser esquecidos.

Melhor Ator

Prováveis indicações:

  • Philip Seymour Hoffman, "Capote"
  • Heath Ledger, "O Segredo de Brokeback Mountain"
  • David Strathairn, "Boa Noite e Boa Sorte"
  • Joaquin Phoenix, "Johnny e June"
  • Russell Crowe, "A Luta Pela Esperança" ("Cinderella Man", EUA, 2005)

    Mas não se deve esquecer de:

  • Terrence Howard pelo seu papel de um cafetão com aspirações musicais em "Ritmo de um Sonho" ("Hustle & Flow", EUA, 2005). Ele foi simplesmente tremendo durante o ano todo em tudo aquilo que fez, e agiu sem nenhum estrelismo, explica Michael Phillips, crítico de cinema do "Chicago Tribune". "Mesmo em um filme totalmente vinculado a uma fórmula determinada, como "Quatro Irmãos" ("Four Brothers", EUA, 2005), ele foi sensacional. Quando Howard aparece, ele se transforma no filme". O crítico da revista "Star", Marshall Fine, acrescenta: "Certamente, as pessoas o estão reconhecendo pelo seu trabalho em "Crash - No Limite" ("Crash", EUA/Alemanha, 2005), mas "Ritmo de um Sonho" foi o grande trabalho do ano".

  • Romain Duris, em "De Tanto Bater Meu Coração Parou" ("De Batre Mon Coeur S'est Arreté", França, 2005), no papel de um marginal dividido entre a lealdade ao pai criminoso e o estudo do piano clássico. "A energia forte e concentrada de Duris, a sua inquietação infantil e o olhar inteligente dão ao seu personagem vida integral", opina Sheri Linden, crítico da revista "The Hollywood Reporter". "É a melhor atuação do ano, um estudo preciso de personalidade".

  • Anthony Hopkins pela sua representação de um motociclista idoso que bate recordes em "The World's Fastest Indian" (Nova Zelândia, 2005). "Ele não deve ser ignorando, mas temo que será, porque o filme foi lançado muito tardiamente, tendo sido exibido por apenas uma semana, e os indivíduos que escolherão os indicados provavelmente não tiveram tempo de avaliá-lo", afirma Stephen Farber, crítico da revista "Movieline". "É a melhor atuação de Hopkins em anos, uma obra-prima de atenuação, e o fato de ninguém parecer dar-lhe valor é um verdadeiro crime".

  • Tommy Lee Jones como um vaqueiro que luta para cumprir a promessa feita a seu amigo de enterrá-lo na sua cidade natal mexicana, em "The Three Burials of Melquiades Estrada" (EUA, 2005). "Essa é realmente a melhor atuação da sua carreira, e ele foi também o diretor do filme", explica Pette Hammond, crítico de cinema da revista "Maxim".

  • Steve Carell, pela sua interpretação de um amável homem de meia idade que não tem muita sorte no amor, em "O Virgem de 40 Anos" ("The 40-Year-Old Virgin", EUA, 2005). "Ele é realmente o ator cômico mais interessante no momento", garante Fine. "Tudo o que se tem a fazer é assistir à sua atuação, e depois dar uma olhada em Jim Carrey em "As Loucuras de Dick e Jane" (Fun with Dick and Jane", EUA, 2005), para se constatar a diferença. Jim Carrey era o padrão de comicidade. Depois, por um período, o padrão foi Will Ferrell. Agora, quem carrega o bastão é Steve Carell.

    Melhor atriz

    Prováveis indicações:

  • Reese Witherspoon, "Johnny e June"
  • Felicity Huffman, "Transamérica" (EUA, 2005)
  • Judi Dench, "Sra. Henderson Apresenta" (Mrs. Henderson Presents", Reino Unido, 2005)
  • Cralize Theron, "Terra Fria" ("North Country", EUA, 2005)
  • Joan Allen, "A Outra Face da Raiva" ("The Upside of Anger", EUA, 2005)

    Mas não se esqueçam de:

