Bem-vindo à nação "American Idol": por dentro de um fenômeno de cinco temporadas

Ann Oldenburg

Emma Johnson tem 13 anos. Toda terça-feira à noite você pode encontrá-la com sua irmã, Lydia, 8, no mesmo lugar: instaladas no sofá de sua casa em Vero Beach, Flórida, coladas a "American Idol". "Eu assisto 'American Idol' desde a primeira temporada, e sempre adorei", diz Emma.

Esse poder de permanência é o que surpreende a indústria da televisão em "American Idol". A maioria dos programas não tem a sorte de chegar a uma quinta temporada, e alguns se consideram felizes em ver um quinto capítulo [o "reality show" musical é apresentado no Brasil pelo canal pago Sony].

Fox Broadcasting via The New York Times - mai.2005 
Os jurados de "American Idol": Randy Jackson (à esq), o divertido; Paula Abdul, a meiga; e Simon Cowell, o durão
Mas "Idol" não é uma simples usina de audiência, e está mais forte que nunca:

  • Na estréia em 15 de janeiro foi o programa de entretenimento de maior audiência na história da Fox, com 35,5 milhões de espectadores, segundo a Nielsen Media Research.

  • O programa está conseguindo uma média de quase 34 milhões de espectadores às terças-feiras e 31 milhões às quartas nesta temporada, um aumento de mais de 3 milhões de espectadores em relação à última temporada.

  • Na semana passada ele superou os Prêmios Grammy, um programa mais sério sobre música, em mais de 10 milhões de espectadores.

    A grande pergunta agora é: o programa de calouros da Fox vai superar as Olimpíadas de Inverno, que estão sendo exibidas na NBC todos os dias até 26 de fevereiro e geralmente dominam a audiência? Eles seriam exibidos simultaneamente pela primeira vez nesta terça (14 de fevereiro), às 8 da noite.

    "Eu acho que 'American Idol' tem maior probabilidade que qualquer um de superar as Olimpíadas", diz Brad Adgate, da Horizon Media, percebendo que sua filha, Abigail, 13, está viciada em "Idol".

    Geralmente os Jogos de Inverno têm mais força entre mulheres mais velhas, enquanto "Idol" é popular entre todos --homens, mulheres, jovens e velhos-- com ênfase especial para as mulheres jovens.

    E de um ponto de vista prático "Idol" será exibido juntamente com as Olimpíadas cinco vezes durante duas semanas, mas somente por uma ou duas horas, o que facilita deixar o esporte de lado em favor da música.

    Ainda assim, diz Adgate, "acho que a NBC vai ganhar a corrida em fevereiro", um período de classificação em que são definidas algumas tarifas de publicidade locais. "Mas depende muito dos ingredientes imprevisíveis nos esportes: os eventos, como os americanos se sairão e outras coisas." A capacidade do programa de aumentar sua audiência mantendo a mesma fórmula ao longo dos anos "desafia a sabedoria convencional", ele diz.

    A teoria convencional de programação das redes diria para exibi-lo durante o ano todo, capitalizando seu sucesso. Mas a Fox só leva ao ar um concurso "Idol" por ano. "É oferta e demanda", diz Adgate, "e eles limitam a oferta do programa. Quando começar de novo, haverá uma enorme demanda."

    Uma demanda tão grande significa que espectadores de todas as idades estão assistindo. É consistentemente um dos dez principais programas entre todas as faixas etárias, e também é um dos dez mais entre o grupo de 18 a 49 anos tão cobiçado pelos anunciantes.

    Mas nesta temporada, notavelmente, as adolescentes estão realmente adorando "Idol". Dos 166 programas de redes até agora nesta temporada, "Idol" atrai 135% mais adolescentes do que qualquer outro programa, e 134% mais garotas.

    Viciada e feliz

    Lauren Palmer, 12, de Rexburg, Idaho, sabe exatamente o que vai assistir nesta semana. "É fácil responder porque eu normalmente não vejo as Olimpíadas, então é 'American Idol', claro." Sami Morley, 15, de St. Louis, diz: "Eu continuei assistindo depois da primeira temporada porque adoro Kelly Clarkson. E também adoro assistir os 12 principais lutarem até o fim. Gosto de assistir a todas as suas apresentações e ver como os juízes reagem, especialmente Simon".

    Há maneiras de descobrir se sua filha é viciada em "Idol", embora você provavelmente já saiba. Publicada no painel de mensagens de idolonfox.com, existe a lista "Você sabe que é viciada em 'American Idol' quando..."

    Existem 35 finais diferentes, claramente escritos por ou voltados para a garotada. Por exemplo: "Você começa a cochilar na aula de história e só presta atenção quando o professor usa as palavras 'cantar' ou 'talento'". Ou: "Você afirma que seu filme favorito é o filme de terror da TV 'Touched by Evil', estrelado por Paula Abdul como uma mulher atacada por um violador em série".

