Suns: determinando o ritmo dos playoffs

Greg Boeck
em Phoenix, Arizona

O armador Leandro Barbosa dos Phoenix Suns está ganhando apelidos mais rapidamente do que joga. O Borrão Brasileiro. Ligeirinho. O homem mais rápido do planeta, disse o técnico do Suns, Mike D'Antoni. E o mais recente, cunhado pelo companheiro de equipe Boris Diaw: "Papa-léguas".

O que provoca a pergunta à medida que esquentam os playoffs da NBA: se o Phoenix Suns joga em velocidade warp, em que marcha joga Leandro.

Jeff Topping/Reuters - 9.mai.2006 
O MVP da temporada Steve Nash (centro) é saudadado por Shawn Marion (esq) e Leandro

"Leandro", disse o melhor jogador da temporada, Steve Nash, o orquestrador do ataque pegue-nos se puder, "tem uma marcha que desconheço totalmente. É engraçado assistir. Quem me dera eu pudesse pegá-la emprestada por um quarto ou dois apenas por diversão. Eu emprestaria meu carro para ele se ele me emprestasse suas rodas".

As rodas estão acelerando em ritmo de 500 Milhas de Indianápolis para
Leandro e os Suns. Eles ativaram todos os cilindros novamente na
segunda-feira, em uma demonstração ofensiva arrebatadora para abrir a
segunda rodada dos playoffs contra o Los Angeles Clippers.

O Suns acertaram 54,7% de fora do garrafão, 44,4% da linha de três pontos e 96% da linha de lance livre, obtendo desconcertantes 74 pontos na segunda metade do jogo -após 48 horas de descanso após a vitória emocionante no sétimo jogo contra os Los Angeles Lakers.

Eles se somaram à vitória por 130 a 123 no primeiro jogo das semifinais da Conferência Oeste -um inicio desencorajador para os Clippers, que
desperdiçaram um jogo de 40 pontos de Elton Brand, 59,3% de arremessos
certos, sete dias de descanso e a presença de um antigo torcedor ao lado da quadra, Billy Crystal.

"Nós meio que suportamos a tempestade, mas não podemos esperar fazer isto toda noite", alertou o ala James Jones de Phoenix.

Esta sempre é a questão com os defensivamente frouxos Suns, que vivem do ataque quando está sincronizado, mas que morrem quando os oponentes ditam o ritmo com um maior campo ofensivo. Todavia, a bola pequena contra homens grandes se transformou em uma corrida de atletismo em vez de uma luta de boxe, com outra vitória dos Suns na segunda-feira. O segundo jogo será na noite de quarta-feira, em Phoenix.

Desde que os Lakers desaceleraram o ritmo com sucesso e conquistaram uma vantagem de 3 a 1 na sua série, os Suns se reagruparam ofensivamente e venceram quatro consecutivas.

Não se tratou apenas de uma volta ao habitual, mas sim uma volta ao incomum. Uma equipe com uma média elevada de 108,4 pontos em uma temporada regular devastou a equipe de Los Angeles nos playoffs com uma média de 122,8 pontos em 55,2% de arremessos de fora do garrafão, 42,9% de longa distância e 89,8% da linha de arremesso livre nos últimos quatro jogos. Isto inclui uma precisão de 61% nos arremessos em meio à pressão que foi o sétimo jogo no sábado.

Não é de se estranhar que Kobe Bryant saiu resmungando que "eles são como corredores olímpicos. Eles têm muito poder de fogo. Eles não cessavam de nos atacar em ondas".

Ondas. Faltou um ponto de Jones para os Suns colocarem sete jogadores
somando dois dígitos no primeiro jogo contra os Clippers. Seis estão
marcando dois dígitos em média nos playoffs.

"Eles não vão nos desacelerar", disse o ala Shawn Marion.

Nash acrescentou: "Nós estamos melhorando. Estamos ficando mais
equilibrados. Nosso ataque está claramente jogando com o tempo, confiança e ritmo que precisamos".


Ritmo, ritmo é o teste

É uma questão de escolher seu veneno com esta equipe, mesmo com Phil
Jackson, dono de nove titulos, e agora Mike Dunleavy, o treinador que
ressuscitou os Clippers, planejando uma desaceleração do jogo.

Mas nenhum teve sucesso. "Ritmo", disse Dunleavy, "não é exatamente o que precisávamos".

O que os Clippers precisavam era de um grande jogo no garrafão de Brand, com 6 acertos em 8, e sólido arremesso de fora. Eles conseguiram ambos -mas mesmo assim perderam. "Nosso objetivo é tentar segurá-los", disse Dunleavy. "Obviamente conseguimos passar a bola para Elton e criar algumas oportunidades para os demais. Mas foi um esforço perdido."

Surpreendentemente, e talvez mais desanimadoramente para os Clippers, mesmo com o elevado número de acerto nos arremessos, os Suns os superaram.