  • Naomi Watts, interpretando a atriz de olhos tristes que se afeiçoa a um macaco gigante em "King Kong" (EUA, 2005). "É impressionante o fato de ela ter sido desprezada na categoria de melhor atriz", afirma Jean Oppenheimer, crítico de cinema para a estação pública de rádio KPCC. "Ela está maravilhosa, e deu ao filme o coração e a alma do trabalho". Gene Seymour, crítico de cinema do jornal "Newsday", acrescenta: "Watts é uma dentre as duas ou três atrizes de cinema que não têm problemas em serem superestrelas na era do silêncio, utilizando as suas expressões faciais. A omissão do seu nome reflete o preconceito típico da Academia para com esse tipo de filme. Mas ela impressiona a todos, especialmente no final".

  • Joan Plowright, no papel de uma viúva solitária que contrata um "neto" para impressionar os seus amigos em "Mrs. Palfrey at the Claremont" (EUA, 2005). "Ela é uma das grandes atrizes do planeta", afirma Leonard Maltin, crítico de cinema da "Entertainment Tonight". "É o tipo de papel que, caso deixado por conta de uma profissional menos competente, seria exagerado ou tenderia para o clichê, mas ela jamais desce a tal nível. Ela é simplesmente luminosa nesse filme. Plowright é maravilhosamente sutil, e é sutilmente que ela é geralmente desprezada pela Academia".

  • Vera Farmiga, como a mãe viciada em drogas em "Down to the Bone" (EUA, 2004). "No início ela parece ser um tipo de personagem que já vimos dezenas de vezes antes; uma drogada que tenta largar as drogas", diz Scott Foundas, crítico da revista "L. Weekly". "Mas o que torna a atuação de Farmiga tão impressionante é a sua aversão a tudo o que é melodramático e grandioso".

  • Juliette Binoche, interpretando a mãe assustada, que, juntamente com o marido, é aterrorizada no filme francês "Caché" (França/Áustria/Alemanha/Itália, 2005), e que faz ainda o papel da mulher e mãe problemática em busca de beleza e espiritualidade em "Palavras de Amor" ("Bee Season", EUA, 2005).

    O papel geralmente ingrato da esposa problemática foi reinventado com uma complexidade psicológica revigorante por Juliette Binoche, não apenas uma, mas duas vezes, em 2005, e em duas linguagens diferentes", afirma Wade Major, crítico de cinema da revista "BoxofficeMagazine".

    "Binoche faz aquilo que poucas outras atrizes vivas são capazes de fazer: transmite uma riqueza de emoções com um simples olhar, trabalhando com diálogos que geralmente seriam inócuos, por meio de silêncios cuidadosamente escolhidos, a fim de evocar emoções profundas".

  • Connie Nielsen, como a mulher de um soldado que se acredita ter morrido no Afeganistão, e que desenvolve um relacionamento com o irmão do marido em "Brodre" (Dinamarca, 2004). "É uma das representações mais eloqüentes deste ano sob o ponto de vista emocional", afirma David Ansen, crítico de cinema da revista "Newsweek". "A atuação mostra como Hollywood reconheceu apenas a superfície do seu talento".

    Melhor ator coadjuvante

    Prováveis indicações:

  • Matt Dillon, "Crash - No Limite"
  • Paul Giamatti, "A Luta Pela Esperança"
  • George Clooney, "Syriana" (EUA, 2005)
  • Jake Gyllenhall, "O Segredo de Brokeback Mountain"
  • Don Cheadle, "Crash - No Limite"

    Porém, não se esquecer de:

  • Frank Langella, como o diretor da CBS, William Paley, em "Boa Noite e Boa Sorte". "Toda a glória está indo para George Clooney e David Strathairn, mas Frank Langella realmente consegue roubar as cenas", afirma Peter Travers, crítico de cinema da Rolling Stone. "Ele poderia ter feito aquele papel como o vilão tradicional. Mas não foi essa a sua opção. Há na sua interpretação consciência e inteligência, assim como imperiosidade".

  • Alexander Siddig, pelo seu papel como príncipe do Oriente Médio no drama sobre a indústria do petróleo, "Syriana". "Siddig é a grande descoberta do ano", afirma F.X. Feeney, crítico da "L. Weekly".