    Ou talvez você saiba que está viciada quando escuta uma canção e imediatamente pensa que seria perfeita para um "Idol" cantar. "Para mim, a melhor parte do programa são os cantores", diz Kelly Richardson, 16, de Fort Wayne, Indiana. "Eu gosto de vê-los fazer o teste e ver se consigo acertar quem vai ganhar."

    Essa é uma das maneiras como o programa se conecta aos espectadores, especialmente às mulheres, diz o produtor executivo Ken Warwick. "É uma coisa que parece afetar mais as mulheres que os homens. Os homens olham e dizem 'Que idiota. Olhe só para ele. Vá trabalhar'. Mas as garotas se envolvem no tipo de esperanças e sonhos da garotada que é boa, e realmente ficam irritadas com os que são ruins."

    O programa e essas histórias o tornam um sucesso. "Quando eles vão para a escola no dia seguinte, é o programa para assistir, e quando não vêem estão encrencados", diz Warwick.

    Algo para cada um

    Para criar sensação, tem de haver algum estímulo. Matthew Robinson, autor de "How to Get on Reality TV" (Como entrar na TV-realidade, ed. Random House), diz que os diretores de elenco de "Idol" procuram três coisas nos candidatos para garantir a popularidade do programa. "É chamada a Santa Trindade do elenco de 'Idol': boa voz, bom visual e uma boa história.

    "Nesta temporada parece estar na ordem inversa: boa história, bom visual e boa voz. A história de fundo é muito importante. Existe um milhão de vozes incríveis neste país. Uma boa voz não vai levar ninguém ao programa."

    O drama emocional é o que prende os espectadores, e um exemplo perfeito de "Idol" nesta temporada é o caubói-cantor Garrett Johnson, que nunca tinha saído de casa e foi facilmente levado às lágrimas, diz Robinson. "Não tem uma voz nem um visual muito bons, mas tem uma ótima história. Eles descobriram exatamente o que funciona e transformaram em ciência."

    Gayle Arnum, de Forest Hills, Nova York, e sua filha Drew, 7, assistem juntas. "Na última temporada Drew se apaixonou por Constantine (Maroulis), como muitas garotas de todas as idades, e realmente chorou quando ele foi eliminado", diz Arnum.

    "Não há muitos programas adequados para uma garota, além de desenhos animados ou reprises de velhos programas. Quando a votação começar, realmente vamos participar do processo, como no ano passado. É diversão para toda a família."

    Ou para qualquer pessoa, ao que parece. "No início da temporada é a melhor comédia na televisão. Perto do fim é o melhor drama", diz Kevin Kertes, 40, executivo de uma gravadora em Woodland Hills, Califórnia.

    "Como um banqueiro de 30 anos, sinto um prazer culpado", disse Michael Manginello, de New Milford, Nova Jersey. "Comecei a assistir o programa quando ele estreou, em 2002. Eu trabalhava no departamento de promoções da (rádio) Z100 em Nova York, e todo mundo estava falando sobre ele. Eu realmente construí um santuário lá para Justin Guarini. Ele contagiou todo o escritório, como um resfriado."

    De quê ele mais gosta? "Do fator real", diz.

    Os capítulos de teste que dão início ao programa, apresentando personagens estranhos e cantores talentosos, são uma grande atração. "Eu estava surfando pelos canais, não encontrava nada para assistir, quando um teste especialmente ruim me chamou a atenção", diz Tracy LeGrand, 39, de Tulsa. De repente ela estava viciada. "É um espetáculo. É humano. É fascinante", diz LeGrand. "É por isso que assisto hoje."

    Talentos brilhantes

    Não vamos esquecer que é um programa de calouros. É por isso que Greg Palmer, 50, um professor universitário e pai de três filhos, o sintoniza. "Há muita gente conseguindo contratos de gravação e ganhando dinheiro que não tem talento para sustentar a fama. Quando surge um ocasional talento brilhante, como Kimberley Locke, LaToya London, quero apoiá-lo", diz Palmer.

    E há muito talento nesse grupo.

    "O programa já passa em 36 países", diz Warwick, "e, de modo geral, você descobre depois da terceira ou quarta série que o banco de talentos começa a decair um pouco. Alguns países, como a Alemanha, disseram: 'Bem, vamos tirar um descanso de um ano', e deliberadamente o tiram do ar e voltam dois anos depois, e foi novamente um grande sucesso."

    Na quinta temporada, ele temeu que o talento não fosse tão grande. "Eu não poderia estar mais errado. O talento este ano é fabuloso. E há garotos que estão sendo jogados fora por Hollywood que teriam ficado entre os cinco primeiros em qualquer outro ano. Então você precisa deixar que o país decida quem vai ficar." "Reality show" musical é o programa mais visto da TV americana Luiz Roberto Mendes Gonçalves
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