"Nós temos que controlar melhor o tempo", disse Brand. "Para colocar o tempo a nosso favor nós precisamos limitar nossos arremessos rápidos. Este é o plano de jogo deles. Não pode ser um ouro de tolo. Este é o ritmo e estilo deles e não podemos fazer isto."

Mas é mais fácil dizer que fazer. Pergunte aos Lakers, que contaram com
Kwame Brown e Lamar Odom em vez de Bryant e perderam uma vantagem de 3 jogos a 1.

"Eu vou roubar uma fala da Disney e dizer que é mundo pequeno afinal", disse D'Antoni após a série com os Lakers. "Eu acho que baixinhos podem jogar."

Foi outra validação do estilo de D'Antoni, questionado nas duas últimas
temporadas pelo seu fracasso nos playoffs. Mas ele levou os Suns para as finais da conferência no ano passado, quando o time perdeu cinco jogos para os futuros campeões San Antonio Spurs -que os derrotaram em seu próprio jogo acelerado. Agora os Suns estão a três vitórias de outra final da conferência.

"Nós estamos sempre 'arruinados'", disse Nash, respondendo aos críticos. "Nós estamos 'arruinados' antes da temporada, nós estamos 'arruinados' durante a temporada, nós estamos 'arruinados' durante os playoffs. Isto não nos afeta porque sempre duvidam de nós."

Preenchendo habilmente os buracos

Esta é uma equipe que desafiou as expectativas durante toda a temporada. Ela venceu 54 jogos sem o machucado astro Amare Stoudemire e sem o pivô Kurt Thomas, que está sem jogar desde fevereiro por lesão. As duas lesões ocorreram após a reformulação dos Suns fora da temporada, que trouxe de volta apenas dois iniciantes e quatro jogadores do esforço de 62 vitórias da última temporada.

"Eu acho que nossa resistência e nossa perseverança foram fundamentais para nosso sucesso", disse Nash. "Nós tivemos tamanha mudança e troca de jogadores que é necessária muita abnegação e muita determinação para
realmente apresentarmos o retrospecto que temos e chegarmos aos playoffs. Nós realmente temos que nos apoiar nisto, especialmente estando um pouco abaixo na estatura e enfrentando tantas lesões."

Muitos Suns têm se destacado: Nash, Marion, o produtor de duplos dobros; o defensor Raja Bell, o xerife da defesa e ás dos três pontos; Diaw, a ameaça de triplo dobro da França que está com uma média de 21 pontos nos últimos cinco jogos; e o ala Tim Thomas, que foi posto para fora do Chicago Bulls.

E é claro, o Borrão Brasileiro, Leandro. O jogador veloz seguiu sua
temporada de estréia (máximo de 13,1 pontos, terceiro na liga em arremessos de três pontos com 44,4%) com uma segunda temporada como revelação. Contra os Lakers, nos jogos eliminatórios 6 e 7, o armador totalizou 48 pontos.

Leandro tinha 17 pontos em 33 minutos fora do banco no primeiro jogo contra os Clippers. "Este é um grande ás de se ter", disse D'Antoni. "Ele abre tudo."

Leandro, uma decepção nos playoffs da temporada passada, começou a mudar sua sorte no começo do segundo semestre do ano passado, quando o presidente dos Suns, Jerry Colangelo, também diretor da seleção americana, o viu jogar pelo Brasil na Copa das Américas, realizada na República Dominicana.

Joe Johnston, um armador chave dos Suns na temporada passada, tinha acabado de partir para ganhar mais dinheiro e menos vitórias nos Atlanta Hawks.

"Eu tentei lhe dar um pouco de incentivo", disse Colangelo sobre Leandro. "Devido às trocas que fizemos ele teve uma grande oportunidade. Eu disse: 'Você precisa pegar esta chance. Você consegue'. A confiança dele aumentou muito. Era tudo o que ele precisava -sua confiança."

Leandro Barbosa marcou 37 pontos contra os Estados Unidos em uma derrota -e não olhou para trás.

Os Suns trouxeram o irmão de D'Antoni, Dan, um técnico colegial de 30 anos, para trabalhar individualmente com Leandro e os frutos disto foram excelentes.

"Ele me deixa melhor", disse Leandro, que fala inglês e português. "Ele faz com que eu me sinta confiante."

Antes de cada jogo, Dan D'Antoni deixa notas no armário de Leandro para ele se concentrar. A lista é geralmente longa- 10 a 12 notas. Mas antes do sétimo jogo contra os Lakers, ele deixou uma simples mensagem: "Não faça muitas faltas e apenas jogue seu jogo. Está com você agora".

A resposta de Barbosa: 26 pontos em 10 arremessos certos em 12, em 31
minutos.
"Eu estou me sentindo bem, à vontade, confiante", ele disse após o primeiro jogo. "Eu estou me divertindo."

Ele é o corredor supremo da equipe e até tem estabelecido o tom com suas disparadas para a cesta e longos arremessos de três pontos.

"Nós estamos correndo, correndo, correndo e abrindo espaço para arremesso", disse Leandro. "É a forma como gosto de jogar." George El Khouri Andolfato

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