  • Joseph Godon-Levitt, em "Mistérios da Carne" ("Misterious Skin", EUA/Holanda, 2004). "A sua atuação como prostituto cuja vida foi irreversivelmente afetada por abusos sexuais quando era criança indica que a carreira desse jovem ator promete se estender para bem além de "Terra - A Terceira Pedra do Sol" ("Third Rock from the Sun", EUA, 1991)", diz Alonso Duralde, editor de artes e entretenimento da revista "The Advocate's".

  • Richard Jenkins no papel do pai durão de Charlize Theron em "Terra Fria". "O trabalho eloqüente de Jenkins como o pai conflituoso de Charlize Theron gera muita emoção", diz Farber.

  • Borje Ahlstedt, como um filho triste em "Saraband" (Suécia, 2003). "Ele mostra o que é ser uma versão envelhecida de um homem que já está acabado com pouco mais de 20 anos de idade", afirma Mike Clark, do USA Today.

    Melhor atriz coadjuvante

    Prováveis indicações:

  • Amy Adams, "Juneburg" (EUA, 2005)
  • Rachel Weisz, "O Jardineiro Fiel" ("The Constant Gardener", EUA, 2005)
  • Frances McDormand, "Terra Fria
  • Catherine Keener, "Capote"
  • Michelle Williams, "O Segredo de Brokeback Mountain"

    Mas não se pode esquecer de:

  • Robin Wright Penn, como a mulher grávida desiludida que encontra uma velha paixão em "Nine Lives" (EUA, 2005). "Este é o tipo de atuação que justificou a criação do prêmio de melhor atriz coadjuvante", diz Farber. "Ela só conta com uma cena no filme, mas o seu retrato de uma mulher cuja vida encontra uma solução como resultado de um encontro fortuito com um ex-namorado é absolutamente comovente. Ela transmite uma grande mensagem de forma não verbal".

  • Hope Davis, no papel da irmã controladora de Gwyneth Paltrow em "A Prova" ("Proof", EUA, 2005), ou como a mulher de Nicolas Cage em "O Sol da Cada Manhã" ("The Weather Man", EUA, 2005). "Todo diretor deveria ser grato caso tenha a sorte de contar com Hope Davis em um filme seu", afirma Fine. "Ela é como Robert Duvall. A gente sabe que, qualquer que seja o papel por ela representado, este será o mais realista possível".

  • Rachel McAdams, como a irmã crítica em "Tudo em Família" ("The Family Stone", EUA, 2005), e como a filha privilegiada de um figurão de Washington em "Penetras Bons de Bico" ("Wedding Crashers", EUA, 2005). "Ela está em papéis periféricos em ambos os filmes, mas consegue criar impressões inesquecíveis com personagens que mal aparecem", diz Travers, da "Rolling Stone". "Ela nunca é a mesma em papéis diferentes. Talvez McAdams seja muito atraente, ou uma personalidade demasiadamente camaleônica, para que os eleitores do Oscar percebam que ela é uma verdadeira estrela - do tipo que atua, e que também brilha - que está em meio a nós".

  • Anne Hathaway, como a texana controladora que se casa com Jake Gyllenhaal em "O Segredo de Brokeback Mountain". "Embora a outra atriz, Michelle Williams, certamente mereça toda a aclamação de que foi alvo, o trabalho de Anne Hathaway não deveria ser ignorado", adverte Duralde. "A sua cena final ao telefone com Heath Ledger é bastante comovente. E, como uma moradora do Texas, o seu retrato de uma rica matrona da sociedade local é simplesmente empolgante".

  • Emily Mortimer, como uma mãe que escreve cartas, fingindo ser o pai do seu filho surdo em "Querido Frankie" ("Dear Frankie", Reino Unido, 2004). "Ela está maravilhosa no papel", diz Maltin. "Mortimer é totalmente convincente como a mãe que tem dificuldades para criar aquele garotinho. Ela é uma atriz excepcional. Jamais passa a sensação de que está atuando. Mortimer se entrega de corpo e alma aos seus papéis". Academia terá trabalho para selecionar os indicados ao Oscar Danilo Fonseca
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